ISSN 2179-9938  
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O SEGREDO E SAGRADO NA AMAZÔNIA DIGITAL: A  
NEGOCIAÇÃO DA VISIBILIDADE DO TAMBOR DE MINA NO  
CIBERESPAÇO  
THE SECRET AND THE SACRED IN THE DIGITAL AMAZON:  
NEGOTIATING THE VISIBILITY OF TAMBOR DE MINA IN  
CYBERSPACE  
LO SECRETO Y LO SAGRADO EN LA AMAZONÍA DIGITAL: LA  
NEGOCIACIÓN DE LA VISIBILIDAD DEL TAMBOR DE MINA EN EL  
CIBERESPACIO  
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Arlindo Figueiredo do Rosário Júnior  
Universidade Federal do Pará  
Resumo: Este artigo investiga as relações entre segredo e sagrado nas práticas do Tambor de Mina  
na Amazônia, analisando tensões e transformações diante da midiatização e da presença no  
ciberespaço. A pesquisa apoia-se em revisão bibliográfica e em netnografia, com análise de registros  
audiovisuais, acervos digitais e conteúdos disponíveis em plataformas online. Os resultados indicam  
que, enquanto algumas casas matrizes mantêm controle rigoroso sobre o que pode ser divulgado,  
outras linhagens passaram a compartilhar imagens e saberes antes restritos, produzindo novas  
formas de visibilidade. Conclui-se que a exposição midiática não implica necessariamente perda do  
sagrado, mas sua ressignificação, na qual o segredo se reconfigura como critério que continua a  
ordenar o que se mostra e o que se preserva. O estudo contribui para os campos da antropologia da  
religião, comunicação e etnografia digital.  
Palavras-chave: Tambor de Mina; segredo; sagrado; ciberespaço; Amazônia.  
Abstract: This article investigates the relationship between secrecy and the sacred within Tambor de  
Mina practices in the Amazon, analyzing tensions and transformations arising from mediatization  
and the religion's presence in cyberspace. The research draws on a literature review and  
netnography, incorporating an analysis of audiovisual records, digital archives, and content available  
on online platforms. The results indicate that while some mother houses maintain strict control over  
what may be disclosed, other lineages have begun sharing previously restricted images and  
knowledge, thereby generating new forms of visibility. The study concludes that media exposure  
does not necessarily entail a loss of the sacred but rather its resignification, wherein secrecy is  
reconfigured as a criterion that continues to govern what is revealed and what is preserved. This  
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work contributes to the fields of the anthropology of religion, communication studies, and digital  
ethnography.  
Keywords: Tambor de Mina; secrecy; sacred; cyberspace; Amazon.  
Resumen: Este artículo investiga las relaciones entre lo secreto y lo sagrado en las prácticas del  
Tambor de Mina en la Amazonía, analizando las tensiones y transformaciones frente a la  
mediatización y la presencia en el ciberespacio. La investigación se basa en una revisión bibliográfica  
y en la netnografía, con el análisis de registros audiovisuales, colecciones digitales y contenidos  
disponibles en plataformas en línea. Los resultados indican que, mientras que algunas casas matrices  
mantienen un control riguroso sobre lo que se puede divulgar, otros linajes han comenzado a  
compartir imágenes y conocimientos que antes estaban restringidos, generando nuevas formas de  
visibilidad. Se concluye que la exposición mediática no implica necesariamente la pérdida de lo  
sagrado, sino su resignificación, en la que el secreto se reconfigura como un criterio que sigue  
ordenando lo que se muestra y lo que se preserva. El estudio contribuye a los campos de la  
antropología de la religión, la comunicación y la etnografía digital.  
Palabras clave: Tambor de Mina; secreto; lo sagrado; ciberespacio; Amazonía.  
1 INTRODUÇÃO  
Este artigo tem como objetivo central investigar as possíveis relações entre os  
conceitos de segredo e sagrado nas práticas do Tambor de Mina na região amazônica,  
com especial atenção aos diálogos, tensões e transformações desses elementos diante  
da crescente midiatização e exposição no ciberespaço.  
O Tambor de Mina, também conhecido como Mina1, é uma tradição de origem  
africana ligada à história e cultura do Maranhão e do Pará. Com origem no contexto do  
tráfico negreiro e no apogeu da economia da borracha, a prática do Tambor de Mina é  
um meio de resistência e preservação das tradições culturais e religiosas  
afrodescendentes.  
