Efeitos da medicalização na travessia adolescente

  • Amanda da Silva Moreira
  • Luciana Gageiro Coutinho Universidade Federal Fluminense

Resumo

No presente artigo, buscaremos pensar os efeitos da hegemonia do atual discurso médico-científico sobre o processo da adolescência, a partir da apresentação e discussão do caso de um jovem de 17 anos que acompanhamos durante os anos de 2013 e 2014 através de um projeto de pesquisa-intervenção, desenvolvido em ambulatório de saúde mental infanto-juvenil da cidade do Rio de Janeiro. Como veremos, desde os 8 anos, este jovem passou a ser encaminhado pela escola a diversos serviços de saúde mental com queixas de dificuldade de aprendizagem e agitação no ambiente escolar. Inserido, deste modo, no campo das especialidades (psiquiatria, psicologia, neurologia), logo foi diagnosticado com TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e retardo mental leve. A partir da psicanálise, pretendemos analisar de que modo o enquadramento do mal-estar apresentado pelo jovem dentro de uma categorização diagnóstica medicalizante reforça a sua dificuldade em se engajar no trabalho de subjetivação da adolescência, que o permitiria assumir uma posição desejante e construir um discurso próprio sobre si mesmo.

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Biografia do Autor

Amanda da Silva Moreira

Psicóloga formada pela Universidade Federal Fluminense (2015). Bolsista de Iniciação Científica FAPERJ (2013/2014) no projeto de pesquisa “Infância, adolescência e mal-estar na escolarização: estudos de casos em psicanálise e educação”. Atualmente cursa pós-graduação em Psicologia Clínica-Institucional - Modalidade: Residência Hospitalar - HUPE/UERJ.

Luciana Gageiro Coutinho, Universidade Federal Fluminense

Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense / Orientadora e coordenadora do projeto de pesquisa “Infância, adolescência e mal-estar na escolarização: estudos de casos em psicanálise e educação”.

Publicado
2018-01-01
Como Citar
Moreira, A. da S., & Gageiro Coutinho, L. (2018). Efeitos da medicalização na travessia adolescente. Revista De Psicologia, 9(1), 53-63. Recuperado de http://periodicos.ufc.br/psicologiaufc/article/view/20509