O entendimento de que a gramática das línguas naturais se
configura com base nos usos linguísticos em práticas interacionais é
compartilhado por um conjunto de pesquisadores associados a diferentes
vertentes funcionalistas. Para Givón (1995), por exemplo, a estrutura
gramatical resulta da rotinização de usos linguísticos bem-sucedidos em
eventos interacionais específicos. Halliday (1985), por sua vez, defende o
caráter “natural” da gramática funcional, no sentido de que nela tudo pode
ser explicado em termos dos usos linguísticos. Assume, pois, que os usos da
língua, efetivamente, dão forma ao sistema. Conforme Dik (1989), as
expressões linguísticas que integram qualquer sistema (língua) devem ser
descritas e explicadas em termos de um quadro geral do sistema
pragmático de interação verbal.
Em texto clássico do Funcionalismo norte-americano, From
discourse to syntax: grammar as a processing strategy (1979a), Talmy Givón,
sob influência das descobertas de Sankoff e Brown acerca das orações
relativas no Tok Pisin, apresenta uma investigação que relaciona discurso e
sintaxe, e conclui que a sintaxe das línguas humanas existe em razão de
funções que a estrutura desempenha. Nessa direção, a sintaxe não seria
uma entidade autônoma, mas estreitamente relacionada à semântica e à
pragmática e delas dependente. Conforme encontramos em Dik (1978), a
pragmática é a moldura dentro da qual a semântica e a sintaxe devem ser
estudadas. A semântica é dependente da pragmática, de modo que esta
governa aquela e ambas impactam a sintaxe. Tomadas em uma perspectiva
hierárquica, teríamos a pragmática, a semântica e a sintaxe. Assim é que, por
exemplo, intenções, conhecimento de mundo, conhecimento partilhado,
inferências, vinculados a eventos comunicativos em que se engajam os
humanos, semantizam-se (adquirem determinados significados) e são
codificados em padrões sintáticos, os quais se constituem via
rotinização/ritualização de usos linguísticos.
Na obra seminal On understanding grammar, Givón (1979b)
apresenta evidências, de base sincrônica e diacrônica, em favor da defesa de
que a constituição da gramática revela a trajetória do discurso à sintaxe, ou
seja, vai do modo pragmático para o sintático. O linguista destaca que essa
trajetória envolve perdas e ganhos: por um lado, o modo pragmático é
analítico e lento, logo menos econômico; por outro lado, ele tem alto grau
de fidelidade comunicativa, uma correlação um-a-um entre código e
mensagem; o modo sintático, por sua vez, é mais econômico, envolve
automatização de processamento (ganha-se, portanto, em economia);
entretanto, perde em resolução, já que na sintaxe a correlação entre forma
e conteúdo é tipicamente menor que 100% (ou seja, há perda comunicativa).
O modo sintático, dessa forma, é usado somente quando outros parâmetros