As mulheres africanas escravizadas no Maranhão trouxeram não apenas sua  
força de trabalho, mas também sua rica herança espiritual e cultural. No ambiente  
opressivo da escravidão, fundaram a Casa das Minas Jeji e a Casa de Nagô Abioton2,  
onde mantiveram e adaptaram suas práticas religiosas. Ambas direcionavam suas  
práticas religiosas às entidades africanas de diferentes nações. No entanto, a Casa de  
1
É uma abreviação do nome oficial da religião. Este termo é usado principalmente por praticantes de  
religiões de matriz africana como forma de mostrar familiaridade com a religião.  
2 As duas primeiras casas de Tambor de Mina fundadas no Maranhão.  
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Nagô Abioton se destacou por abrir espaço para o culto de entidades ameríndias,  
diversificando assim o escopo ritualístico.  
É importante ressaltar que, ao contrário da Casa de Nagô, a Casa das Minas não  
formalizou uma linhagem de descendentes. Infelizmente, com o falecimento das últimas  
voduncis3, herdeiras dessa casa, a tradição oral do culto entrou em declínio. Essa  
situação nos leva a considerar que, nos dias atuais, não existem mais casas de Tambor  
de Mina Jeje propriamente ditas. Em vez disso, encontramos terreiros que, com base  
em conhecimentos externos à Casa das Minas, se dedicam ao culto das entidades Jejes.  
A pesquisa fundamenta-se em uma revisão bibliográfica abrangente,  
mobilizando teóricos da semiótica (Saussure, 2010), da comunicação (Baitello Júnior,  
2014; Baitello Júnior & Soares, 2023), da fenomenologia da religião (Eliade, 2001; Otto,  
2007) e das ciências sociais aplicadas ao campo religioso afro-brasileiro (Bastide, 1961;  
Ferretti, 2009; Prandi, 2001; Santos, 2012; Silva, 2000). Esses autores fornecem  
subsídios para analisar tanto a estrutura simbólica do sagrado quanto o papel do  
segredo como guardião do conhecimento iniciático e mecanismo de coesão  
comunitária.  
O estudo adota como procedimento central a netnografia (Kozinets, 2014),  
adaptada para a investigação de comunidades religiosas virtuais. Analisam-se registros  
audiovisuais  
disponíveis  
em  
plataformas  
digitais  
(especialmente  
YouTube),  
documentários históricos, como os da Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de  
Andrade, 1938, acervos de museus digitais (MAVAM e Museu Afro-Digital do Maranhão)  
e conteúdos produzidos por lideranças religiosas do Pará e do Maranhão. A escolha por  
esses materiais justifica-se pela possibilidade de observar, de forma diacrônica, como o  
Tambor de Mina tem se representado e negociado sua visibilidade pública sem perder  
de vista as dimensões secretas que lhe são constitutivas.  
Os objetivos específicos incluem: (a) identificar como as categorias de segredo e  
sagrado são articuladas nas práticas e discursos dos terreiros estudados (com ênfase no  
Terreiro Dois Irmãos, em Belém, e nas casas matrizes maranhenses); (b) comparar as  
3
É um termo exclusivamente usado para mulheres praticantes do ritual de Tambor de Mina (Ferretti,  
2000, p. 205).  
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estratégias de preservação do sigilo adotadas por diferentes linhagens, notadamente a  
distinção entre as tradições mais reservadas (Casa das Minas, Casa de Nagô) e aquelas  
que promoveram aberturas midiáticas; (c) refletir sobre os desafios e oportunidades  
colocados pelo ciberespaço para a manutenção dos conhecimentos sagrados diante da  
iconofagia contemporânea (Baitello Júnior, 2014).  
Ao tensionar a tradição do segredo, que historicamente protegeu as práticas  
afro-religiosas da repressão, com a atual exposição em redes sociais e plataformas de  
vídeo, o artigo problematiza se a midiatização implica perda ou ressignificação do  
caráter iniciático. Os resultados sugerem que, enquanto algumas casas matrizes  
mantêm rigoroso controle sobre o que pode ser registrado, lideranças descendentes  
têm rompido parcialmente com o sigilo, produzindo novos regimes de visibilidade que  
não anulam o sagrado, mas o reconfiguram. A pesquisa contribui, assim, para os campos  
da antropologia da religião, da comunicação e da etnografia digital, oferecendo meio  
para a compreensão das transformações contemporâneas das religiosidades de matriz  
africana na Amazônia.  
2 O TAMBOR DE MINA NA AMAZÔNIA: POSSÍVEIS DIÁLOGOS ENTRE SEGREDO E  
SAGRADO.  
O Tambor de Mina se destaca pela sua rica tradição, seus rituais e influências  
culturais. Do Maranhão, este culto se espalhou para outras regiões, principalmente para  
os mais variados estados da Amazônia, onde adquiriu características diversas. A prática  
desta religiosidade remonta ao período da escravidão, quando africanos sequestrados  
para o Brasil e foram proibidos de exercer suas religiões tradicionais. Para preservar suas  
crenças, eles criaram espaços secretos, onde podiam realizar seus rituais em  
homenagem a Deuses.  
