Revista Em Perspectiva, Fortaleza, v. 11, e96659, p. 1-25, 2025.
ISSN 2448-0789.
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE:
interseccionalidade e desafios
RESUMO
Ser mulher negra em uma universidade instaurada em dois
municípios, Redenção/CE e Acarape/CE, ainda corresponde a
uma luta parte tanto do movimento negro, como do feminismo,
por isso, é importante reconhecer a interseccionalidade na
encruzilhada das identidades no afeto à permanência do ensino
superior. Por isso, este trabalho tem como problematização a
abordagem da permanência e os desafios enfrentados por
mulheres negras estudantes na Universidade da Integração
Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab/CE),
considerando a complexidade de suas identidades a partir da
interseccionalidade. Logo, tem como objetivo discutir a
interseccionalidade das mulheres negras estudantes da Unilab,
analisando os desafios enfrentados nos ambientes acadêmicos e
no contexto geográfico da Unilab/CE e explorando a influência
da diáspora africana na identidade e trajetória acadêmica.
Metodologicamente, tem como pesquisa qualitativa, abordando
a questão tanto do ponto de vista teórico quanto prático,
utilizando notas de campo (2024-2025). O trabalho faz parte de
uma pesquisa maior, logo, como resultados parciais, a percepção
e reação das cidades de Acarape e Redenção à comunidade negra,
afetam as mulheres negras estudantes, com destaque para as
estudantes internacionais africanas. Assim como, a cooperação
entre o continente africano e a Unilab afeta as identidades das
mulheres negras unilabianas.
Palavras-chave: Mulher negra. Interseccionalidade.
Unilab.
Being a black female student at Unilab/CE:
intersectionality and challenges
ABSTRACT
Being a black woman at a university located in two
municipalities, Redenção/CE and Acarape/CE, still
corresponds to a struggle that is part of both the black
movement as well as feminism. Therefore, it is important to
recognize intersectionality at the crossroads of identities in
affection for permanence in higher education. For this reason,
this work seeks to problematize the approach of permanence
and the challenges faced by black female students at
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-
Brasileira (Unilab/CE), considering the complexity of their
identities based on intersectionality. Therefore, it aims to
discuss the intersectionality of black female students at Unilab,
analyzing the challenges faced in academic environments and
in the geographical context of Unilab/CE and exploring the
Ana Raquel Silva Reginaldo
Universidade da Integração Internacional
da Lusofonia Afro-brasileira, Ciências
Humanas/Instituto de Humanidades,
Acarape, CE, Brasil
anaraquel@aluno.unilab.edu.br
https://orcid.org/0000-0003-2083-1656
periodicos.ufc.br/emperspectiva
revistaemperspectiva@gmail.com
@emperspectiva
ARTIGO ORIGINAL
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, v. 11, e96659, p. 1-25, 2025.
ISSN 2448-0789.
influence of the African diaspora on identity and academic
trajectory. Methodologically, it has as qualitative research,
addressing the issue from both a theoretical and practical point
of view, using field notes (2024-2025). The work is part of a
larger research project, so as partial results, the perception and
reaction of the cities of Acarape and Redenção to the black
community affect black female students, with an emphasis on
African international students. Likewise, cooperation between
the African continent and Unilab affects the identities of black
Unilab's women.
Keywords: Black woman. Intersectionality. Unilab.
periodicos.ufc.br/emperspectiva
revistaemperspectiva@gmail.com
@emperspectiva
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ana Raquel Silva Reginaldo
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1 INTRODUÇÃO
Sobre ser mulher negra estudante da Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira, campus Ceará, é ter esse sentimento: “as pessoas te veem como um
vazio, como alguém que não tem nada, ser mulher preta africana é desafiador, porque você tem
que se esforçar muito, tem que comprovar, mesmo que você sabe” (Okinka Pampa [entrevista
concedida a] Ana Reginaldo, 2024, p. 172). Ou seja, os nossos corpos tornam-se parte dos
debates político e identitário, porque rotineiramente as violências atravessam nosso corpo de
forma interseccional, desde o gênero, raça, nacionalidade e etnia.
O trabalho tem como problematização a abordagem da permanência e os desafios
enfrentados por mulheres negras estudantes na Unilab/CE, considerando a complexidade de
suas identidades. Isso inclui fatores como gênero, raça, etnia, classe, nacionalidade e orientação
sexual, que se cruzam e criam experiências únicas e obstáculos específicos dentro do ambiente
universitário e no contexto geográfico da universidade. Por isso, tem como principal objetivo
discutir a interseccionalidade das mulheres negras estudantes da Unilab, analisando os desafios
enfrentados nos ambientes acadêmicos e no seu contexto territorial.
Esta pesquisa faz parte da minha dissertação de mestrado, no programa de pós-
graduação interdisciplinar em humanidades, cujo, faço parte da linha de pesquisa “Trabalho,
Desenvolvimento e Migrações” com orientação da Professora Doutora Natalia Cabanillas,
portanto, a metodologia utilizada vai de acordo com a pesquisa maior. Ou seja, o trabalho
realiza a pesquisa qualitativa, abordando a questão tanto do ponto de vista teórico quanto
prático, utilizando notas de campo (2024-2025) e dados para analisar como as múltiplas
identidades das estudantes negras impactam em suas trajetórias acadêmicas na Unilab, campus
Ceará. Importante destacar que a pesquisa é realizada com mulheres do meu ciclo afro-afetivo,
e que decidiram colocar nomes de rainhas negras como identificação. Também, me ponho neste
lugar de pesquisadora participante, no uso da escrevivência (Evaristo, 2011) ser parte de uma
epistemologia.
Logo, o estudo se passa na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-
Brasileira, campus Ceará, cujo, tem como a cooperação com a Comunidade dos Países da
Língua Portuguesa (CPLP): Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e
Príncipe e Timor-Leste. Também, aliado com a luta do Movimento Negro Unificado (MNU),
pelo fim do racismo e o fortalecimento da população negra no ensino superior.
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Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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Nesse sentido, a pesquisa tem como molde análises interseccionais, um dos métodos e
mecanismo essenciais para a luta do feminismo negro, principalmente para a permanência de
mulheres negras no campo universitário/acadêmico, pois, “está em toda parte e é poliglota: fala
tanto a língua do ativismo e da organização comunitária quanto a da academia e das
instituições” (Patrícia Hill Collins; Sirma Bilge, 2021, p. 11).
Importante perceber que a construção social do ser mulher negra é a construção baseada
nos moldes das regras simbólicas de cada sociedade, ou seja, por estarmos inseridas em dois
municípios do interior do Ceará, um estado do Nordeste. Vale destacar que Redenção e Acarape
foram moldadas com raízes indígenas, africanas e europeias, assim, unindo-as com a cultura
nordestina e cearense, também impactado os corpos de mulheres negras cearenses, que a
história seja brasileira ou cearense foi atravessada por violências escravagistas resultando
em racismo, sexismo, misoginia, machismo, entre outras violências que nos atravessam.
