Chamadas para Dossiês: Chamada: Dossiê Colonialidades do crer, do saber e do sentir: implicações epistemológicas nos estudos da religião

Cientistas Sociais têm evidenciado como os povos de origem europeia concebiam seus modelos de vida, sua religião e suas crenças como meios unívocos para chegar à verdade e ao domínio das coisas. E, ao fazê-lo, têm problematizado como a globalização em curso seria a culminação de um processo que começara com a constituição da América e do capitalismo colonial/moderno e eurocentrado como um novo padrão de poder mundial.

No campo dos estudos da religião, pesquisas recentes têm apresentado alguns sinais visíveis de uma fulgurante transformação epistemológica. No bojo desta mudança, os referenciais da modernidade ocidental não se conformam como suficientemente úteis para compreensão do fenômeno religioso em toda sua complexidade no sul-global. No contexto de estudos pós-coloniais, de(s)coloniais e estudos subalternos, múltiplos aspectos de pressão, apreensão e repreensão devem ser considerados especialmente no que tange às transformações epistêmicas e suas implicações nas formas de saber, poder e crer, uma vez que interferem nas percepções de instituições tradicionais como a Família e a Igreja.

Nesta direção, este dossiê pretende acolher artigos originais e relatos de pesquisas que dialoguem com esta perspectiva e problematizem a religião, religiosidade, crenças e devoções a partir deste novo lugar epistemológico. Assim, consideramos ser fundamental a utilização das contribuições decoloniais/pós-coloniais como instrumento para reforma do conhecimento ou como instrumento heurístico para melhor compreensão da questão religiosa na América Latina. Não apenas por problematizar a interpretação binária dominador/dominado, mas também porque leva em conta os efeitos políticos e filosóficos deixados pelo colonialismo.


Desse modo, terão lugar os trabalhos que reflitam criticamente a incidência pública das crenças/práticas religiosas, suas expressões políticas, literárias, artísticas, econômicas e sociais, enquanto espaços político-intelectual engendrados para que os povos subalternos falem por si mesmos.

Com este intuito, convidamos os interessados a submeter suas propostas até o dia 15 de dezembro de 2018.


Organizadores:

Anaxsuell Fernando da Silva (UNILA)

Carlos Eduardo Pinto Procópio (IFSP/CEBRAP)