ISSN 2179-9938  
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COMO A AMAZÔNIA PENSA A SI MESMA: COMUNICAÇÃO,  
TERRITÓRIOS, IMAGINÁRIOS E DISPUTAS DE VISIBILIDADE  
HOW THE AMAZON THINKS ITSELF: COMMUNICATION,  
TERRITORIES, IMAGINARIES, AND DISPUTES OVER VISIBILITY  
CÓMO LA AMAZONÍA SE PIENSA A SÍ MISMA: COMUNICACIÓN,  
TERRITORIOS, IMAGINARIOS Y DISPUTAS DE VISIBILIDAD  
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Fábio Parode  
Universidade Federal do Ceará | Universidade Federal do Pará  
Marina de Castro  
Universidade Federal do Pará  
Fábio de Castro  
Universidade Federal do Pará  
O presente dossiê nasce de uma questão que, embora aparentemente simples,  
desloca de maneira significativa os modos tradicionais de pensar a Amazônia: como a  
Amazônia pensa a si mesma? Mais do que perguntar como o Brasil, a ciência, os meios  
de comunicação ou os discursos internacionais representam a região, trata-se de voltar  
o olhar para os processos pelos quais sujeitos, comunidades, artistas, pesquisadores e  
grupos sociais amazônicos produzem suas próprias narrativas, disputam sentidos,  
elaboram formas de pertencimento e constroem modos de estar no mundo.  
Essa perspectiva constitui o eixo articulador da presente coletânea. Conforme  
proposto na chamada do dossiê, interessa-nos compreender a Amazônia não apenas  
como objeto de discursos produzidos a partir de fora, mas como território de  
enunciação, produção de conhecimento, criação estética, resistência política e  
elaboração de futuros possíveis. Nesse deslocamento, a Amazônia deixa de ocupar  
exclusivamente o lugar de paisagem, recurso, fronteira ou problema nacional e passa a  
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ser compreendida como espaço produtor de pensamento, linguagem, cultura e  
conhecimento.  
Essa mudança de perspectiva implica também interrogar os regimes históricos  
de representação que atravessaram a região. Quem fala sobre a Amazônia? Quem pode  
falar em nome dela? Quais imagens, discursos e imaginários foram historicamente  
mobilizados para defini-la? E, sobretudo, quais sujeitos e coletividades estão hoje  
produzindo outras formas de narrar, representar e significar a Amazônia?  
A questão ganha especial relevância diante das transformações ambientais,  
sociais, econômicas, tecnológicas e políticas que atravessam a região. As mudanças  
climáticas, os conflitos territoriais, as desigualdades de acesso às tecnologias, as  
disputas em torno dos recursos naturais e as diferentes concepções de desenvolvimento  
sustentável colocam em evidência a necessidade de compreender a Amazônia a partir  
de suas próprias experiências e formas de elaboração. A chamada do dossiê situa  
justamente essa problemática ao perguntar como as populações amazônicas pensam  
seu compromisso histórico diante das mudanças climáticas e da construção de  
estratégias de cuidado ambiental e desenvolvimento sustentável.  
Nesse sentido, o dossiê não pretende oferecer uma imagem única ou totalizante  
da Amazônia. Ao contrário, reúne perspectivas diversas, por vezes tensionadas entre si,  
que revelam a pluralidade dos modos de existência, comunicação e produção de  
sentidos na região. Os artigos aqui reunidos transitam por diferentes territórios,  
sujeitos, linguagens e objetos, articulando comunicação, cultura, imaginário, tecnologia,  
questões ambientais, economia, territorialidades, direitos e formas de organização  
social.  
Essa diversidade não constitui apenas uma característica formal da coletânea.  
Ela é, em si mesma, uma resposta à questão que orienta o dossiê. Se a Amazônia pensa  
a si mesma, ela o faz por múltiplas vozes, linguagens, territórios e regimes de  
experiência. A autorreflexividade amazônica não se apresenta como uma narrativa  
homogênea, mas como um campo de disputas, negociações, resistências, invenções e  
traduções.  
É nesse horizonte que se insere o artigo “Musicar a Amazônia: performance,  
circulação e territorialidade nos festivais de Parintins e Juruti”, de Vale et al., que  
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examina as formas de enunciação da Amazônia nas performances musicais do Festival  
Folclórico de Parintins e do Festribal de Juruti. Ao perguntar quem pode falar em nome  
da região e por meio de quais dispositivos e mediações culturais, turísticas e midiáticas,  
o estudo evidencia como as performances populares também constituem espaços de  
disputa pela representação da Amazônia.  