Sendo assim, como estudante universitária, mulher, negra, periférica vinda da cidade de
Fortaleza (capital do Ceará), o que percebe-se no cotidiano das duas cidades é que somos
tratadas pelas/pelos naturais de Redenção/CE e Acarape/CE, como outsiders não
brasileiras não-residentes da cidade, mas, principalmente estudantes internacionais . Logo, a
intenção desta pesquisa é ecoar nossas vozes, conforme Audre Lorde: “como outsiders,
precisamos umas das outras, precisamos nos amparar e estabelecer conexões para satisfazer
todas as necessidades que temos por vivermos à margem. No entanto, para nos unirmos,
devemos reconhecer uma às outras” (2023, p. 88).
O artigo trabalhará sobre o que é ser mulher negra estudante da Unilab, no Ceará,
levando em consideração a interseccionalidade, desde a questão de gênero, raça, etnia, classe,
nacionalidade, orientação sexual… entre outras múltiplas intersecções de identidades e
colocando em discussão os principais desafios em permanecer neste espaço universitário. Por
isso, o trabalho está dividido em quatro partes, sendo a primeira uma escrevivência e
autoetnografia colocando-me dentro da ciência como parte de um corpo político. No segundo
tópico aborda sobre “A interseccionalidade das mulheres negras unilabianas”, discutindo desde
a questão teórica, notas de campos, entrevistas e dados para discutir interseccionalmente como
a identidade das estudantes impactam na sua trajetória acadêmica. No terceiro tópico “Desafios
nos ambientes acadêmicos e no contexto geográfico da Unilab/CE”, aborda sobre os desafios
dentro do ambiente acadêmico, assim como, a influência nos corpos das estudantes negras
estarem inseridas nos dois municípios, Acarape e Redenção, e como suas/seus residentes
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Ana Raquel Silva Reginaldo
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naturais percebem e reagem a comunidade negra; tornando-se um desafio para as mulheres
negras, principalmente para as internacionais africanas. E finalizando com uma “quase”
conclusão, já que a pesquisa ainda está em andamento.
2 EU E A UNILAB: UMA ESCREVIVÊNCIA
No ano de 2018 conheci a Unilab a partir de uma palestra na minha escola de ensino
médio, consistia em um conteúdo relacionado a questão racial e a apresentação da universidade
em si. Desde ali me surgiu o sentimento de encanto e desejo de ingressar naquela instituição. A
partir daí, iniciei minhas pesquisas e desdobramentos de metas para realizar o Enem e assim
iniciar minha jornada acadêmica e profissional, mas, infelizmente nesse ano não consegui a
nota suficiente e fiquei mais um ano me preparando para realizar novamente a prova no ano
seguinte, em 2019.
Foi assim, que em 2020, iniciei no curso de Bacharelado Interdisciplinar em
Humanidades (BHU), eram tantas expectativas e sonhos a serem cumpridos, mas, ao mesmo
tempo a ansiedade e o medo me atravessaram desde o meu primeiro dia de aula, quando a
professora realizou diversas perguntas a turma e eu não sabia como responder, e todo mundo
da turma com um nível avançado de repertório acadêmico e social. Me sentia perdida por
entender que não fazia parte daquela realidade e que não me sentia pertencente a um grupo de
intelectuais que atinge de forma lenta e com desafios aos corpos periféricos, femininos e negros.
Todo o meu percurso escolar foi constituído por referências de homens, brancos e não-
brasileiros (coloquei tudo no masculino, para fazer uma denúncia de como o sistema
educacional brasileiro se baseia em padrões masculinos e brancos). Então, a expectativa de
ingressar em uma universidade de maioria negra, com objetivos de trazer uma reparação
histórica, a partir de uma luta firmada do MNU, que há uma trajetória de existência, resistência
e de luta que elaborou diversas estratégias para garantir a inserção da população negra às escolas
(Jacqueline da Silva Costa, 2019).
Porém, mesmo que a construção idealizada da Unilab seja posta em um discurso de
propaganda de “Wakanda” acadêmica, infelizmente ela não está isenta dos percalços dos
racismos, violências (Ana Reginaldo, 2025). E por isso, os desafios para permanecer e
conseguir me formar marcaram minha trajetória. Por exemplo, no início da minha graduação
eu residia em uma cidade próxima a Unilab, justamente por não ter condições financeiras para
alugar uma casa ou até mesmo me deslocar da minha cidade natal, Fortaleza-CE, para
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Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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Acarape/Redenção. Morava “de favor” e trabalhava de babá em troca de um salário baixíssimo
(se é que posso chamar de salário), me deslocava a partir do ônibus oferecido pela prefeitura da
cidade. No segundo dia de aula, fui enxurrada de informações que teria que toda aula realizar
xerox dos textos das aulas e se eu não realizasse as leituras teria notas baixas; não sabia o que
fazer, porque mal tinha dinheiro para me alimentar, muito menos para realizar diversas
impressões (mesmo custando 10 centavos na época). Depois da aula, fui para trás dos Palmares
(umas das unidades acadêmica localizada no município de Acarape) e chorei muito, a tristeza
dominou meu corpo e só conseguia pensar “como é que eu vou conseguir?”.
Se eu achava que não tinha como piorar, uma semana depois dos inícios das aulas, no
período de março, a pandemia foi instaurada no país e minhas aulas foram canceladas
determinando paralisação por tempo indeterminado. Os meses foram passando e a dúvida se
iríamos continuar ou não estudando fazia parte do meu cotidiano; nesse meio tempo, voltei
a morar na capital, minha cidade, e decidi começar a trabalhar para conseguir me sustentar e foi
aí que as aulas voltaram de forma remota e tinha que conciliar trabalho e faculdade.
Foram 2 anos conciliando trabalho, aulas, atividades, estudos e posso afirmar que
mesmo sendo remoto me sentia sobrecarregada o tempo todo, os sentimentos de desistir e largar
a faculdade estavam comigo todos os dias. E novamente me via não pertencente a esse mundo
acadêmico e de produções, todavia, no final do ano de 2021 a gestão da universidade
determinou que tínhamos que retornar de forma presencial no mês de abril em 2022.
Eu tinha um sentimento de não pertencimento ao padrão academicista, mesmo eu
fazendo parte do centro acadêmico do BHU naquela época e também fazia parte do colegiado
do curso. A minha luta ativista não conseguia sumir mesmo ao meio caos da vida trabalhista e
acadêmica, porque o meu anseio para o mundo melhor e lutar para causas sociais está abraçada
ao que escreve Audre Lorde (2023, p. 166): “não sou livre enquanto qualquer outra mulher for
prisioneira, ainda que as amarras dela sejam diferentes das minhas. E não sou livre enquanto
uma pessoa de cor permanecer acorrentada. Nem é livre nenhuma de vocês”.
