FLORADAS POÉTICAS, REGISTROS DA FLORA DO CARIRI CEARENSE NA OBRA DO POETA PATATIVA DO ASSARÉ

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2024.e23017

Palavras-chave:

Etnobotânica, Nomes populares de plantas, Flora Nordestina, Patativa do Assaré, Cariri cearense

Resumo

Manifestações artísticas expressam a percepção, a cultura e as dimensões afetivas de quem as concebe, com elas interage e transmite. Patativa do Assaré, poeta popular que, em sua extensa obra, retratou a paisagem, a cultura, o povo e a história do sertão nordestino exemplifica esta múltipla apreensão. Seu livro “Cante lá que eu Canto Cá – Filosofia de um Trovador Nordestino”, é objeto deste estudo. Buscou-se nele, localizar nomes comuns a plantas, analisá-los e avaliar se, o poeta, poderia inspirar-se nessas mesmas plantas, atualmente. Nos versos foram assinaladas 2.639 citações, referentes a 597 termos alusivos à natureza, extraídos 64 nomes diretamente de plantas. Inferiu-se nomes botânicos, através da análise dos
versos e cotejamento com exemplares de herbário, oriundos de regiões do Cariri cearense. A paisagem e lugar, a despeito da crescente antropização, lograria, em grande parte, ser recontada. A pesquisa junta-se a outras que potencializam a valorização da conservação biológica e cultural, para a qual contribuem os status de conservação da imburana e do pequi, evocados pelo artista na obra.

Palavras-chave: Etnobotânica; Nomes populares de plantas; Flora Nordestina; Patativa do Assaré; Cariri Cearense.

Biografia do Autor

  • Rejan Rodrigues Guedes-Bruni, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

    Doutora em Ecologia pela Universidade de São Paulo (1998). Professora do Departamento de Biologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), onde foi diretora de departamento de 2011-2019. Atuou junto aos Programas de Pós-Graduação em Botânica s.s., da Escola Nacional de Botânica Tropical, e no de Geografia, da PUC-RIO. Foi membro dos grupo de pesquisa do CNPq: História Ambiental da Mata Atlântica (PUC-Rio) e Ciência, natureza e saberes (http://www.ufrrj.br/cpda/cinais/ ) do CPDA-UFRRJ, onde foi pesquisadora associada neste último. É pesquisadora titular aposentada do Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde foi Diretora de Pesquisas, Coordenadora do Programa Mata Atlântica, Coordenadora PIBIC e Editora da Revista Rodriguesia. Atuou em diferentes grupos de trabalho e comissões como membro científico em políticas públicas do Ministério do Meio Ambiente, sendo também sua representante em diferentes fóruns ambientais. Foi também editora de área da Acta Botanica Brasilica e consultora ad hoc de periódicos científicos nacionais e internacionais. Tem experiência nas áreas de sistemática de vegetais superiores e ecologia, com ênfase em ecologia de comunidades, atuando nos seguintes temas: florística e conservação no sistema florestal atlântico. Desenvolve projetos transversais no âmbito da ecologia urbana, etnobotânica, história da paisagem, coleções biológicas, jardins botânicos e interface ciência e políticas públicas.

  • Maria Vitória DaMatta, Universidade Pontifica Catholica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

    Estudante no curso de especialização em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva, no SENAC, onde também curso libras. Atualmente sou mentora no programa Access E2C, projeto financiado pela Embaixada dos Estados Unidos, além de professora na Escola Canadense de Niteroi.  Em 2017, fui agraciada com Menção honrosa pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica-PIBIC/CNPq/PUC-RIO pelo trabalho: "A biodiversidade na poesia e na música popular brasileira: Patativa do Assaré e a imagética caatinga do Cariri cearense". Minha experiência em botânica, inclui a atuação no Jardim Botânico da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e no San Francisco Botanical Garden, onde colaborei na curadoria de plantas locais e ameaçadas. Meus interesses incluem: Botânica, Etnobiologia, Botânica Econômica, Conservação e Paisagismo. A experiência na área de Etnobotânica promoveu meu interesse em atividades extensionistas que desempenhei na Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade de Niterói (SMARHS), além de ter participado de iniciativas de sensibilização ambiental no Camp Westmont, em nível internacional.

  • Mariana Reis de Brito, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

    Doutor (2015) em Ciências Biológicas (Botânica) pelo Programa de Pós-Graduação do Museu Nacional/UFRJ. Tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Etnobotânica, Etnobotânica Histórica e História da Botânica. Atualmente é professora no curso de Ciências Biológicas da PUC-RIO.

  • Gabriel Paes da Silva Sales, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

    Professor do Departamento de Biologia da PUC-Rio, realiza estágio pós-doutoral na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde também participa como pesquisador do Laboratório História e Natureza (LabHeN/UFRJ). Entre 2018 e 2024, ocupou uma das cadeiras do Conselho Consultivo do Refúgio de Vida Silvestre Estadual da Serra da Estrela (REVISEST), representando a PUC-Rio. Além disso, em 2023, atuou como "Consultor I - Apoio Acadêmico e Tecnológico", no Instituto Tecgraf. Possui experiência e interesse em estudos que se enquadrem na perspectiva da História Ambiental, da Ecologia Histórica, da História das Florestas, dos Biomas Brasileiros, especialmente sobre a Mata Atlântica, da Ecologia Urbana, da Conservação da Biodiversidade e, de modo geral, das múltiplas relações entre as sociedades e a natureza ao longo do tempo. 

  • Ariane Luna Peixoto, Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

    Doutora em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas (1987). É professor titular aposentado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, onde lecionou junto ao Departamento de Botânica e foi Decano de Pesquisa e Pós-Graduação. No Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) foi coordenadora de pós-graduação, vice-diretora e diretora da Escola Nacional de Botânica Tropical. Atualmente é pesquisadora associada do JBRJ. Tem, como linhas de pesquisa, Morfologia e Sistemática Vegetal, concentradas principalmente nos seguintes temas: taxonomia de fanerógamos e flora do Brasil, especialmente com a família Monimiaceae, inventários florísticos, conservação e etnobotânica. Foi agraciada com a Ordem do Mérito Científico, na classe de Comendador, e oito espécies da flora brasileira foram denominadas em sua homenagem.

Publicado

2024-09-16

Edição

Seção

Artigos