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Nesse sentido, a pesquisa tem como molde análises interseccionais, um dos métodos e
mecanismo essenciais para a luta do feminismo negro, principalmente para a permanência de
mulheres negras no campo universitário/acadêmico, pois, “está em toda parte e é poliglota: fala
tanto a língua do ativismo e da organização comunitária quanto a da academia e das
instituições” (Patrícia Hill Collins; Sirma Bilge, 2021, p. 11).
Importante perceber que a construção social do ser mulher negra é a construção baseada
nos moldes das regras simbólicas de cada sociedade, ou seja, por estarmos inseridas em dois
municípios do interior do Ceará, um estado do Nordeste. Vale destacar que Redenção e Acarape
foram moldadas com raízes indígenas, africanas e europeias, assim, unindo-as com a cultura
nordestina e cearense, também impactado os corpos de mulheres negras cearenses, já que a
história – seja brasileira ou cearense – foi atravessada por violências escravagistas resultando
em racismo, sexismo, misoginia, machismo, entre outras violências que nos atravessam.
Sendo assim, como estudante universitária, mulher, negra, periférica vinda da cidade de
Fortaleza (capital do Ceará), o que percebe-se no cotidiano das duas cidades é que somos
tratadas pelas/pelos naturais de Redenção/CE e Acarape/CE, como outsiders – não só
brasileiras não-residentes da cidade, mas, principalmente estudantes internacionais –. Logo, a
intenção desta pesquisa é ecoar nossas vozes, conforme Audre Lorde: “como outsiders,
precisamos umas das outras, precisamos nos amparar e estabelecer conexões para satisfazer
todas as necessidades que temos por vivermos à margem. No entanto, para nos unirmos,
devemos reconhecer uma às outras” (2023, p. 88).
O artigo trabalhará sobre o que é ser mulher negra estudante da Unilab, no Ceará,
levando em consideração a interseccionalidade, desde a questão de gênero, raça, etnia, classe,
nacionalidade, orientação sexual… entre outras múltiplas intersecções de identidades e
colocando em discussão os principais desafios em permanecer neste espaço universitário. Por
isso, o trabalho está dividido em quatro partes, sendo a primeira uma escrevivência e
autoetnografia colocando-me dentro da ciência como parte de um corpo político. No segundo
tópico aborda sobre “A interseccionalidade das mulheres negras unilabianas”, discutindo desde
a questão teórica, notas de campos, entrevistas e dados para discutir interseccionalmente como
a identidade das estudantes impactam na sua trajetória acadêmica. No terceiro tópico “Desafios
nos ambientes acadêmicos e no contexto geográfico da Unilab/CE”, aborda sobre os desafios
dentro do ambiente acadêmico, assim como, a influência nos corpos das estudantes negras
estarem inseridas nos dois municípios, Acarape e Redenção, e como suas/seus residentes