Gênero e a escrita da história

reflexões sobre feminismo, raça e crítica à colonialidade.

  • Maria Clara Martins Cavalcanti
Palavras-chave: Crítica à colonialidade, Escrita da História, Gênero

Resumo

A construção das narrativas históricas - nunca pretensamente neutras ou universais - é por si só uma tarefa política e, por isso, um campo em disputa. Os estudos pós-coloniais e decoloniais, ainda que não nascidos no campo epistêmico da História, têm contribuído para a crítica à monopolização dessas narrativas e do sistema de representações nelas presentes pelo imperialismo e pelas práticas coloniais. Ao mesmo tempo, importantes teóricas feministas
têm chamado atenção para a importância de se considerar as questões de gênero imbricadas à raça, classe e nacionalidade nas discussões sobre as permanências das opressões coloniais que perduram nos países latino-americanos. Dessa forma, este artigo tem por objetivo fundamental refletir sobre as contribuições do pós-colonialismo, dos estudos decoloniais e da crítica feminista no âmbito da produção de uma escrita da História que se ocupe das temáticas relacionadas ao gênero, a raça e a classe de forma imbricada. Para isso, tomo como ponto de partida as escritas de importantes teóricas feministas não brancas que, de diferentes países do sul da América, têm contribuído na descolonização de epistemologias, das leituras do passado e de proposições políticas para o presente.  Além disso, este artigo espera aproximar a produção de intelectuais negras no Brasil, como Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo e Sueli Carneiro da escrita de feministas decoloniais em outras partes da América Latina, apontando para o fato de que, apesar de comumente não explorada, há uma crítica profunda à colonialidade também na produção das feministas negras brasileiras.

Publicado
2020-06-18
Como Citar
Cavalcanti, M. C. M. (2020). Gênero e a escrita da história. Em Perspectiva, 6(1), 191-207. Recuperado de http://periodicos.ufc.br/emperspectiva/article/view/42301
Seção
Dossiê Temático