A dimensão territorial e as desigualdades de acesso aos meios de comunicação  
são abordadas em “Vozes do Quilombo: comunicação, território e desigualdades  
digitais em Tracuateua (PA)”, de Castro et al. Ao investigar os usos sociais dos  
smartphones em comunidades quilombolas do nordeste paraense, o artigo desloca a  
discussão sobre inclusão digital para as condições concretas de infraestrutura,  
sociabilidade e territorialidade, mostrando que o acesso às tecnologias não pode ser  
dissociado das desigualdades históricas que estruturam os territórios amazônicos.  
A relação entre Amazônia, tecnologia e produção automatizada de imagens  
aparece em “Imaginário amazônico automatizado: signos e representações em  
imagens geradas por Inteligência Artificial”, de Prado et al. O experimento realizado  
com diferentes sistemas de Inteligência Artificial Generativa de Imagens permite  
problematizar não apenas as possibilidades técnicas dessas ferramentas, mas também  
os repertórios imagéticos a partir dos quais a Amazônia é novamente representada. O  
artigo recoloca, em chave contemporânea, uma questão central do dossiê: quais  
imaginários sobre a Amazônia estão sendo produzidos, reproduzidos e automatizados?  
Em “Drags da Amazônia: estética povera e natureza como linguagem visual”,  
Zapata et al. deslocam a discussão para os processos de subjetivação e para a cultura  
drag amazônica. Ao tomar a estética e a imagem midiatizada como objetos de  
investigação, o artigo amplia a compreensão da autorreflexividade amazônica para  
experiências de gênero, performance e criação estética, evidenciando que pensar a  
Amazônia também significa interrogar os corpos, as identidades e as formas dissidentes  
que nela produzem visibilidade.  
A problemática da representação retorna, sob outra perspectiva, em “Qual  
Amazônia cabe em um cartão-postal? Representações, imaginários e regimes de  
visibilidade da Amazônia”, de Marques et al. O cartão-postal é analisado como artefato  
comunicacional capaz de condensar e fazer circular determinadas imagens da região. O  
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artigo permite compreender como determinados regimes de visibilidade selecionam  
aquilo que pode ser mostrado e, simultaneamente, aquilo que permanece fora do  
enquadramento.  
Essa disputa pela produção de narrativas próprias ganha uma dimensão jurídica,  
comunitária e memorial em “Jurisgrafia e escrevivência contra a gramática da morte:  
experiências de autonomia comunitária em Barcarena (Amazônia brasileira)”, de  
Hazeu et al. Ao articular jurisgrafia e escrevivência, o estudo mostra como comunidades  
tradicionais transformam memória, oralidade e sofrimento em formas próprias de  
produção normativa. Trata-se, portanto, de uma reflexão que desloca o direito de seu  
lugar exclusivamente institucional e o aproxima das práticas concretas de existência,  
memória e autonomia comunitária.  
O debate sobre sustentabilidade é problematizado em “Uma análise sobre o uso  
dos recursos semióticos nas estratégias de greenwashing no Brasil”, de Monteiro et al.  
O artigo examina como empresas mobilizam recursos semióticos para construir uma  
imagem de sustentabilidade que pode não corresponder às suas práticas  
socioambientais. A discussão introduz uma dimensão fundamental para o debate  
amazônico: a necessidade de distinguir entre discursos de sustentabilidade e efetivas  
práticas de transformação socioambiental.  
A comunicação indígena ocupa lugar central em “A imanência do político:  
comunicação indígena e presença Mẽbêngôkre-Kayapó nas redes sociais”, de Silva e  
al. Ao analisar a apropriação da internet e das redes sociais pelo povo Mẽbêngôkre-  
Kayapó da Aldeia A’Ukre, o artigo evidencia que as tecnologias digitais não representam  
apenas instrumentos externos de comunicação, mas podem ser apropriadas e  
ressignificadas como espaços de presença, expressão e ação política.  