Em 2022 saí do emprego e comecei a residir na cidade de Acarape, então, desde lá vivo
inúmeras histórias que se eu for narrar e detalhar neste trabalho daria uma trilogia. Porém, nessa
escrevivência de memórias da minha trajetória unilabiana vou destacar pontos de acordo com
os próprios tópicos da minha pesquisa: “ser mulher negra estudante na unilab/ce:
interseccionalidade e desafios”; “trajetórias de vida e formação acadêmica das mulheres negras
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Ana Raquel Silva Reginaldo
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unilabianas”; o afroafeto como política de permanência acadêmica: redes de apoio e
pertencimento”.
Quando as aulas retornaram de forma presencial fui convidada a participar do projeto
de pesquisa “Gênero e Feminismo em África Global”, da qual, marcou minha trajetória pessoal,
acadêmica e profissional. Um grupo com cinco nacionalidades e mulheres poderosas que
carregam uma trajetória incrível e todas me atravessam afroafetivamente, pois, nossa
convivência contribuiu para formar a mulher que sou hoje. Afirmo que a troca de experiências,
ciência, fofocas, risos, choros etc fez parte de uma estrutura de um espaço seguro”, porque
foram vivências emblemáticas, nossos encontros não tinham rivalidade ou competição para
quem produzia mais ou não, era baseado na escuta, acolhimento, afroafeto, partilha e o
comprometimento na disponibilidade de contribuir com a pesquisa individual de cada
participante, como, no projeto como todo.
Me formei no BHU e em Sociologia, e em 5 anos de duas graduações, especificamente
na Sociologia não me senti permanecendo a esse enquadramento sociológico de referenciais
brancos e de homens cis e héteros; e com o quadro de docentes de maioria masculina
1
. Inúmeras
vezes era desafiada por colegas (homens) do curso de que vo não é uma socióloga”, uma
socióloga falando alto assim?”, ah, você até parece com uma, mas, fala demais e nós
sociólogos precisamos nos comportar”. Devido a esses comentários me questionava se aquele
espaço epistêmico era de fato para mim, pois, se para minha favela eu falava universitária
demais”, na unilab era a que não sabia falar academicamente, porque usava gírias demais”.
No entanto, não tenho arrependimentos, sinto que consegui fazer minha trajetória marcando e
contribuindo com os dois cursos, principalmente com a Sociologia, quando em todas as aulas
questionava, criticava e me posicionava, até quando certos docentes insistem até hoje utilizar
apenas referenciais de homens, brancos, cis e europeus.
Na minha vivência dentro do curso de Licenciatura em Sociologia, fiz uma disciplina
de Pensamento Social Brasileiro, no início com a apresentação do plano de ensino o
docente perguntou à turma o que tínhamos achado dos autores [coloco no masculino,
pois só há uma autora mulher e a única é branca]; queria questionar o fato de não ter
nenhuma mulher negra, mas questionei apenas a falta do autor Abdias Nascimento
(1914-2011), cujo é uma das maiores referências para entender sociologicamente a
formação do Brasil, e a resposta foi: “não quis trazer o Abdias, porque quero deixar
esse debate para outra disciplina, a Sociologia Étnico-Racial, que ele debate sobre
a questão racial [...] a população negra é posta apenas para debates específicos
raciais, as mulheres também são postas apenas para debater sobre gênero. Nesse caso,
1
De acordo com os dados disponibilizados no site Unilab em Números (Unilab, 2025), não há a especificação de
quantos docentes por curso, porém, conseguimos visualizar que 40% do IH são de mulheres, sendo 60% de
homens.
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enquanto a branquitude é sempre colocada como dono de saber generalizado e
universal (Ana Silva, 2025, notas de campo).
Para nós que somos mulheres negras, pobres, periféricas e LGBTs (principalmente
feminista e de movimentos sociais) o tempo todo nos é questionado nossa inteligência e estando
no ensino superior parecia que eu estava em constante guerra comigo mesma, perdi peso, fiquei
doente, me submeti a tantas situações desagradáveis que cheguei ao ponto de cogitar em trancar
o curso e o mestrado. Até escutei de uma pessoa próxima que eu sou “bonita, inteligente,
produtiva, organizada, mas, os seus maiores defeitos são de ser maluca, falar demais, feminista
e problematizadora”. Ou seja, tudo bem ser inteligente e bonitinha, mas, agora falar demais, ter
uma opinião própria e o poder de se opor a determinadas violências, é demais. Logo,
conforme Gloria Anzaldúa escreve: “talvez se formos à universidade. Talvez se nos tornarmos
mulheres-homens ou tão classe média quanto pudermos. Talvez se deixarmos de amar as
mulheres sejamos dignas de ter alguma coisa para dizer que valha a pena” (2000, p. 230).
Costumo dizer que estudar na Unilab e tomar a decisão de residir em uma das cidades
que esteja instalada, é perceber que cada momento é vivenciado com mais intensidade, drama
e afeto (digo afeto, porque pode nos afetar tanto positivamente, como negativamente).
Vivenciei a paralisação devido a pandemia, greve e inúmeras tentativas de paralisações devido
aos cortes orçamentários, apesar dos pesares, os pilares desta universidade são segurados por
nós que tomamos a decisão de sermos compromissadas com a luta antirracista, feminista,
decolonial e progressista. Aqui reverencio mulheres e homens de luta que ajudaram e ajudam
até hoje a manter esse projeto vivo, em especial às professoras do IH.
E dentro desse projeto, conheci o edital do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades
(MIH), e resolvi tentar o edital para ingressar. Confesso que nunca cogitei e me vi sendo hoje
uma mestranda…quase mestra, para falar a verdade, quando comentei pela primeira vez com
uns amigos do meu bairro em Fortaleza sobre isso eles não sabiam nem o que significava, mas,
se eu conseguisse era porque merecia.
Me assustei com um processo desgastante, com diversas etapas em um período de tempo
longo, que demandava paciência e cautela para não ser eliminada pela falta de apenas um
documento
2
. Quando finalmente tive a certeza de que seria a mais nova ingressante da pós-
graduação, veio à tona um documento assinado pela reitoria da universidade mudando os
2
Para quem vivenciou por 5 anos o processo de auxílio estudantil da Unilab sabe o quanto é doloroso ver
amigas/amigos serem cortadas/os ou não contempladas/os pelo simples esquecimento de um documento.
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critérios de matrículas, fazendo com que estivesse com uma matrícula em alguma graduação
não poderia se matricular na Pós-graduação, ou seja, quem mais seria atingido com essa decisão
eram estudantes das terminalidades do IH (Antropologia, História, Pedagogia e Sociologia) e
durante esse período eu ainda estava na Sociologia.
