a torcer”: ele rejeita sua opinião inicial acerca da proposição de que a série
não pioraria, confessando que estava errado.
Uma evidência cotextual de que, de fato, o construto evoca uma
situação de descrédito inicial do falante diante de alguma proposição pode
ser vista em (18). Nesse exemplo, o falante “avisa a si mesmo” que não deve
emprestar sua HQ, mas, como ele d a entender logo em seguida, “não se
d ouvidos”. Por fim, o que a enunciaão do construto expressa sua rejeião
à sua própria negligência em relaão ao seu “autoconselho” inicial (de não
emprestar a HQ) e, ipso facto, o alinhamento à (concordância com a) seu
conselho original. Para expressar essa ideia, diremos que esse tipo de uso
realiza uma função discursiva de admissão de erro — um rótulo que
abrange simultaneamente a ideia de concordância (se uma pessoa admite
um erro, ela está concordando com uma crítica) e a de rejeição (se uma
pessoa admite um erro, ela está rejeitando sua própria avaliação, atitude ou
posição original).
Diante dessa análise, a impressão inicial de que esses dados
servem a uma função de concordar com algo, em vez de rejeitar uma
proposição prévia, fica justificada, na medida em que fica claro que há aqui
dois posicionamentos em jogo: aquele de que o falante toma conhecimento
(como, em (17), a posição de que a série pioraria) e aquele que o falante
assume ao não acreditar nessa proposta ou não se comprometer com ela
(como, em (17), a posição de que a série não pioraria). Assim, nos usos em
que a CBQ assume função de admissão de erro, o falante, de fato, ao mesmo
tempo em que se alinha ao primeiro posicionamento, concordando com ele,
rejeita o segundo posicionamento, refutando-o.
É importante reconhecer esse segundo movimento porque ele
contribui para a nossa argumentação de que tanto dados como (17-19),
quanto como (12-13) atualizam as mesmas generalizações semântico-
pragmáticas e sintáticas que propomos para a CBQ. Formalmente, os dois
grupos de exemplos devem ter a forma [bem que [sentença]], em que uma
oração da sentença denota [X]. Além disso, semanticamente, ambos os
grupos veiculam a asserção [não é verdade que [não X]], ou seja, expressam
a rejeição a uma proposição pressuposta [não X].
Para demonstrar a validade dessa sistematização, apliquemos a
generalização do Quadro 1 ao dado (19), considerando, agora, as
particularidades desse tipo de uso da CBQ. Esse exemplo evoca um cenário
no qual: (i) o falante foi teria sido avisado por alguém que, no futuro, sentiria
falta de quando sua filha era mais nova e (ii) o falante, inicialmente,
negligenciou esse alerta ou discordou dessa previsão (conforme sugerido
pela sequência “Minha filha me deu muito trabalho quando era mais
novinha”). É relativamente a esse cenrio que o enunciado em (19)