Duas casas de culto desempenharam papéis cruciais na formação do Tambor de  
Mina: a Casa das Minas e a Casa de Nagô. A Casa das Minas, em particular, é notável por  
sua prática de culto às entidades espirituais conhecidas como voduns. A genealogia  
desta religião está diretamente ligada à ancestralidade africana, especialmente à região  
do antigo reino de Daomé, atual Benim. Líderes religiosos e pesquisadores têm  
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explorado as interconexões entre as práticas do Tambor de Mina e as tradições voduns  
(Ferretti, 2009, p. 54).  
No Pará, esta religiosidade se reconfigurou, incorporando elementos da  
memória e identidade local. O Terreiro Dois Irmãos, por exemplo, único terreiro  
centenário em atividade em Belém do Pará, é um espaço onde se observa a fusão da  
cultura afro- brasileira com a realidade amazônica. Nele, se cultua os povos encantados  
tanto no Pará quanto no Maranhão.  
Figura 1 – Religiosas preparando bebida sagrada  
Fonte: Plataforma YouTube.  
.
A pesquisadora Anaiza Vergolino em um dos documentários sobre este terreiro,  
afirma que o Pará deita raízes no Maranhão, mas esta herança dos encantados do  
Tambor de Mina no Brasil é uma especialidade do Maranhão e do Pará, não tendo  
ligação nenhuma com os caboclos da umbanda como no Rio de Janeiro (Lamparina  
Filmes, 2022). Na figura acima, observa-se o print do documentário em que as  
praticantes de Tambor de Mina preparando um ofurá, bebida sagrada feita com o suco  
do coco, distribuido em ritual interno. Ao gravar um audiovisual mostrando o preparo  
de uma bebida sagrada, nasce o questionamento acerca do segredo presente no  
sagrado.  
A identidade afro-brasileira resulta da combinação de influências africanas,  
indígenas e europeias, essas tradições contêm práticas e simbolismos que expressam  
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essa fusão cultural. Nessas práticas, o segredo e o sagrado mantêm a coesão  
comunitária e permitem a transmissão do conhecimento religioso.  
Nas tradições afro-brasileiras, o sagrado se relaciona ao divino e ao  
transcendental, embora o divino se confunda com elementos da natureza. Lugares,  
objetos e práticas são consagrados e tratados com reverência. O sagrado conecta os  
praticantes aos orixás e entidades espirituais, funcionando como um “portal para o  
mundo espiritual” (Lima, 2023, p. 132).  
O segredo protege o conhecimento sagrado. Iniciações, rituais e informações  
sobre os orixás são mantidos em segredo e acessíveis somente aos iniciados. O segredo  
preserva a integridade das práticas e ensinamentos, garantindo sua transmissão correta  
e respeitosa. A relação entre segredo e sagrado é dialógica: o segredo protege o  
sagrado, e o sagrado confere importância ao segredo. Juntos, formam um sistema de  
conheciento tradicional que permite a preservação e a adaptação da identidade afro-  
brasileira ao longo do tempo. Os conceitos de segredo e sagrado estruturam as práticas  
tradicionais e reforçam a identidade cultural e a resiliência comunitária. Com esses  
conceitos, as religiões afro-brasileiras permanecem como testemunho da cultura  
brasileira.  
Para compreender o sagrado na Etnologia, Saussure (2010) contribui por meio  
da semiótica. Para esse autor, o signo é composto por significante (imagem acústica) e  
significado (conceito). O sagrado pode ser visto como um signo que carrega significado  
coletivo profundo e é marcado por significantes específicos em cada cultura. No Tambor  
de Mina, os “assentamentos” são exemplos de significantes que indicam a presença  
física do orixá, semelhante ao “sacrário” na igreja católica, local acessível apenas a  
sacerdotes preparados. Saussure (2010) enfatiza a natureza arbitrária dos signos,  
permitindo compreender como diferentes culturas atribuem significados variados ao  
sagrado. A análise etnológica do sagrado, com base na semiótica saussuriana, revela a  
dinâmica entre significante e significado e como essa dinâmica molda a identidade  
cultural e a coesão social.  
O pensamento de Saussure remete ao conceito de iconofagia de Baitello Júnior  
(2014) e Baitello Júnior & Soares (2023). Esse conceito descreve a “devoração” das  
imagens pela sociedade. Os autores argumentam que as imagens são consumidas em  
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massa e impactam física e psicologicamente as pessoas. A iconofagia indica que as  
imagens não apenas representam, mas também podem “engolir” a realidade,  
influenciando ou substituindo experiências diretas com o mundo.  