Porém, depois de muitas conversas e apelos à coordenação, pró-reitorias e professores
preocupados com a nossa situação (éramos 3 estudantes ainda na terminalidade ao ingressar no
mestrado). Conscientemente já tinha ciência da luta que iria enfrentar no programa e nas suas
disciplinas, mas, não tinha noção que iria enfrentar intrigas, assédio e humilhações por parte
dos docentes (homens).
Bárbara Carine (2025) em seu livro E eu, não sou intelectual? contribui de forma
positiva e afetivamente na minha trajetória acadêmica e pessoal
3
, principalmente quando
escreve e questiona como cogitar um reconhecimento vindo de uma instituição acadêmica, que
não reconhece nossa existência como humana justa (Bárbara Carine, 2025). Tendo em vista
esse pensamento, recordo-me de duas situações constrangedoras que de forma interseccional
me atingiram: a primeira foi em uma apresentação de seminário, onde cada estudante teria que
apresentar uma análise do texto e trazer apontamentos que ligasse ao debate racial, ao todo
momento o docente me interrompeu, perdi a linha de raciocínio eo consegui concluir minha
apresentação, depois disso, um outro colega (branco e homem) fez sua apresentação com a
mesma linha de raciocínio e não teve sequer interrupções e ainda foi aplaudido pelo tal
professor; a segunda situação, coincidentemente com o mesmo docente, foi em uma outra
apresentação de seminário, o objetivo do trabalho era apresentar as obras literárias debatidas
durante a disciplina trazendo uma problemática que poderia ou não fazer ligação com a pesquisa
pessoal. Antes de iniciarmos a aula, ele me perguntou o que iria apresentar e expliquei de forma
resumida, naquele momento, ele questionou sobre meu trabalho e disse: “[...] esse trabalho não
faz nenhum sentido e nem faz diálogo com o pensamento filosófico”, decidi não responder e
apenas apresentar, porque, minha vontade era de se retirar da sala e regressar à minha
residência, porém, apresentei e depois disso me pediu desculpa pelo equívoco e parabenizou
pelo trabalho incrível.
3
Reconheço também Bell Hooks (1995) e Gloria Anzaldúa (2000) no reconhecimento e percepção da
intelectualidade, porém, no sentido de referência coloco Bárbara Carine (2025) por ser brasileira, negra, nordestina
e intelectuplural, ou seja, que rompe os modelos de intelectualidade brancocêntrica que de forma negativa
cientista que dançam, cantam, transam, bebem, choram, vivem sem as amarras do cis-patriarcado; [...] essa
dicotomia ocidental se torna um marcador existencial não em pesquisas como também, sobretudo, em nossas
vidas” (Bárbara Carine, 2025, p. 35).
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Não posso afirmar, por ora, que todas as trajetórias são atravessadas por violências ou
momentos traumáticos, porém, o que me salvou foi o afeto. Não quero romantizar e muito
menos trazer um movimento de “positividade tóxica”, porque, tudo o que eu passei durante
esses 5 anos na Unilab caberia em um livro autobiográfico, no entanto, quero destacar o
reconhecimento do amor das minhas redes afroafetivas. Visto que, o objetivo deste trabalho é
reconhecer essas redes para a continuidade do nosso pertencimento na vida acadêmica, para a
construção da nossa vida profissional (ou não).
Concisamente, identifico professoras negras (ou brancas aliadas) que atravessam a nós,
estudantes negras unilabianas, principalmente, o reconhecimento do projeto Unilab, porque,
seus pilares africanos, indígena, quilombola, decolonial… trazem aprendizados e transformam
pessoas que se permitem viver e respeitar uma educação livre das amarras do patriarcado,
racista e brancocêntrico. Metaforicamente falando, apesar de haver diversos espinhos, ainda
tomamos atitudes radicais de sangrarmos para (re) existir na Unilab, até mesmo no pequeno ato
na escrita de um trabalho acadêmico com referências negras e de mulheres, logo, deixo minha
marca sendo uma cientista rebelde.
3 A INTERSECCIONALIDADE DAS MULHERES NEGRAS UNILABIANAS
Pensando em uma das agendas desse movimento de gênero e raça, a permanência em
universidades surge como um ponto importante para análise, especificamente a Unilab em
questão. De acordo com os dados fornecidos pela universidade, o quantitativo de matrículas de
mulheres negras (pretas e pardas) no período de 2020 à 2025, chega a 33,92% nos cursos de
Graduação, na Pós-Graduação é de 54,52% (Unilab, 2025). Ou seja, é um número bastante
relevante e visa mostrar a importância e a relevância da agenda da Unilab e o seu papel, além
da formação, conforme a Tabela 1.
Tabela 1 Porcentagem de matrículas nos cursos de graduação de estudantes por
nacionalidade nos cursos de graduação na Unilab
Nacionalidade (autodeclaratória)
Graduação
Angola
498 (6,27%)
Brasil
6.357 (80,08%)
Cabo Verde
2 (0,03%)
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Guiné-Bissau
572 (7,21%)
Moçambique
498 (6,27%)
São Tomé e Príncipe
12 (0,15%)
Fonte: elaborada pela autora com base nos dados do “Relatório SECRAGI - Quantitativos de discentes
matriculados 2020 à 2025”.
Entende-se a importância e a relevância de dados quantitativos para ter precisão no
argumento acadêmico e científico, porém, pode-se perceber que nos dados disponibilizados da
Unilab um número desproporcional de estudantes internacionais autodeclaradas/os
brancas/os. No entanto, na prática não se e nem percebemos o número de pessoas brancas,
assim como, o vemos muitas pessoas negras brasileiras (a maioria das pessoas negras
brasileiras estão matriculadas nos Instituto de Humanidades e Letras). Ou seja, percebemos uma
maior disponibilidade para a diversidade intercultural e de integração também em ambos
institutos
4
.
Para isso, caminhando pelos corredores da Unidade Acadêmica dos Palmares, me
deparo com um cartaz como seguinte texto: “Machismo, uma sociedade sem machismo é
preciso: educação e diálogo; engajamento político; promover o debate público; apoio a
organizações e movimentos” A partir disto, em todos os meus dias e anos na Unilab, nunca
escutei, observei ou soube de um coletivo ou um próprio movimento feminista negra, no sentido
de acolher e servir como uma comunidade institucional de apoio a todas as dificuldades e
desafios. No próprio campo administrativo não uma secretaria ou um setor específico que
lide com os corpos femininos negros, trazendo um sentimento de que o campo universitário só
está disponível para conseguir um diploma, mas nunca pensando nos corpos que a compões,
tornando uma comunidade enfraquecida, por isso, a necessidade de uma perspectiva
interseccional no campo acadêmico.
