GEOGRAFIAS CULTURAIS MAIS-QUE-HUMANAS RUMO AO COABITAR NA TERRA

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DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2021.e20005

Resumo

Fundado como contraponto ao dualismo cultura-natureza, o conceito de mais-que-humano refere-se aos mundos dos diferentes seres que coabitam a terra, de forma a incluir e exceder às sociedades humanas. Embasados em tal noção e em diferentes perspectivas filosóficas, como pós-fenomenologias, teorias não-representacionais, eco-feminismos e pós-humanismos, os geógrafos culturais têm se interessado em ampliar suas interpretações para decifrar as multiplicidades espaciais do habitar no Antropoceno. Neste ensaio objetiva-se caracterizar as Geografias Culturais mais-que-humanas efetivadas nos países anglófonos. Essas Geografias concernem a um amplo espectro de entidades, que variam desde os espaços existenciais de rebanhos de renas até aqueles referentes aos criados sob efeitos afetivos de antidepressivos. Para tanto, procedimentos inter/transdisciplinares com práticas artísticas, literárias, narrativas e experimentais são adotados. Os estudos vitais, atmosféricos, afetivos e corporificados realizados por esses geógrafos revelam complexos arranjos de co-vulnerabilidades e reciprocidade multi-espécie vividos nos lugares em tensão na contemporaneidade. A compreensão dessas tessituras do coabitar terrestre pode permitir-nos decifrar grafias da terra que contraponham ao excepcionalismo humano hegemônico.

Biografia do Autor

  • Carlos Roberto Bernardes de Souza Júnior, Universidade Federal de Goiás, Giânia (GO), Brasil

    Doutorando em Geografia no Instituto de Estudos Socioambientais (IESA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), com período de estágio sanduíche na Université de Paris (U-PARIS).Membro do Laboratório de Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Terrioriais (LABOTER) - UFG e do Laboratoire Dynamiques sociales et recomposition des espaces (LADYSS) - U-PARIS. Mestre em Geografia pelo IESA/UFG; Bacharel e Licenciado em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Publicado

2021-02-10

Edição

Seção

Artigos