ESTRATIGRAFIA GPR E MORFOGÊNESE QUATERNÁRIA NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/10.4215/rm2019.e18027

Resumo

O Parque Nacional da Serra da Capivara desponta como estudo de caso para pesquisas do Quaternário e de geomorfologia no nordeste semiárido brasileiro. Trabalhos anteriores no vale da Serra Branca, uma das principais unidades geomorfológicas do parque, revelam o predomínio de espessos depósitos coluviais, sugerindo flutuações climáticas episódicas com aumento da umidade no semiárido desde o Pleistoceno Superior. Este estudo está focado na aplicação da estratigrafia GPR à investigação de depósitos quaternários nos três quilômetros de largura do médio-curso do vale da Serra Branca. Dados GPR e RTK de alta resolução e datações LOE sugerem evolução geomorfológica mais complexa do que a vislumbrada anteriormente. Resultados indicam bacias de primeira ordem com incisões erosivas soterradas por depósitos de leques aluviais datados do Holoceno Médio a Inferior. Paleo-canal de 300 metros de largura, preenchido por aluviões, ocorre suspenso a 14 metros acima do fundo do vale atual, documentando a incisão do vale desde Último Máximo Glacial. Os dados GPR e RTK possibilitam mapear rochas truncadas; depósitos coluviais e aluviais; pedimentos; divisores rebaixados; canal fluvial relictual, e o fundo do vale atual. Os resultados apontam para clima mais úmido do que o atual durante o último estágio glacial global.

Biografia do Autor

  • Marcelo Accioly Teixeira de Oliveira, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis (SC), Brasil

    Doutor em Geografia Física na Université de Paris IV (Paris-Sorbonne), realizando o trabalho de tese no Laboratório de Geografia Física do CNRS, em Meudon - Belle Vue (1992). Concluiu programas de Pós-doutorado em Geocronologia e Estratigrafia do Quaternário na Université de Paris XI (2000) e em Geofísica Aplicada no IAG-USP, São Paulo (2008). Atualmente é professor associado IV do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Estudos do Quaternário Continental, tendo atuado principalmente nos seguintes temas: processos erosivos e deposicionais, sedimentologia, micromorfologia, estratigrafia e palinologia do Quaternário, geofísica de reflexão por radar eletromagnético e avaliação de geomorfosítios. Tem experiência como perito judicial em processos de caráter ambiental. Após desenvolver linha de investigação focada na obtenção de dados representativos (proxies) continentais para interpretação paleoambiental, tem como foco principal de investigação a aplicação da estratigrafia de georadar (GPR) à estratigrafia do quaternário e à evolução do relevo continental.

  • Janaina Carla Santos, Universidade Federal do Vale do São Francisco, São Raimundo Nonato (PI), Brasil

    Doutora em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco (2007). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geologia e Geomorfologia do Quaternário, especialmente de áreas semiáridas. Atualmente é Professora Associada I do Colegiado de Arqueologia e Preservação Patrimonial e professora do Programa de Pós-Graduação de Arqueologia ambos da Universidade Federal do Vale do São Francisco.

Publicado

2019-10-27

Edição

Seção

Artigos