Chamada para Dossiê: Escola e LGBTfobia: articulando possibilidades educativas para uma vida vivível

2021-02-19

Escola e LGBTfobia: articulando possibilidades educativas para uma vida vivível

Prazo de Envio:    20 de junho de 2021

 

 A instituição escolar emerge na modernidade possuindo como finalidade a produção dos sujeitos (FOUCAULT, 2014). As práticas pedagógicas e o currículo funcionam neste sentido, como aparatos de subjetivação, fabricando formas difusas de sujeição. A escola produz em seu cotidiano uma política de reconhecimento, certa visualidade normativa, estabelecendo através da naturalização de suas práticas uma inteligibilidade social que circunscreve universais, assim como fabrica formas de vidas precárias, não passíveis de luto e vítimas da violência (BUTLER, 2018).

Ao teorizar a escola vários campos do saber já tensionavam seu estatuto natural, as ciências sociais, por exemplo, já denunciavam a escola e seu poder institucional. Provocado pelos debates das ciências humanas, principalmente pelo surgimento da teoria queer, o campo da educação começa a tecer investigações abraçando as temáticas de gênero e sexualidade na educação entrevendo-as como uma política pós-identitária (LOURO, 1997), constituindo neste percurso, um rico repertório teórico problematizando questões importantes do nosso presente.

O campo de conhecimento da educação, além de possuir relações interativas com outros campos de saber como as ciências sociais, a filosofia, a antropologia, etc. Não se fixa a uma concepção unitária que a capture e a estabeleça como isso ou aquilo, mostrando-se desde seu surgimento e consolidação como um campo teórico que empreende problematizações sobre o fazer pedagógico, sempre aberto a variadas significações, através de permanentes articulações teórico-práticas sobre o pensar a pedagogia (SILVA, 2020).

O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT’s, sendo a escola um espaço privilegiado para a produção das violências. Percebendo igualmente a necessidade do trato dessas temáticas no cotidiano escolar, várias redes municipais e estaduais de ensino no Brasil com o passar dos anos, perpassadas pelo incentivo da formação continuada, buscaram construir práticas pedagógicas que visavam combater as desigualdades ainda muito acentuadas no nosso país, pautando uma educação em gênero e sexualidade nas suas políticas de ensino. Os efeitos dessas políticas de ensino muitas vezes não foram satisfatórios, tanto pela falta de interesse dos professores de se abrirem para estudar e trabalhar a temática, quanto pela própria ausência de formações continuadas que abraçam gênero e sexualidade na educação como objetos de formação. A LGBTfobia continua sendo uma realidade na sociedade e no ambiente escolar. Neste sentido, este dossiê busca acolher artigos cujas discussões se pautem na problematização da LGBTfobia e suas relações com a educação, analisando suas formas de produção, seus limites, assim como as possibilidades de resistência que despontam neste processo. Entrevendo práticas educativas que articulem outras maneiras de pensar uma vida vivível para corpos LGBT’s.

O Objetivo deste dossiê é reunir pesquisas que abracem a temática, bem como de textos que busquem uma interlocução entre as ciências sociais e a educação, abarcando as mais diversas perspectivas teórico-metodológicas, construindo a partir das relações entre esses campos do saber, importantes debates sobre gênero e sexualidade na educação. Objetivamos selecionar textos que estudem as práticas de LGBTfobia em suas variadas dimensões: nos processos educativos; nos espaços formais ou informais de ensino; no cotidiano da relação entre discentes e docentes; na elaboração e implementação de políticas educacionais; etc.

Para compor esse dossiê serão bem-vindos artigos cujas discussões teórico-metodológicas, partindo de uma perspectiva interdisciplinar, abordem a violência para com as pessoas LGBTs na educação e na sociedade, articulados aos seguintes eixos (exemplos):

 -Educação e sexualidade: pensando possibilidades pedagógicas de enfrentamento a LGBTfobia.

 -Políticas públicas e LGBTfobia;

-LGBTfobia, movimentos sociais e direitos humanos;

 -Educação, direitos humanos e população LGBT;

-Ciências sociais e teoria queer: relações possíveis;

-Formação de professores e LGBTfobia; -Gênero e sexualidade na educação;

-Violência e precariedade;

-Conservadorismo, educação e LGBTfobia.

Organizadores:

Robson Guedes da Silva

Doutorando em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UFPE). Mestre em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (PPGE-UFPE). Atualmente é Professor Substituto da Universidade Estadual do Maranhão (CESPI-UEMA). E-mail: robsonguedes00@hotmail.com. Orcid: https://orcid.org/0000-0003-0165-1430.

 Mitz Helena de Souza Santos

Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE-UFPE). Mestra em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (PPGE-UFPE). Professora Adjunta do Departamento de Fundamentos Sócio-Filosóficos da Educação da Universidade Federal de Pernambuco (DFSFE-UFPE). E-mail: mitzhelena@yahoo.com.br. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0686-3216.