1968 – 2018: O que se perdeu? No ar rarefeito das sociedades de controle

Sylvio Sousa Gadelha

Resumo


Tendo em vista os 50 anos que separam 1968 de 2018, o intuito, desse ensaio é triplo: primeiro, fazer uma breve recuperação e caracterização do que se passou no final da década de1960; segundo, identificar, compreender e estimar o que se perdeu de lá para cá, e como e porque isso se deu; terceiro, aproveitar esse mapeamento para problematizar a relação entre a psicologia e a política. Por um lado, de abordar-se-á certa vertente da psicologia, a institucionalista, associada e afetada pelo espírito iconoclasta e contestatório daqueles anos rebeldes Por outro, abordar-se-á outra tradição presente na história da psicologia, que se ocupou não em servir de intercessora ou potencializadora de transformações sociais, mas sim em garantir ou reforçar uma adaptação e/ou o ajustamento dos indivíduos à ordem social instituída, reproduzindo o establishment. De uma ponta a outra do ensaio, defende-se que, de 1968 a 2018, metaforicamente falando, passou-se de uma ambiência em que o ar disponível aos jovens era abundante e da melhor qualidade, para uma ambiência em que o ar foi se tornando cada vez mais rarefeito, comprometendo e inviabilizando seus movimentos insurgentes em nossa contemporaneidade.


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