A SUÍTE MAGMÁTICA PARAPUÍ – SOBRAL-CE: PETROLOGIA E POSIÇÃO ESTRÁTIGRÁFICA

Afonso Rodrigues Almeida, José Ferreira Andrade Filho

Resumo


O termo Suíte Parapuí é aqui usado para agrupar apenas as rochas vulcânicas e subvulcânicas que ocorrem em derrames, sills e diques, intercaladas ou intrusivas nos sedimento Pacujá, com sua área de ocorrência geograficamente restrita à bacia Jaibaras, limitada pelos
lineamentos Sobral Pedro II e Café-Ipueiras. Aí distingue-se um magmatismo bimodal caracterizado por uma série basáltica transicional e uma serie riolítica sub-alcalina As rochas vulcânicas da série basáltica constituem uma seqüência sucessiva de lavas maciças, amigdaloidais/
vesiculares e fluidais, rochas vulcanoclásticas e depósitos piroclásticos (com bombas e lápillis). Elas incluem essencialmente basaltos, hawaiitos e mugearitos. Os constituintes mineralógicos primários estão representados por labradorita, que ocorrem como minerais relictos nucleares em andesina, oligoclásio e albita, produtos da albitização das labradoritas, titano-augita, olivina, minerais opacos (ilmenita?), e/ou magnetita. Material vítreo ocupa os interstícios dos plagioclásios na matriz. São comuns substituições parciais desses minerais para mica branca,
epidoto, tremolita-actinolita, clorita, carbonato e minerais opacos. As amígdalas são ocupadas por epidoto, calcita, clorita e zeólitas com formas radiais e zoneamento composicional. Os minerais opacos sulfetados são pirita e calcopirita. A freqüente albitizaçao da labradorita juntamente
com os demais processos de transformação dos minerais máficos primários, indicam que estes basaltos foram modificados por um processo de espilitizaçao. As rochas de composição riolítica da região de Mumbaba são caracteristicamente de cor vermelha-amarelada, compostas ora por bancos de lava maciça, ora por bancos de lavas porfiríticas e mais importante por bancos de lavas constituídas por rochas ignimbríticas caracterizadas por fragmentos líticos cimentados por matriz riolítica de cor vermelha-amarronzada A suíte basáltica mostra teores relativamente baixos de SiO2 (43,61%-51,03%), e valores de TiO2 são relativamente altos variando de 1.15% a 2.73% (2.09, média). Chama a atenção os altíssimos teores de Fe2O3, com razões Fe2O3 /FeO quase todas maiores que 1, indicando um forte estado de oxidação. No diagrama de Harker fica consagrada a incoerência geoquímica entre as duas séries. Não há como supor que a suíte ácida seja o produto da cristalização fracionada do membro básico, até porque, as relações de campo mostram que muitas vezes, os magmas basálticos se mostram na forma de enclaves microgranulares nos magmas ácidos, denunciando a natureza relativamente tardia dos magmas básicos com relação aos magmas de Mumbaba. De maneira geral, os basaltos Parapuí são caracterizados por um enriquecimento em LILe (Large ion lithophile elements), tais como Rb, K, Sr, Ba, Zr, sugerindo uma derivação a partir de fontes mantélica enriquecida.

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