RECONHECIMENTO DE SUPERFÍCIES GEOMÓRFICAS LATERITIZADAS POR MEIO DA MATRIZ DE DISSECAÇÃO DO RELEVO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2024.e23021

Resumo

A morfologia do relevo pode condicionar a hidrodinâmica e a distribuição de materiais no nível da superfície, produzindo superfícies geomórficas aplainadas e/ou rebaixadas, dadas as características evolutivas provenientes de fatores climáticos, morfogenéticos e pedogenéticos. Este trabalho tem como objetivo demonstrar a compartimentação e associação de superfícies geomórficas encimadas por duricrusts ferruginosos em áreas de Savana no Brasil, de acordo com uma matriz de dissecação do relevo. Esta matriz indica o entalhamento vertical dos vales e a dimensão horizontal interfluvial dos interflúvios por meio de medições do relevo em imagens de radar, classificação em códigos alfanuméricos e correlações estatísticas. Os resultados indicaram detalhes na compartimentação da superfície de acordo com a rugosidade do relevo, permitindo vincular, por meio dos dados da matriz de dissecação e da correlação estatística, a associação entre os compartimentos de acordo com as posições de cimeira e as áreas depressionadas remanescentes. Apesar de medições mais robustas obtidas a partir de mapeamentos de alta precisão poderem apontar estágios evolutivos mais detalhados do relevo, entende-se que uma matriz de dissecação e suas correlações estatísticas podem não apenas compartimentar a paisagem e fornecer uma visão inicial de sua evolução, mas também indicar superfícies geomórficas que podem ter sido trabalhadas simultaneamente. Nesse sentido, o reconhecimento de superfícies geomórficas, a ocorrência de duricrusts ferruginosos e modelados de relevo neste trabalho permitiram certa correspondência morfogenética que pode contribuir para estudos geomorfológicos, embora os resultados devam ser observados com cautela quando verificados a partir da perspectiva tropical de evolução do relevo.

Palavras-chave: Entalhamento dos Vales; Dimensão Interfluvial; Matriz de Dissecação; Superfícies Geomórficas; Duricrusts Ferruginosos.

Biografia do Autor

  • Raphael Rodrigues Brizzi, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (RJ), Brasil

    Mestre em Geografia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro com ênfase em Gestão e Estruturação do Espaço Geográfico (2015). É Professor EBTT do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ) atuando na Pós-Graduação em Ciências Ambientais em Áreas Costeiras e nos cursos técnicos em Meio Ambiente. Atualmente é doutorando do programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas da ESALQ-USP desenvolvendo pesquisas sobre a gênese de Plintossolos Pétricos e a evolução duricrostas ferruginosas entre os rios Tocantins e o Araguaia, no Estado do Tocantins. Possui experiência nas seguintes linhas de pesquisa: Pedologia, geomorfologia e práticas de ensino em geografia física.

  • Fernando Nadal Junqueira Villela, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil

    doutorado em Geografia (Geografia Física) pela Universidade de São Paulo (2011). Atualmente é professor Doutor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. É Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Geografia Física (PPGF), membro do Conselho da União da Geomorfologia Brasileira (UGB), membro do Grupo de Trabalho Direcionado do Sistema Brasileiro de Classificação do Relevo (GTD 2 Táxon) e pesquisador colaborador do Projeto Permaclima na Antártica, Rede de Pesquisa Terrantar (INCT da Criosfera), e já foi Coordenador do Curso de Graduação em Geografia (COC Licenciatura). Tem experiência na área de Geografia, com ênfase em Geomorfologia, atuando principalmente nos seguintes temas: geomorfologia climática, interações pedogeomorfológicas, caracterização do meio físico e de unidades de paisagem, cartografia geomorfológica e estudo de superfícies geomorfológicas.

  • Amanda de Fátima Martin Catarucci, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil
    Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia Física do DG/FFLCH/USP (2022/2). Professora do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (IFES) - campus Nova Venécia. Membro da União da Geomorfologia Brasileira (UGB), da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e da Associação Brasileira das Mulheres na Geociências (ABMGeo). Trabalhou como auxiliar técnica de pesquisa no mapeamento do meio físico (solos, relevo, vegetação e uso da terra) no setor de Geociências/Divisão de Dasonomia do Instituto Florestal de São Paulo (2003-2008); como Professora de Ensino Fundamental e Médio pelas Secretaria de Estado da Educação do Espírito Santo (2013-2016) e Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (2008-2012). Atuou, ainda, em projetos de extensão junto ao Laboratório de Pedologia do Departamento de Geografia da FFLCH/USP (2008-2012) e atualmente desenvolve atividades e projetos de pesquisa e extensão vinculados ao Laboratório de Práticas de Ensino de Geografia "Mizael Fernandes de Oliveira" e do Núcleo de Estudos Ambientais e Agroecologia (NEAA) do IFES - campus Nova Venécia. Possui experiência na área da Educação e Geociências, com ênfase em Geografia Física e Geotecnologias, atuando nos seguintes temas: ensino de Geografia; relação solo-paisagem; manejo e conservação do solo; caracterização e mapeamento do meio físico.
  • Heitor Paiva Palma, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa (MG), Brasil

    Mestre em Solos e Nutrição de Plantas pelo Departamento de Solos - UFV (2022), atuando em áreas de Tecnossolos desenvolvidas pelo depósito da lama de rejeito oriunda do rompimento da Barragem do Fundão, Mariana - MG. Atualmente, estudante de doutorado também na mesma instituição e programa, com estudos voltados para levantamento e classificação de solos na Antártica. Em paralelo às atividades acadêmicas, é comediante de Stand-up. 

  • Pablo Vidal-Torrado, Universidade de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil
     doutorado (1994) ambos em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ. Tem pós doutoramento em Geoquímica de Solos e Pedogênese na Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) (1997-1999). Desde 2007 é Professor Titular da USP. Sua experiência como professor, pesquisador e consultor é na área de Pedologia, com ênfase em Gênese, Morfologia e Classificação dos Solos em diferentes regiões do território brasileiro, atuando principalmente nos seguintes temas: formação de solos (pedogênese), relações solo-paisagem (pedologia-geomorfologia-geologia), micromorfologia de solos e mineralogia de solos.

Publicado

2024-10-13

Edição

Seção

Artigos