Porém, devo ter um compromisso em reconhecer que projetos de extensão e pesquisa
vinculados à universidade que tem em seus objetivos a colaboração da permanência de
mulheres negras, em exemplo, o grupo de extensão Lélia Gonzalez, presente! e o projeto de
pesquisa Gênero e Feminismo em África Global. Em especial o projeto de pesquisa, em que
faço parte até hoje, devo-me meus sinceros agradecimentos pelo aprendizado baseado no
4
Não estou afirmando que não haja nos outros institutos uma integração de fato, mas, é perceptível no cotidiano
acadêmico essa predisposição por parte tanto dos discentes quanto dos docentes, na criação e manutenção de um
ambiente de troca de saberes entre nacionalidades, maternidade, território, gênero, sexualidade, religião, etnia,
idade e principalmente, a raça.
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afroafeto e no bem viver das mulheres. Na ocasião, o grupo é composto por mulheres de Angola,
Argentina, Brasil, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Moçambique, a troca de saberes e de
trajetórias enriquece e colabora com a nossa permanência e conseguimos perceber e entender
que os desafios em ser mulher negra podem ser enfrentados quando nos empoderamos,
conforme os ensinamentos de Patrícia Hill Collins (2019) e colocamos no nosso principal
objetivo a união feminina. Tanto no projeto de pesquisa, quanto em outros ambientes interno e
externo à Unilab, percebemos a interseccionalidade.
A interseccionalidade é um conceito que busca entender como as diferentes formas de
opressão se interligam, levando em consideração as diversas identidades que se entrelaçam,
como uma encruzilhada e cruzamento. Para Kimberlé Crenshaw (2002), autora que cunhou o
termo no seu estudo sobre a discussão de justiça social, as pessoas principalmente as mulheres
negras não vivenciam as opressões de forma isolada e sim com uma combinação de raça,
gênero, classe, sexualidade, espaço geográfico, etc. Conforme Patrícia Hill Collins e Sirma
Bilge (2020), significa trazer vários sentidos interseccionais para estudar sobre fenômenos
sociais, assim desafiando e transformando as relações de poder que estão vigentes naquele
contexto.
O conceito de interseccionalidade, proposta por uma intelectual negra (Kimberlé
Crenshaw, 2002), segundo Carla Akotirene (2023), a interseccionalidade é uma sofisticada
metodologia proposta por uma intelectual negra. Portanto, o conceito atualmente é estudado e
pesquisado por diversas áreas e intelectuais, hoje pode-se afirmar que é um dos mais
importantes métodos que envolve uma práxis feminista negra.
A interseccionalidade é uma conceituação do problema que busca capturar as
consequências estruturais e dinâmicas da interação entre dois ou mais eixos da
subordinação. Ela trata especificamente da forma pela qual o racismo, o
patriarcalismo, a opressão de classe e outros sistemas discriminatórios criam
desigualdades básicas que estruturam as posições relativas de mulheres, raças, etnias,
classes e outras. Além disso, a interseccionalidade trata da forma como ações e
políticas específicas geram opressões que fluem ao longo de tais eixos, constituindo
aspectos dinâmicos ou ativos do desempoderamento (Kimberlé Crenshaw, p. 177,
2002).
Patrícia Hill Collins e Silma Birge escrevem que a interseccionalidade está presente em
todas as realidades culturais, sendo assim, escreve que: “a interseccionalidade está em toda
parte e é poliglota: fala tanto a língua do ativismo e da organização comunitária quanto a da
academia e das instituições” (Collins; Birge, 2021, p. 11). O uso como uma ferramenta para a
reivindicação de combate às violências, desigualdades e diversas questões sociais,
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
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reivindicando como um projeto político e intelectual, segundo Carla Akotirene (2023, p. 19):
“visa dar instrumentalidade teórico-metodológica à inseparabilidade estrutural do racismo,
capitalismo e cisheteropatriarcado produtores de avenidas identitárias em que mulheres
negras são repetidas vezes atingidas”.
A importância de movimentos e coletivos estarem preparados para os corpos das
mulheres negras, colabora tanto com a permanência, como na lógica do bem-estar coletivo, uma
das interlocutoras relatou sobre as expectativas de encontrar um coletivo/grupo que a acolhesse
enquanto mulher negra quilombola.
Eu imaginei que quando chegasse na universidade seria uma organização maior e essa
questão de, até mesmo o afeto, sabe? Uma ligação familiar assim, que quando eu
entrei na universidade eu vi que a realidade era muito diferente, cada um tinha suas
coisas pra fazer e tinha-se aquela obrigação que a gente tinha de cumprir com as
agendas do movimento, independentemente do estado de saúde mental que você
tivesse
5
(Marielle Franco, 2 fev. 2024).
Não cabe aqui julgarmos ou “crucificarmos” os movimentos e coletivos da Unilab em
si, mas, retorno a urgência política de olharmos para esses grupos com mais cautela e
entendemos quem está por trás da liderança. Na ocasião, o grupo em que a interlocutora citou,
é majoritário negro e de mulheres que muitas das vezes não têm orçamento, é sucateado
institucionalmente, recorrem a apoio de “boca em boca” e correm riscos de sofrerem
perseguições políticas dentro da instituição. Quando não temos uma sala para realizarmos
reuniões, ou não se tem orçamento para elaboração de eventos, apoio acadêmico e coletivo, não
teremos força para continuar e ajudar os nossos. E o resultado é a individualização de tarefas e
isolamento por parte das estudantes negras que querem começar no ativismo e não se
reconhecem dentro do coletivo; não se sentem inspiradas em continuar com a luta, porque as
ativistas mais velhas já estão cansadas.
Um fator “cansativo” também que emerge entre os desafios do ser estudante negra, é o
fato de ser mãe, parecerá repetitivo trazer essa pauta, mas, muitas mães recorrem a
cuidadoras/babás, grupos de amigas e amigos, ou quando não conseguem precisam levar suas
crianças para sala de aula e cumprir seus deveres acadêmicos. Atualmente, existe um coletivo
de mães na Unilab, onde lutam pela sua permanência e políticas afirmativas, desde a melhoria
5
Essa entrevista foi realizada no período em que era bolsista de iniciação científica em provação ao Comitê de
Ética, o período é poucos meses anterior ao meu ingresso no mestrado, porém, nesse período a pesquisa era voltada
específicamente aos desafios na permanência de mulheres negras estudantes da Unilab, nisso, dei continuidade ao
estudo dentro do programa de pós-graduação. Logo, inúmeros dados coletados que não foram utilizados e é
interessante trazê-los, já que o debate é persistente dentro do corpus acadêmico e científico.
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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de auxílio e manutenção de espaços para crianças, como a brinquedoteca
6
e escolas creches no
período noturno.
Urge questionar como é ser mulher, ou melhor, como é ser mulher negra estudante em
uma universidade pública; não encontrando um padrão na categoria, mas uma prática comum
que une. A pauta sobre gênero e raça interseccionam, ou melhor, uma intraseccionalidade
(Raquel Lima, 2022), não uma soma nas lutas cotidianas e sim uma construção mútua e coletiva.
