REGIME DE QUEIMA EM TERRA INDÍGENA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2020.e19018

Resumo

A Terra Indígena (TI) Pimentel Barbosa, da etnia Xavante, está localizada na região de maior atividade anual de queima do mundo, denotando a necessidade de um monitoramento oportuno e preciso dos padrões espaço-temporais de ocorrência do fogo. Neste sentido, o presente trabalho objetivou caracterizar as ocorrências de queima na referida TI, entre os anos de 1984 a 2018, relacionando-os com as diferentes tipologias vegetais e uso do solo presentes na mesma. Cicatrizes de queima foram identificadas e mapeadas, a partir de imagens do programa Landsat, e foram analisadas quanto a sua distribuição espacial e recorrência, incluindo o aspecto da tipologia vegetal e uso do solo. Em 34 anos, a TI queimou uma área superior a 1.500%, com o registro de queima de mais da metade da área em diversos anos, não apresentando padrão espacial que expresse as práticas tradicionalmente utilizadas. As tipologias vegetais savânicas e o uso agropecuário apresentaram mais de 90% da área atingida. Em todas as tipologias e uso, predominou a recorrência classificada como média ou alta, de 9 a 34 recorrências (i.e., algumas áreas da TI foram queimadas todos os anos). 20 vezes foi a recorrência mais comum, estando em desacordo com o recomendado na literatura. A modificação na estrutura territorial e a intergração ao padrão da cultura brasileira são indicados como responsáveis elementares ao estabelecimento do cenário de queima identificado, se fazendo necessárias algumas ações, como, por exemplo, o resgate tradicional do manejo do fogo, para que as queimadas possam ser utilizadas como uma ferramenta sustentável.

Biografia do Autor

  • Lívia Lima Leite Aguiar, Universidade Estadual de Goiás, Goiânia (GO), Brasil

    Mestranda em Recursos Naturais do Cerrado pelo RENAC/UEG. Possui graduação em Geografia (Lic. e Bacharelado) pela Universidade Federal de Goiás (2006). Tem experiência na área de Geografia Física e Ciências Ambientais com ênfase em Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto. 

  • Patrick Thomaz de Aquino Martins, Universidade Estadual de Goiás, Goiânia (GO), Brasil

    Doutor em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista. Atualmente é docente da Universidade Estadual de Goiás. Tem experiência na área de Geografia Física, se dedicando principalmente à análise espacial de dados ambientais. Atua, notadamente, nos seguintes temas: cobertura vegetal, uso da terra, padrão/dinâmica espacial, conflitos de uso em áreas protegidas, sensibilidade ambiental, ecologia da paisagem e mapeamento temático. 

Publicado

2020-09-28

Edição

Seção

Artigos