A clínica em (des)construção: a sala de espera como potência política para a reforma psiquiátrica

Alana de Oliveira Lima, Luis Fernando de Souza Benício, Mariana Tavares Cavalcanti Liberato, Maristela de Melo Moraes

Resumo


Este trabalho originou-se da experiência de criação do dispositivo da Sala de Espera em um Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPSad) em uma experiência semiprofissional de estudantes de graduação em Psicologia de uma faculdade privada em Fortaleza/CE. A partir da demanda do campo e das leituras sobre clínica ampliada, como uma clínica inventiva que rompe com verdades universais sobre os indivíduos e seu processo de adoecimento, produziu-se um espaço de escuta e acolhimento para quem chegava a tal serviço. Baseou-se na perspectiva da Redução de Riscos e Danos (RRD), buscando ampliar o olhar sobre a questão das drogas e possibilitando outras formas de pensar e atuar no campo da saúde mental coletiva. As temáticas problematizadas tiveram efeitos tanto para os usuários e a equipe do serviço, como para os estagiários, pois a cada encontro construía-se em ato um espaço de empoderamento e controle social. Apesar das dificuldades infraestruturais, percebemos que o CAPS, impulsionado por uma equipe implicada política e eticamente com os princípios da Reforma Psiquiátrica e com a Luta Antimanicomial, consegue funcionar, apostando nas potencialidades da comunidade, proporcionando coletivamente outras possibilidades de existência e afastando-se da perspectiva reducionista de saúde como ausência de doença.


Palavras-chave


Reforma psiquiátrica; sala de espera; cidadania; clínica ampliada.

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