A relação entre território, produção e sustentabilidade é explorada em  
“Florestas produtivas na Amazônia Legal: avançando pelo debate e possibilidades no  
estado do Pará a partir de uma experiência do TED UFMA/INCRA”, de Araújo Ferreira  
et al. Ao analisar projetos de assentamento no Pará, o estudo contribui para a discussão  
sobre alternativas de desenvolvimento e para a construção de possibilidades que  
articulem produção, território e conservação.  
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O artigo “Quando a comunicação prescinde da palavra: comunicação  
intersensorial e sociabilidades no transporte coletivo urbano”, de Amador de Oliveira  
Dias et al., amplia o próprio conceito de comunicação ao investigar processos sensoriais  
e corporais presentes em situações de copresença. Embora não se restrinja ao território  
amazônico, o artigo contribui para o dossiê ao deslocar a compreensão da comunicação  
para além da linguagem verbal, evidenciando sua dimensão incorporada, espacial e  
sensorial.  
O artigo “O segredo e o sagrado na Amazônia digital: a negociação da  
visibilidade do Tambor de Mina no ciberespaço”, de Rosário Jr., retoma uma tensão  
particularmente significativa para a contemporaneidade: a relação entre aquilo que  
pode ser tornado visível e aquilo que deve permanecer protegido pelo segredo. Ao  
investigar os processos de midiatização do Tambor de Mina, o artigo evidencia que a  
inserção das práticas religiosas no ciberespaço não ocorre sem negociações, tensões e  
transformações.  
Por fim, “Amazônia, vais morrer!”: narrativa regionalista e discurso identitário  
na canção popular da Belém “oitocentista”, de Ribeiro Moreira, apresenta uma leitura  
sobre a canção popular como processo comunicacional e construtor de narrativas e  
discursoss regionalistas na cidade de Belém do Pará nos anos 1980.  
Tomados em conjunto, os trabalhos aqui reunidos permitem perceber que  
pensar a Amazônia a partir da própria Amazônia significa necessariamente enfrentar a  
questão da representação. Trata-se de compreender quem produz imagens, quem  
controla os dispositivos de circulação dos discursos, quais vozes alcançam visibilidade e  
quais permanecem marginalizadas, quais conhecimentos são legitimados e quais são  
historicamente silenciados.  
A comunicação, nesse contexto, não aparece apenas como campo de  
transmissão de informações. Ela constitui um espaço de disputa simbólica, produção de  
territorialidades, construção de identidades, elaboração de memórias e exercício de  
poder. É por meio dela que diferentes sujeitos tornam visíveis suas experiências,  
reivindicam reconhecimento, disputam narrativas e produzem outras possibilidades de  
futuro.  
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Por isso, a pergunta “como a Amazônia pensa a si mesma?” não deve ser  
entendida como uma busca por uma essência amazônica ou por uma identidade  
regional única. Trata-se, antes, de reconhecer a existência de múltiplas Amazônias,  
atravessadas por diferenças culturais, territoriais, sociais, políticas, ambientais e  
estéticas. A autorreflexividade aqui proposta é, portanto, plural, situada e conflitiva.  
O conjunto de artigos evidencia, ainda, que a crise climática não pode ser  
dissociada das disputas narrativas e das relações de poder que definem o que se  
entende por desenvolvimento, sustentabilidade, território e futuro. A Amazônia não é  
apenas cenário das mudanças climáticas: é também lugar de produção de  
conhecimentos, estratégias e experiências capazes de tensionar os modelos  
hegemônicos de desenvolvimento. Essa perspectiva está diretamente relacionada à  
preocupação expressa na chamada com a formulação de estratégias, políticas e  
pesquisas voltadas ao cuidado ambiental e à construção de possibilidades de  
desenvolvimento sustentável.  
Assim, este dossiê procura contribuir para uma mudança de perspectiva: da  
Amazônia representada para a Amazônia que representa; da Amazônia objeto para a  
Amazônia sujeito; da Amazônia narrada para a Amazônia que narra, interpreta, disputa  
e produz conhecimento sobre si mesma.  
Mais do que oferecer respostas definitivas, os textos reunidos aqui abrem  
questões. E talvez seja justamente nessa abertura que resida sua principal contribuição:  
compreender a Amazônia como um campo vivo de produção de sentidos, no qual  
comunicação, cultura, arte, tecnologia, território, sustentabilidade, memória e política  
se encontram e se tensionam.  
