mais inclusiva e eficaz para que as gerações futuras usem essas ferramentas de forma mais
consciente, como, por exemplo: na democratização do acesso à educação, à cidadania, à cultura,
ao esporte e ao lazer, e não para os fins de proveitos político, como afirma o nosso líder imortal
Amílcar Lopes Cabral: “Ninguém deve ter complexos porque não sabe balanta, mandinga,
papel ou fula ou mancanha. Se souber, melhor, mas não sabe, tem que fazer com que os outros
entendam, mesmo que for com os gestos” (Cabral, 1990, p. 59). Cabral via a cultura como um
elemento central da luta de libertação.
A língua, como expressão essencial da cultura, deveria ser recuperada, cultivada e
respeitada, não apenas como meio de comunicação, mas como forma de resistência e de
afirmação da identidade. Nesse sentido, apesar de sua crítica à língua do colonizador, Cabral
reconhecia o papel estratégico do crioulo como língua de unidade entre diferentes etnias e
comunidades linguísticas, especialmente em contextos como o da Guiné-Bissau, onde há uma
grande diversidade linguística.
Nesse sentido, trazemos o escritor e intelectual queniano Ngũgĩ Wa Thiong’o, para que
possamos compreender mais como essa problemática do tribalismo linguístico reforça a ideia
da colonização e como podemos nos libertar desse domínio cultural e psicológico do
colonialismo, como podemos perceber na sua fala:
Infelizmente alguns intelectuais africanos também foram vítimas — alguns de forma
incurável — desse esquema, sendo incapazes de enxergar que explicar qualquer
diferença de perspectiva intelectual ou qualquer conflito político em relação às origens
étnicas dos atores vem de uma lógica colonial de “dividir para conquistar”. Nenhum
homem ou mulher pode escolher a sua nacionalidade biológica. Os conflitos entre
povos não podem ser explicados nos termos do que é xo (as invariáveis). Se assim
fosse, os problemas entre dois povos quaisquer seriam sempre os mesmos em qualquer
tempo e lugar; e, além disso, nunca haveria nenhuma solução para con itos sociais, a
não ser ao mudar aquilo que é permanentemente xo, como, por exemplo, através de
uma transformação genética ou biológica dos atores (Thiong’o, 2025, p. 18-19).
Thiong’o nos mostra que o projeto colonial não terminou com as independências
políticas, mas continua por meio do controle das ideias, valores e línguas. Por isso, esse
preconceito linguístico propagado pelos colonizadores e pelas elites pós-coloniais, de que a
diversidade linguística africana leva à divisão, ao conflito e ao atraso. Essa visão equivocada e
preconceituosa reforça a tese do apagamento das línguas nacionais em relação às línguas dos
invasores. Por isso, combater o tribalismo linguístico na sociedade guineense é essencial para
promover a unidade nacional, a igualdade de oportunidades e o respeito mútuo entre os grupos
étnico-linguísticos. Na Guiné-Bissau, onde convivem várias línguas nacionais (como o crioulo,
o mandinga, o fula, o balanta, o bijagó, entre outras) e o português como língua oficial, o