Para Grada Kilomba (2019, p. 94), “raça e gênero são inseparáveis. Raça não pode ser separada
do gênero nem o gênero pode ser separado da raça”. É por isso que não há uma soma de dores
ou lutas, e a autora também confirma que “formas de opressão não operam em singularidade;
elas se entrecruzam” (Grada Kilomba, 2019, p. 98). Neste trabalho, o uso da
interseccionalidade como método de análise, conforme Patrícia Hill Collins e Sirma Bilge
(2021), considera-a como uma ferramenta crítica para desenvolver estratégias em prol da
equidade nas universidades, assim como para responder os desafios dentro dos movimentos de
gênero, raça e classe. Discussão que será tratada no próximo tópico.
4 DESAFIOS NOS AMBIENTES ACADÊMICOS E NO CONTEXTO GEOGRÁFICO
DA UNILAB/CE
4.1 Nos ambientes acadêmicos
Durante meu percurso acadêmico, iniciei o estágio docente à convite da professora
orientadora na disciplina de Sociedade, diferença e direitos humanos (SDDH)
7
disciplina do
primeiro semestre e do núcleo comum da Unilab . Durante o início do conteúdo da primeira
aula houve uma maior participação de internacionais e homens, ou seja, a sensação que me
atravessava é de haver receio e medo por parte das estudantes mulheres da turma, seja para
intervir com comentários da temática política, como das vivências em seus países de origem.
Por serem calouras, esse receio aumenta, mas, por outro lado, até que ponto uma aula e o seu
conteúdo instiga para que seja confortável para opinar, tirar dúvidas ou fazer seu
posicionamento político.
Em outro momento da aula, houve uma exposição da intelectual Maria da Luz Fonseca
(2024), a partir da sua fala, emerge um pensamento de que a Unilab é um grande quilombo e
6
A brinquedoteca da Unilab foi inaugurada no ano de 2024.
7
Vale destacar que a turma em questão (2024.1) era de maioria do curso de Bacharelado Interdisciplinar em
Humanidades (BHU) e de maioria internacional africana e masculina.
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Ana Raquel Silva Reginaldo
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uma comunidade que apesar de seus inúmeros desafios, é possível aquilombar-se, em diálogo
com o Quilombismo (Abdias Nascimento, 1980). A partir da apresentação de Fonseca (2024),
houve a participação das estudantes mulheres. Então, reitero, até que ponto dentro do espaço
acadêmico é seguro o suficiente para nós mulheres negras nos sentirmos confortáveis para falar,
intervir e questionar sobre os temas em sala de aula?
Ademais, qual o papel ou a importância do homem negro em apoiar essas mulheres
dentro da academia, não as tornando como rivais, numa espécie de ambiente dicotômico e
binarista, contudo, como aliadas para o fortalecimento no pertencimento da população negra no
ensino superior. Até porque, Lélia Gonzalez (2020), nos alertava em seu ensaio “Por um
feminismo afro-latino-americano”, que os homens negros, parceiros de luta e do movimento
reproduzem o sexismo do patriarcado, excluindo as mulheres nas decisões dentro do
movimento. Logo, é necessário pensar um movimento feminista negro e de emponderamento e
que tenhamos também os homens negros como aliados, tanto na luta contra racismo, como no
machismo, xenofobia e tantas discriminações que nos atravessam interseccionalmente.
Comparando ao o que foi escrito acima, Bell Hooks (2024, p. 33) em sua obra “O
feminismo é para todo mundo”, escreveu um contexto estadunidense, onde “os homens
comandavam em qualquer sala de aula. Mulheres conversavam menos, tomavam menos
iniciativas e, frequentemente, quando falavam, era difícil ouvir o que estavam dizendo.
Faltavam força e confiança na voz delas”.
Durante o período de análise etnográfica, houve a percepção de desafios que atravessam
nossos corpos, entre eles vão:
1) a baixíssima representatividade das mulheres negras na ciência, seja como
professoras ou como leituras obrigatórias desde o Projeto Pedagógico [Currícular]
de Curso (PPC) como nas ementas de disciplinas ; 2) a carência de debates sobre as
questões étnico raciais em sala de aula (o problema da representatividade epistémica);
3) a discriminação face a face, e as dificuldades advindas do racismo e machismo
estrutural; 4) as consequências racistas das noções meritocráticas que regulam os
editais para acesso à auxílios permanência e bolsas estudantis (Ana Reginaldo, 2025,
p. 3).
Por ora, ressalvo que ser mulher negra no contexto da Unilab diversas nuances e uma
delas é a representatividade nos setores administrativos e docência, ou seja, comunidade
docente e técnicas administrativas (TAEs). Conforme os dados da universidade (Unilab, 2025)
46,62% de professoras e 53,37% de técnicas, porém, não estão disponíveis dados raciais,
dificultando uma análise interseccional, até porque “raça e sexo são ambas facetas imutáveis da
identidade humana” (Bell Hook, 2024). Porém, se andarmos nos corredores da universidade
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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percebemos explicitamente a discrepância entre os institutos e conseguimos perceber uma
certa internacionalização no IH. E se falarmos das TAEs não há NENHUMA internacional.
Questiono qual é a intenção de se colocar corriqueiramente de uma universidade com
práticas e currículos “decoloniais”, “contra colonial” e “descolonizada”, sendo que na prática
vivenciamos outra dinâmica, se por um lado quando não há referenciais adequado para o grupo
ali presente docentes que se desdobram para inseri-las, por outro lado, quando está incluso
na disciplina e no PPC, docentes que não trabalham e ainda reluta com estudantes que
questionam.
No mais, o que as mulheres negras (sejam discentes e docentes) estão se vinculando aos
projetos de pesquisa e extensão da universidade para criarem pontos de refúgio, como por
exemplo, os projetos de pesquisa Gênero e Feminismo em África Global”, Kabaz di Terra,
Uniculturas e Lélia Gonzalez, presente! que mobilizam os três eixos do campo acadêmico:
ensino, pesquisa e extensão.
Sucintamente, esses projetos surgem como um ponto de afroafetividade e comunidade
que colabora com a permanência no ensino superior, especificamente a Unilab, pois, não nos
desafios dentro dos muros da universidade, mas, com os desafios e dificuldades vivenciados
nas duas cidades-campus, discussão do nosso próximo ponto.
4.2 No contexto geográfico: Redenção/CE e Acarape/CE
No final de agosto de 2024, foi instalado na entrada do município de Redenção o
letreiro “Redenção: Terra da Liberdade”, é impressionante o quanto este sentimento identitário
por parte das/dos redencionistas em relação a essa “Abolição legalizada/formalizada”
8
.
8
O município de Redenção (CE), carrega este nome por ser a primeira cidade do Brasil a abolir legalmente e
formalizar pessoas escravizadas. Disponível em: https://www.redencao.ce.gov.br/omunicipio.php. Acesso em: 25
fev. 2025.