É nesse movimento — entre representação e autorrepresentação, território e  
desterritorialização, memória e futuro, visibilidade e segredo, tecnologia e tradição,  
desenvolvimento e sustentabilidade — que este dossiê convida o leitor a pensar com a  
Amazônia, e não apenas sobre a Amazônia.  
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SOBRE O(A) AUTOR(A)  
Fábio Pezzi Parode  
Doutor em Estética pela Université de Paris 1 - Panthéon Sorbonne (2005), mestrado em Ciências da  
Comunicação pela UNISINOS (2000), Especialista em Design Estratégico pela UNISINOS (2008), graduação  
em Comunicação Social Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1992). Tem  
experiência na área de Comunicação, com ênfase em Estética e Comunicação, atuando principalmente  
nos seguintes temas: arte, estética e comunicação, comunicação visual e design. É professor pesquisador  
em Design, Artes Visuais e Estética, com publicações na área; realiza pesquisa sobre audiovisual, estética  
e processos minoritários. Foi editor do periódico científico Strategic Design Research Journal,  
Pesquisa CNPq Semiótica e Estudos da Comunicação - GPESC, liderado pelo profa. Dra. Nísia Martins do  
Rosário - UFRGS; realizou pós-doutorado sobre o tema Arte e Design com supervisão da prof. Dra. Icleia  
Borsa Cattani, do programa de pós-graduação em Artes da UFRGS, realizou pós-doutorado na  
Universidade Federal do Ceará, Centro de Humanidades (Comunicação) sobre Estética, Comunicação e  
Poder com supervisão do prof. Dr. Osmar Gonçalves. Realizou pós-doutorado no Instituto Nacional de  
Ciência e Tecnologia - INCT com coordenação do prof. Dr. Afonso Albuquerque e supervisão do prof. Dr.  
Diógenes Lycarião Barreto de Sousa. Possui Licenciatura em Artes Visuais pela Uninter.  
Marina Ramos Neves de Castro  
Professora da Faculdade de Comunicação da UFPA. Doutora em Antropologia pelo Programa de Pós-  
Graduação em Antropologia - PPGA (Nota 5 Capes) da Universidade Federal do Pará. Mestre em Artes  
pelo PPGArtes (Nota 4 Capes) do Instituto de Ciências das Artes e mestre em Estudos das Sociedades  
Latino-Americanas - Opção Comunicação, pela Université de la Sorbonne Nouvelle (Paris 3). Realizou  
estágio doutoral no Departamento de Antropologia do University College London, com o Prof. Daniel  
Miller a partir do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior - com apoio da CAPES. Coordena, desde  
2018, o grupo de pesquisa certificado pelo CNPQ Socialidades, Intersubjetividades e Sensibilidades  
Amazônicas – SISA  
Fábio Fonseca de Castro  
Professor titular da Universidade Federal do Pará, vinculado ao Núcleo de Altos Estudos Amazônicos.  
Bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e  
Tecnológico (CNPq). Professor e atual coordenador do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento  
Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU). Professor colaborador no Programa de Pós-graduação  
Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM). Foi professor visitante (visiting scholar) no Departamento  
de Sociologia da Universidade de Cambridge e conferencista da London School of Economics em 2017-18.  
Pós-doutor em Etnometodologia pela Universidade de Montreal (2014). Doutor em Sociologia pela  
Universidade da Sorbonne (Paris V Descartes) (2004). Mestre em Antropologia e Estudo das Sociedades  
Latino-Americanas pela Universidade de Sorbonne-Nouvelle) (2000). Mestre em Comunicação pela  
Universidade de Brasília (1995). Graduado em Comunicação-Jornalismo pela UFPA (1990). Vice-líder do  
Grupo de Pesquisa Socialidades, Intersubjetividades e Sensibilidades Amazônicas (SISA) e líder do Grupo  
de Pesquisa sobre Ontologias do Desenvolvimento (ONDE), no CNPq.  
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COMO CITAR ESTE ARTIGO  
PARODE, Fábio; CASTRO, Marina Ramos Neves de Castro; CASTRO , Fábio Fonseca de. Editorial - Como a  
Amazônia pensa a si mesma: comunicação, territórios, imaginários e disputas de visibilidade. Passagens:  
Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza,  
v. 17, n. especial, p. e102792 , 2026. Disponível em:  
RECEBIDO EM: 16/10/2026  
ACEITO EM: 16/10/2026  
PUBLICADO EM: 16/10/2026  
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional  
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