A pele (lei) da escritura: Duras e o que perdura de perda pura

Arminda Silva de Serpa

Resumo


A relação entre lei e escritura é o tema central desse trabalho. Destacamos, como textos básicos, A Doença da Morte, de Duras e Televisão, de Lacan. A expressão lacaniana: "do que perdura de perda pura ao que só aposta do pai ao pior" serviu-nos como fundamento para pensar a "dura lex" da dissolução, que também poderia ser chamada de "perda pura" ou ainda o "toque do real". Duras escreve sobre a ausência, a vivência trágica do abandono; o lugar do erótico como fenda, intermitência; a festa da língua e o "jogo da mão quente", ou seja, sobre "babel feliz". Esta teia das confusões da língua, do entrelaçamento de línguas foi denominada por Barthes como texto do prazer e prazer do texto, isto é, a escritura como pura fruição. Esta é analisada aqui através do que Brandão denominou de narrativa-espelho, apreendida como metáfora do reflexo, refluxo e do corte, relacionada ao simbólico, imaginário e ao conceito de real. O literário, desta forma, é visto como território da miragem, da "língua secreta" do sexo e da castração; da "inversão nos lábios" e "ouvidos" ou "lituraterra", letra e lixo. Terra. Nesta outra versão do que está dentro, mas fora; do que está fora, mas dentro – Lacan aponta o nó da escritura de Duras como um belo envoltório. Nele, o centro está no perigo do olhar, da angústia. Nosso estudo, portanto, é uma leitura de Duras, atravessada por outra de Lacan sobre Duras, como uma técnica en Abyme. A prática da letra em Duras é reveladora, segundo Lacan, de uma escrita do inconsciente pois expõe a convergência entre a demanda da letra, do desejo e a angústia da lei da "perda pura". Do almar.

Palavras-chave


lei, escritura, Lacan, Duras.

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