Entre o Crepusculo e a aurora: uma arqueogenealogia da crise e dos ressurgimentos da clínica psicológica

Pablo Severiano Benevides, Valdir Barbosa Lima Neto

Resumo


Este trabalho objetiva uma análise sobre a constituição do espaço clínico psicológico nacional, sob os prelúdios de sua crise. Tomando os discursos que compõe um mosaico de narrativas sobre o surgimento da clínica psicológica no Brasil no começo dos anos 1960 e os enunciados de sua crise a partir do final dos anos 1970 até a atualidade, acompanhamos os crescentes ataques à constituição da clínica psicológica. Curiosamente, junto a tais discursos, percebemos o fortalecimento do “social” como espaço ampliado de práticas em psicologia, convergindo para novas formações discursivas que afirmam a necessidade da ampliação e transformação da psicologia contemporânea. Enunciado como um novo desafio para o psicólogo contemporâneo, o discurso sobre a crise da clínica psicológica parece se converter em um emaranhado de novos contornos para a ciência e para a profissão dos psicólogos brasileiros, sob o horizonte de debates epistemológicos, éticos, técnicos e metodológicos que, aos nossos ouvidos, sussurram e efetivam, paradoxalmente, com primorosa discrição, o fortalecimento do poder clínico, ampliado sob todos os horizontes de atuação psicológica.

Palavras-chave


Clínica psicológica; Crise; Arqueogenealogia

Texto completo:

PDF EPUB

Referências


Bock, A. M. B. (2015). Perspectivas para a formação em psicologia, Psicologia, Ensino & Formação. 6(2) pp. 114-122.

Brasil.(1962). Presidência da República. Lei nº 4119, de 27 de agosto de 1962. Dispõe sobre a formação em Psicologia e regulamenta a profissão de psicólogo. Boletim de Psicologia, 14(44), pp. 71-76.

Brito, D. A. S., Oliveira, I. S. C., Resende, J. W. R., & Freitas, L. M. (2015). A transdiciplinaridade na construção da prática psicológica e no campo da clínica. Húmus, 5(14) pp.75-87,

Coimbra, C. M. B. (1995). Guardiães da ordem: Uma viagem pelas práticas psi no Brasil do milagre. Rio de Janeiro, RJ: Oficina do Autor,.

Cruces. A. V. V. (2008). A pesquisa na formação de psicólogos brasileiros e suas políticas públicas. Boletim Academia Paulista de Psicologia. 28(2), pp. 240-255.

Dimenstein, M. (1998). O psicólogo nas Unidades Básicas de Saúde: desafios para a formação e atuação profissionais. Estudos Psicológicos, 3(1), pp. 53-81.

Dimenstein, M. (2000). A cultura profissional do psicólogo e o ideário individualista: implicações para a prática no campo da assistência pública à saúde. Estudos Psicológicos, 5(1)pp. 95-121.

Dutra, E. (2004). Considerações sobre as significações da psicologia clínica na contemporaneidade. Estudos de Psicologia, 9(2), pp.381-387.

Ferreira Neto, J. L. (2002). Uma genealogia do presente da formação do psicólogo brasileiro: contribuições foucaultianas, Belo Horizonte, MG, Psicologia em Revista, 8(12), pp. 115-116.

Dimenstein, M. (2010). Uma genealogia da formação do psicólogo brasileiro. Memorandum, 18, 130-142.

Gois, C. W. L. (2012). Psicologia clínico-comunitária. Fortaleza, CE: Banco do Nordeste.

Lo Bianco, A. C., Bastos, A. V. B., Nunes, M. L. T., & Silva, R. C. (1994). Concepções e atividades emergentes na psicologia clínica: implicações para a formação. In Conselho Federal de Psicologia (Org.), Psicólogo brasileiro: práticas emergentes e desafios para a formação (pp. 7-76). São Paulo: Casa do Psicólogo

Mejias, N. P. (1984). O Psicólogo, a Saúde Pública e o esforço preventivo. São Paulo, SP: Saúde Pública.

Moreira, A. C. G. (2009). Psicoterapia: por uma estratégia de integralidade. In: Conselho Federal de Psicologia, O ano da psicoterapia: textos geradores, pp. 75-87. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia.

Moreira, J. O., Romagnoli, R. C., & Neves, E. O. (2007). O surgimento da clínica psicológica: da prática à curativa aos dispositivos de promoção de saúde. Revista Psicologia, Ciência e Profissão 27(4) pp.608-621.

Murta, S. G., & Marinho, T. P. C. (2009). A Clínica Ampliada e as Políticas de Assistência Social: uma Experiência com Adolescentes no Programa de Atenção Integral à Família. Revista Eletrônica de Psicologia e Políticas Públicas, 1(1), pp. 85-72.

Oliveira, M. V. A ação clínica e os espaços institucionais das políticas públicas: desafios éticos e técnicos. In: Conselho Federal de Psicologia, O ano da psicoterapia: textos geradores, pp. 106-130. Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia.

Penna, A.G. (1980). A Formação de psicólogos no Brasil. Arquivos Brasileiros de Psicologia, 32(1), pp.545-548.

Pereira, F. M.; Pereira Neto. A. (2003). O psicólogo no Brasil: notas sobre seu processo de profissionalização. Revista Psicologia em Estudo, 8(2), pp.19-27.

Portela, A. M. (2008). A crise da psicologia clínica do mundo contemporâneo. Estudos de Psicologia, 25(1), pp.131-140.

Rechtman, R. (2015). O futuro da psicologia brasileira: uma questão de projeto político, Psicologia, Diversidade e Saúde, 4(1), pp. 69-77.

Rudá. C., Coutinho, D., & Almeida filho, D. C. N. (2015). Formação em psicologia no Brasil: o período do currículo mínimo (1962-2004), Memorandum, 29, p. 59-85.

Soares, A. R. (2010). A psicologia no Brasil. Psicologia, Ciência e Profissão, 30(esp.), 8-41.

Teixeira, R. T. (1997). Repensando a Psicologia, Paidéia, s/v, p.51- 62.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


 

      

        

CNENlogo_livre2.png      ResearchBib      

    

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.