Agressividade em Educação

  • Fabíola Menezes Araújo Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ

Resumo

O objetivo do presente artigo é expor a leitura que a psicanálise lacaniana levanta acerca das causas que levam à irrupção da agressividade, principalmente em razão do caráter frequente deste fenômeno em educação. Sendo o método utilizado basicamente o dissertativo, procurou-se ressaltar a dimensão filosófica do problema. O próprio Lacan se apropria do legado hegeliano e marxista para desdobrar a tese da agressividade enquanto realização de uma dinâmica instaurada a partir do olhar e que tem o seu modus operandi nos movimentos de alienação e de desalienação. A agressividade, ilustrada, por exemplo, pelas injúrias sofridas pelos professores mostra-se como tentativa de provocar a queda do Outro, queda essa tida como objeto a cujo modo de aparição é regulado pelo complexo de Édipo. Isto é, tanto o modo como se inscrevem as figuras de autoridade parentais nas cadeias significantes de que é composto o sujeito quanto o modo como essa inscrição molda as possibilidades existenciais de articulação com o sexo oposto seriam chave para antevermos em que medida o sujeito faz uso da agressividade. Nessa medida, o complexo de Édipo, reinvestido pelo acontecimento da puberdade, seria responsável pelo deslocamento da libido ora para o Outro ora para o próprio sujeito. O Outro, no desdobramento teórico de Lacan que se segue à década de 60, compreende tanto as escolhas identificatórias quanto aquilo que escapa a qualquer identificação. O Outro, por exemplo, na figura do professor, tem tanto o papel de se posicionar enquanto tal e assim gerar intuitivamente um processo de identificação, quanto o delicado papel de sustentar a dialética que surge no momento em que o Outro cai, momento esse que frequentemente se segue à identificação e que acontece junto a um gozo capaz de desvelar o objeto a. Muito embora o papel em educação não seja manter uma ausculta a esse objeto, a educação pode fazer com que esse objeto não seja excluído e seja contornado junto ao advento de singularidades. Neste momento, a explicitação das regras através das quais a educação se constitui assim como a empatia do educador aparecem como instrumentos fundamentais na educação tanto quanto a própria matéria a ser ensinada. Do texto, depreendemos a seguinte conclusão: acerca da necessidade de causarmos a colocação da agressividade na fala como via de conquista do processo de desalienação conjugada com uma possibilidade de sustentação do desejo.

Biografia do Autor

Fabíola Menezes Araújo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ
Doutora em Teoria Psicanalítica pela UFRJ. Possui graduação em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2005) e mestrado em Filosofia pela mesma Universidade (2007). Foi professora de filosofia do Estado e do Colégio Pedro II. 
Publicado
2016-10-06
Edição
Seção
Artigos Fluxo Contínuo