O TRABALHO SEM UTOPIAS: NOVAS CONFIGURAÇÕES PRODUTIVAS E OS TRABALHADORES

  • Jacob Carlos Lima Universidade Federal da Paraíba
  • Maria Neyára Araújo de Oliveira Universidade Federal do Ceará

Resumo

Os autores analisam o cooperativismo como opção de geração de renda e autonomia de trabalho, tendo como referência empirica a política de organização de cooperativas de produção industrial do governo do Ceará nos anos 90. No contexto, o crescimento do número de cooperativas reflete movimentos distintos. De um lado, dentro da lógica de mercado, a utilização de cooperativas terceirizadas constituem-se em opção de rebaixamento de custos de produção para as empresas pela eliminação de custos com a gestão da força de trabalho. Para os trabalhadores pode significar a manutenção de empregos através da recuperação de empresas falidas ou criação de novos pela organização de cooperativas para atuar em determinados mercados. Para o Estado, ainda, termina por funcionar como política de desenvolvimento e geração de renda. Se desvinculadas de movimentos sociais específicos, pouco resta do ideário cooperativista nessas empresas. Auto-gestão, democracia no trabalho, propriedade coletiva, terminam por perder sentido frente à intensificação do trabalho e a precarização que acarreta. Constituídas, majoritariamente em setores de trabalho intensivo, utilizam trabalhadores desqualificados e sem grandes opções no mercado de trabalho. Inexiste o caráter voluntário nesse tipo de cooperativas, refletindo mais a falta de opção do que uma opção consciente ao trabalho coletivo.

Biografia do Autor

Jacob Carlos Lima, Universidade Federal da Paraíba

Doutor em Sociologia, professor do Departamento de Ciências Sociais,
da Universidade Federal da Paraíba.

Maria Neyára Araújo de Oliveira, Universidade Federal do Ceará

Doutora em Sociologia, professora do Departamento de Ciências Sociais,
da Universidade Federal do Ceará.

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Publicado
2018-10-29