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ana Raquel Silva Reginaldo
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Imagem 1 - Imagem do Letreiro na entrada do município de Redenção/CE: “Redenção -
Terra da Liberdade”.
Fonte: História de Redenção (Facebook, 2024).
No entanto, o sentimento de frustração surge no meu âmago, pois, no dia 8 de setembro
de 2024 ocorreu a final do Campeonato de Futebol Municipal da 2º divisão de Redenção, na
ocasião aconteceram dois jogos do time titular e aspirantes da Seleção de Guiné-Bissau os
jogadores que compõe o time são todos estudantes
9
da Unilab e o que mais observei e escutei
nas arquibancadas, campo de futebol e até mesmo na transmissão do jogo via Youtube
10
comentários racistas e xenofóbicos. No segundo jogo, minutos finais para o seu encerramento,
no minuto 255 do vídeo da transmissão do jogo, surge o seguinte comentário: “vocês tem que
aprender a ser gente, tudo [é racismo é?]”.
Os problemas sociais, como o racismo, machismo, homofobia e entre outras violências,
presente em Redenção (e também em Acarape) estão dentro da agenda de luta de diversos
movimentos sociais. Porque, o discurso de que “todo mundo é igual perante a lei”, é sutil, pois,
“assume um caráter formalista em nossas sociedades” (Lélia Gonzalez, 2020, p. 131), já que é
errôneo produzir este tipo de ideia e comentário minimizador e racista. Principalmente quando
se fala de corpos negros e afro-diaspóricos. Francisca Nzenze (2024, p. 8) escreve que:
[...] ser negro em África é ser igual aos demais, muito embora sejamos diferentes nas
condições econômicas, sociais e culturais. No Brasil, penso que essa questão produz
respostas completamente diferentes, uma vez que assumir uma identidade racial
resulta de muitas afirmações e negações. Em África, apenas se nasce negro. Aqui, é
preciso defender, construir, descobrir o que é ser negro.
9
Às vezes contratam jogadores brasileiros para jogos específicos, por exemplo, nesse dia (8 de setembro de 2024),
o goleiro do time titular não era estudante e internacional bissau-guineense.
10
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hk3Ou1DnAbw. Acesso em: 25 fev. 2025.
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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Em continuidade desse diálogo, no Brasil, as mulheres negras vivem realidades que vão para
além de um movimento de emancipação e direitos iguais, questões pautadas dentro do
movimento feministas estadunidense e ocidental/norte global. Essas mulheres vivem o
preterimento no trabalho, educação, relacionamentos românticos e afetivos, ademais,
estudos, dados e pesquisas que mostram a disparidade nesses espaços em comparação com
mulheres brancas e homens. Conforme Sueli Carneiro (2011, p. 121) escreve: o movimento
feminista brasileiro se recusava a reconhecer que uma dimensão racial na temática de gênero
que estabelece privilégios e desvantagens entre as mulheres.
E parte desse movimento feminista negra é pautar sobre como nosso corpo está sendo
representado, o discurso de ser uma cidade pioneira abolicionista permeia também nos
monumentos, e o principal e mais destacado é um dos monumentos de Redenção-CE: uma
imagem de uma negra nua de joelhos e reverenciando algo ou alguém por sua liberdade. Vale
ressaltar que a construção está instalada em frente ao campus da Liberdade/Unilab, onde todos
os dias várias mulheres negras passam ali para embarcar nos intercampis, ir ao restaurante
universitário e outras variadas atividades pessoais que não sejam atividades acadêmicas.
Vejamos um exemplo de umas das minhas notas de campo:
[...] em uma das minhas observações de campo em agosto de 2024, estava sendo
estagiária em uma disciplina do núcleo comum da Unilab, Sociedade, Diferença e
Direitos Humanos nos Espaços Lusófonos (SDDH). [...] Em um momento da
apresentação foi colocado a foto do monumento da Negra Nua, [...] o ministrante
questionou a turma o que elas/eles achavam daquela imagem/monumento e qual
sentimento surgiu ao vê-la, nisso, umas das estudantes respondeu que ao ver a
imagem/monumento: “eu sinto um sentimento de ferimento e estou assustada por ver
um corpo de uma mulher negra dessa forma”, outro estudante respondeu: “eu sinto a
falta de espírito de humanidade, uma coisa inumana” e mais uma estudante comentou:
“isso é um insulto”; todos os três comentários foram de estudantes negras/o e
internacionais africanas/os (Ana Reginaldo, 2025, p. 10).
Que movimento desafiador foi em um ato “político” (ou não) construir e colocar a sede
uma universidade que faz integração com países Africanos, porque, o uso da imagem de uma
mulher nua revela a audácia do racismo e machismo na sociedade brasileira, utilizando da nudez
de uma mulher negra, mostra o poder machista e patriarcal sobre os nossos corpos. Sendo que
a nudez de uma mulher negra seja ela escravizada na época da colonização servia como um
aviso para a sua vulnerabilidade sexual (Bell Hooks, 2024). A ideia posta ao monumento é
mostrar a adoração e agradecimento pela liberdade, mas, porque deveríamos agradecer por uma
liberdade que nos foi tomada? Além disso, o monumento não foi criado ou elaborado por
mulheres ou homens negros, ou seja, quem está falando por nós?
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
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De acordo com Vera Rodrigues a personagem do monumento é “vazia de historicidade,
de referencial identitário e sentido político. É uma imagem sem nome, sem referências” (2017,
p. 75). Ou seja, apenas favorece um dito popular: “todo mundo é farinha do mesmo saco”,
não importa seu nome, origem ou raízes, o que importa é que está sendo dada sua liberdade e
torna-o mais importante e benevolente senhor. Sendo assim, de forma ideológica, as mulheres
negras estão sendo impactadas com um papel passivo e secundário na história, porque, o que é
esperado é a servidão, subserviência e prontidão para cuidar de tudo e todo mundo (Kalina
Gondin de Oliveira; Clarice Zientarsk, 2019; Valeska Zanello, 2022).
Nesse mesmo diálogo, Patrícia Hill Collins e Sirma Bilge escrevem que “a cor da pele,
a textura do cabelo, as características faciais e outros aspectos físicos tornaram-se marcadores
raciais de fato para a distribuição de educação, emprego e outros bens sociais” (2021, p. 42).
Desse modo, os atuais estereótipos sobre os corpos das mulheres negras, colocam-as em uma
categoria de serviência, porque “uma das características do racismo é a maneira pela qual ele
aprisiona o outro em imagens fixas e estereotipadas, enquanto reserva para os racialmente
hegemônicos o privilégio de ser representados em sua diversidade” (Sueli Carneiro, 2011, p.
70).
