Análise geoambiental do uso e ocupação do solo em áreas de implantação de carcinicultura no baixo Jaguaribe - Nordeste do Ceará: um enfoque SIG, Geologia & Hidrogeologia

Jackson Alves Martins, Raimundo Mariano G. Castelo Branco, Christiano Magini

Resumo


A porção estuarina do baixo Jaguaribe entre Itaiçaba e a sua foz no Atlântico, Estado do Ceará, vem passando por transformações no uso e ocupação de suas margens através da carcinicultura. Nesta porção o
canal e a planície do rio apresentam inúmeros sub-ambientes sensíveis a esta ação antrópica. O objetivo deste trabalho foi à caracterização do padrão físico do canal no baixo Jaguaribe, exposição de dados multitemporais da carcinicultura em seu entorno e a identificação de áreas mais susceptíveis a contaminações. A metodologia envolveu; i) pesquisa bibliográfica e elaboração de base cartográfica; ii) análise e processamento de imagens Landsat 5 –TM; iii) aquisição de parâmetros geológicos/hidrogeológicos (sub-área); e iv) aplicação de técnicas
de SIG. O SR permitiu a compartimentação do rio em dois Segmentos: i) Meridional - Forma assimétrica, largura média de 170m e sinuosidade de 1,3. Canal com os padrões fluviais meandrante (barras em pontal,
meandros abertos e canal único) e entrelaçado (multi-canal e barras longitudinais), além da presença de elementos como meandros abandonados, ilhas e rompimento de diques marginais; ii) Setentrional - Presença de Dunas encaixando a planície de inundação na margem direita, com canal possuindo largura média de 500m, sinuosidade em torno de 1,0, praticamente retilíneo de direção norte-sul, apresentando ilhas fixas vegetadas e pontos de rompimento de diques marginais sempre à margem direita. A análise multi-temporal revelou crescimento na degradação das margens nos últimos 10 anos, com desmatamento dos manguezais, mata ciliar e carnaubal chegando a 500%, passando de 7km² no ano de 2000, para 35km² nos dias atuais. Os parâmetros geológicos/hidrogeológicos revelaram: i) presença de Dunas não cartografadas com sistema aqüífero utilizado para consumo humano; ii) nível estático raso para a região chegando a 1,5 m de profundidade; iii)
presença de faixa anômala com valores de STD elevados em correlação ao sistema aqüífero aluvionar; e iv) potencial hidráulico caracterizando a margem esquerda do rio como zona de descarga e a direita pela presença
de planícies de inundação e fluxo subterrâneo de leve tendência para leste. Por fim, toda a porção do baixo Jaguaribe passa por falta de planejamento sustentável de suas respectivas atividades econômicas, e, conseqüente, pelo desordenamento do uso e ocupação do solo. Desta forma, a compreensão das variáveis do macroambiente e de como o sistema local funciona são fundamentais para o entendimento da situação atual e das possíveis tendências de mudanças no futuro.


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