Sensorialidades antropofágicas na criação em dança: quando o processo subverte os modos de compor

Thaís Gonçalves

Resumo


Corpos estranhos, disformes, desfigurados, desarticulados. O que fazer quando uma lógica da sensação se impõe e subverte corpos, processos de criação em dança e estratégias coreográficas? Ao fazer emergir das sensações texturas de movimento descoladas de temáticas, ideias, técnicas e roteiros prévios, a coreógrafa Juliana Moraes teve seus procedimentos desafiados na elaboração da série coreográfica “Peças curtas para desesquecer” (Companhia Perdida), a partir de mobilizações do corpo por materiais inspirados nos objetos relacionais de Lygia Clark. Nos anos 1960, a artista plástica incorpora e absorve a obra no corpo e instaura um modo antropofágico de criação. Seriam sensorialidades antropofágicas? Um modo de criar permeado de princípios das cosmogonias indígenas, dos saberes do/no corpo, de uma performatividade? Neste caldeirão, fervem artistas, xamãs e pensadores, de Gilles Deleuze, José Gil, Steve Paxton, Hubert Godard e Antonin Artaud a Oswald de Andrade e Viveiros de Castro, entre outros.

Palavras-chave: Sensorialidades antropofágicas. Estados do corpo. Processos de criação. Objetos relacionais. Cosmogonia indígena. Performatividade.


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