Os ”segredos” socioculturais por detrás dos nomes da etnia bakongo

a língua e a cultura em debate

  • Manuel Paulo Bengui Universidade de Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira, Instituto de Humanidades e Letras https://orcid.org/0000-0003-2924-7421
  • Alexandre António Timbane Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira- Campus dos Malês Instituto de Humanidades e Letras Av. Juvenal Eugênio Queiroz, s/n – Centro, CEP: 43900-000 São Francisco do Conde – Bahia – Brasil http://orcid.org/0000-0002-2061-9391

Resumo

Há sociedades que o fenômeno linguístico ‘nome’ recebe um grande respeito. Isso acontece porque atribuição do nome é cultural e surge da necessidade socioantropológica do ser humano. Atribuímos nomes a seres animados e inanimados, visíveis e invisíveis à todo momento (TIMBANE & COELHO, 2018). A cultulinguística estuda as relações entre a cultura e linguística de um povo ou grupo étnico. A presente pesquisa visa analisar e discutir a atribuição do nome na cultura dos bakongo de Angola. É uma pesquisa bibliográfica que a partir da busca e coleta de informações dos pais, avós e anciões buscou-se compreender os significados que o nome carrega. Após análise concluiu-se que o nome carrega elementos da cultura para além de transmitir uma identidade sociocultural bakongo.

Palavras-chave: Nome; Cultura; kikongo; Bakongo; tradição.

Biografia do Autor

Manuel Paulo Bengui, Universidade de Integração Internacional da Lusofonia AfroBrasileira, Instituto de Humanidades e Letras

Bacharel em Humanidades, pesquisador na Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira- Campus dos Malês, Instituto de Humanidades e Letras, Campus dos Malês, BA

Alexandre António Timbane, Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira- Campus dos Malês Instituto de Humanidades e Letras Av. Juvenal Eugênio Queiroz, s/n – Centro, CEP: 43900-000 São Francisco do Conde – Bahia – Brasil

Pós-Doutor em Estudos Ortográficos pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho-UNESP (2015), Pós-Doutor em Linguística Forense pela Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC(2014), Doutor em Linguística e Língua Portuguesa (2013) pela UNESP, Mestre em Linguística e Literatura moçambicana (2009) pela Universidade Eduardo Mondlane – Moçambique (UEM). É Licenciado e Bacharel em Ensino de Francês como Língua Estrangeira (2005) pela Universidade Pedagógica-Moçambique (UP). É membro do Grupo de pesquisa África-Brasil: Produção de Conhecimento, Sociedade Civil, Desenvolvimento e Cidadania Global

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Publicado
2019-08-20
Seção
Dossiê: Novos sujeitos, novos direitos e cidadania: pluralismos e perspectivas do Sul