Imagem 2 - Ato político em frente ao Monumento “Negra Nua”, feito na I Marcha
Antirracista no Município de Redenção-Ce, realizado pelas escolas e a Unilab no ano de
2024.
Fonte: Ana Raquel Silva (Arquivo Pessoal, 2024).
O uso das imagens/monumentos não difere no município de Acarape (CE), ao andarmos
na avenida principal da cidade, encontramos um outdoor de propaganda e marketing de uma
empresa de gás (não será revelado na imagem a empresa, pois, a intenção aqui não é denunciá-
la, mas, questionar a forma como a divulgação do seu produto está sendo usada de forma
pejorativa e violenta). Na imagem percebe-se o uso sutil da frase “todo brasileiro tem essa
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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chama” e abaixo uma mulher negra, entrando em diálogo com o conceito de imagens de
controle.
Imagem 3 - Outdoor localizado na Rua Nila Vasconcelos, em Acarape (CE).
Fonte: Arquivo pessoal da autora, 2025.
Patrícia Hill Collins (2019, p. 151) analisa e desenvolve o conceito de imagens de
controle a partir da realidade dos Estados Unidos, porém, percebemos muitas semelhanças ao
depararmos com a realidade do Brasil. De acordo com a socióloga, as “imagens de controle são
traçadas para fazer com que o racismo, o sexismo, a pobreza e outras formas de injustiça social
pareçam naturais, normais e inevitáveis na vida cotidiana”, ou seja, a mulher negra é
representada na sociedade como outro, e isso é fortalecido pelas imagens de controle
manipuladas para separá-las de grupos sociais (Winnie Bueno, 2020).
As autoras e intelectuais que escreveram sobre o conceito traduzem e explicam como
as instituições têm o poder de criar e construir imagens de controle sobre as mulheres negras,
em especial, nas duas cidades de Redenção e Acarape. Porque, a normalização de
estereótipos racistas e misóginos, porém, o que nos resta, como feministas engajadas com a luta
antirracista e antisexista, é lutar para a mudança e construção de espaços seguros, para o bem-
estar da população negra, em especial para mulheres negras. Pois, ser mulher negra em uma
sociedade explicitamente racista e misógino é bastante desafiador.
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
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5 (UMA QUASE) CONCLUSÃO
Para finalizar, buscamos trazer a problemática do ser estudante negra em uma
perspectiva interseccional, trazendo desde os desafios internos, como externos do campo
universitário, principalmente levando em consideração a importância e o papel crucial da
cooperação com os países Africanos. Porque, de forma direta e indireta, nossas vidas e
trajetórias são atravessadas por essa dinâmica da integração e isso impacta nossa forma de falar,
agir, amizades, dentro de casa e em todos os ambientes dentro e fora da Unilab.
Com 15 anos de sua existência, conseguimos ver resultados positivos baseada na
cooperação, nós estudantes unilabianas, em meio a precariedade, inúmeros cortes
orçamentários, sucateamento na educação ainda procuramos meios para (re)existir dentro da
Unilab. Nossas vozes ecoam nos corredores dos campis na busca da construção de um ambiente
acadêmico que pratique uma educação baseada na integração, interculturalidade, antirracista,
feminista, inclusiva.
Logo, este trabalho buscou trazer um breve apartado de uma pesquisa maior do
programa de pós-graduação do Mestrado Interdisciplinar em Humanidades, na qual, tenho
oportunidade de entender e compreender juntamente com minha rede de afetos, o que é ser
mulher negra estudante da Unilab, então, no segundo tópico me coloco neste local de
sujeito/pesquisadora trazendo minha narrativa como parte da pesquisa, conforme Stephanie
Lima (2025, p. 100): “o trabalho acadêmico se torna, nesse sentido, um processo de
autorreflexão de suas experiências individuais, assim como o cotidiano dos coletivos, nas trocas
com outras experiências”. Para isso, foi importante se debruçar na teoria de interseccionalidade,
pois, o que está por detrás no SER ou VIR A SER é o cruzamento e intersecção das identidades,
discussão posta no terceiro tópico. Em suma, ser mulher negra é colocar em questão os desafios
diante ao racismo, sexismo, misoginia, etc; enquanto universitárias esses desafios surgem
perante ao nosso cotidiano acadêmico, em Redenção/CE e Acarape/CE, isso atravessa
também dentro do universo externo unilabiano; portanto, o trabalho intencionalmente busca
fazer uma denúncia e uma chamada para melhorias nas políticas afirmativas da Unilab, assim
como, na mudança do currículo; criação ou manutenção dos coletivos feministas negros;
criação ou manutenção de órgãos e setores que acompanhe casos de racismo, violência contra
mulher, misoginia etc. E o principal, a manutenção de uma instituição que preze pela saúde
física e mental das mulheres negras estudantes da Universidade da Integração Internacional da
Lusofonia Afro-Brasileira.
Revista Em Perspectiva, Fortaleza, e96659, p. 1-25, 2025. ISSN 2448-0789. DOI: 10.36517/ep.vi.96659.2025
Ser mulher negra estudante na Unilab/CE
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Ana Raquel Silva Reginaldo
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Informações Adicionais
Biografia
profissional
Graduada em Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades (Unilab/CE).
Licenciatura em Sociologia (Unilab/CE). Atualmente é Mestranda do
Programa de Interdisciplinaridade em Humanidades” (UNILAB), bolsista
pela FUNCAP/CE. Foi bolsista do Projeto de Pesquisa “Gêneros e
Feminismo na África Global (Fluxo Contínuo PROPPG/UNILAB)”.
Também foi bolsista do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à
Docência (PIBID/UNILAB), núcleo Sociologia. Assim como, já foi bolsista
de extensão do Projeto “Lélia Gonzalez, presente!” (UNILAB).
Endereço para
correspondência
Avenida da Abolição, 3 Centro. CEP: 62790-000, Redenção Ceará
Brasil
Financiamento
Financiado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (FUNCAP).
Agradecimento
A Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e
Tecnológico (FUNCAP) com a Bolsa de Formação Acadêmico pelo
Mestrado Interdisciplinar em Humanidades (MIH/UNILAB). Ao projeto de
pesquisa “Gêneros e Feminismos na África Global” (UNILAB/CE). E a
todas as mulheres que contribuíram com essa pesquisa e minha trajetória
acadêmica.
Conflito de
interesse
Nenhum conflito de interesse foi declarado.
Aprovação no
comitê de ética
Declaro que a pesquisa foi enviada ao comitê de ética e sob o número do
processo: 85247624.2.0000.5576.
Método de
avaliação
Revisão por pares anônima dupla (Double anonymous peer review).
Direitos autorais
Copyright © 2025 Ana Raquel Silva Reginaldo
Licença
Este é um artigo distribuído em Acesso Aberto sob os termos da
Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.
Histórico
editorial
Data de Submissão: 13 de outubro de 2025
Data de aprovação: 10 de dezembro de 2025