Enquanto Saussure foca na estrutura e na relação entre significante e significado,  
Baitello Júnior e Soares (2023) enfatizam o efeito das imagens sobre o indivíduo e a  
sociedade. No estudo do sagrado, a iconofagia pode ser entendida como o processo de  
consumo das imagens sagradas e sua influência sobre práticas culturais e religiosas. As  
imagens sagradas, como signos poderosos e carregados de significado coletivo, são  
particularmente suscetíveis à iconofagia. Saussure (2010) auxilia na compreensão da  
estrutura e do significado do sagrado como signo cultural; Baitello Junior & Soares  
(2023) alertam para o poder das imagens sagradas na era da iconofagia, em que elas  
podem dominar e alterar a percepção da realidade sagrada. Juntos, esses conceitos  
oferecem uma visão sobre como o sagrado é representado, percebido e influenciado na  
comunicação e na cultura contemporânea.  
Para compreender o sagrado, recorremos a Eliade (2001), que distingue o  
sagrado do profano e identifica o sagrado como manifestação do “totalmente outro”,  
uma realidade que transcende o mundo comum. Já Rudolf Otto (2007) introduz o termo  
“numinoso” para descrever a experiência do sagrado como essência da experiência  
religiosa.  
Eliade (2001) apresenta uma análise comparativa das experiências religiosas,  
propondo que o sagrado é uma dimensão essencial da consciência humana. Para ele, a  
manifestação de hierofanias são atos pelos quais o sagrado se revela ao homem:  
O homem toma conhecimento do sagrado porque este se manifesta, se  
mostra como algo absolutamente diferente do profano. A fim de indicarmos  
o ato da manifestação do sagrado, propusemos o termo hierofania. Este  
termo é cômodo, pois não implica nenhuma precisão suplementar: exprime  
apenas o que está implicado no seu conteúdo etimológico, a saber, que algo  
de sagrado se nos revela. Poder-se-ia dizer que a história das religiões – desde  
as mais primitivas às mais elaboradas – é constituída por um número  
considerável de hierofanias, pelas manifestações das realidades sagradas  
(Eliade, op. cit, p. 13).  
Essas manifestações podem ocorrer em objetos, lugares, ou tempos específicos  
que, por sua vez, tornam-se sagrados por serem o local da manifestação do divino. Ele  
argumenta que o espaço sagrado é qualitativamente diferente do espaço profano, onde  
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o primeiro é estruturado e hierarquizado, sendo o centro do mundo para aqueles que o  
habitam, enquanto o segundo é homogêneo e indefinido, muito embora eles não  
possam ser pensados separadamente.  
Já para Otto (2007) o conceito central é o “numinoso”, derivado da palavra latina  
“numen”, que significa divindade. Ele usa esse termo para descrever uma experiência  
religiosa primária que é imediata e intensa, caracterizada por um misto de fascínio e  
tremor diante do sagrado. Otto (2007, p. 37), “detectar e reconhecer algo como sendo  
‘sagrado’ é, em primeiro lugar, uma avaliação peculiar que, nesta forma, ocorre somente  
no campo religioso”. Ele descreve o numinoso como tendo três componentes principais:  
o “Mysterium”, onde o sagrado é completamente outro, diferente de tudo o que é  
mundano e não pode ser completamente compreendido. O “Tremendum”, onde a  
experiência do sagrado é acompanhada por um sentimento de temor e reverência. E  
por último o “Fascinans”, que apesar do temor, o sagrado atrai e fascina o indivíduo,  
exercendo um poderoso chamado. Para Otto (op. cit, p. 150), o “sagrado, no sentido  
pleno da palavra, é para nós, portanto, uma categoria composta. Ela apresenta  
componentes racionais e irracionais”.  
Segundo Otto (2007) argumenta que o sagrado contém elementos tanto  
racionais quanto irracionais e não se confunde com a pureza moral ou com os elementos  
de uma ética religiosa, mas é uma categoria própria que transcende a compreensão  
racional.  
Rudolf Otto e Mircea Eliade oferecem visões distintas e influentes sobre como o  
sagrado é experimentado e compreendido dentro do contexto religioso. Enquanto Otto  
foca na experiência interna do indivíduo diante do sagrado, Eliade se concentra na  
manifestação externa do sagrado e em como ela estrutura a compreensão do mundo.  
Otto (2007) está interessado na reação pessoal e inefável ao sagrado, enquanto  
Eliade (2001) analisa como o sagrado é incorporado nas práticas e crenças religiosas. A  
abordagem de Otto (2007) destaca a experiência subjetiva do sagrado, enquanto Eliade  
(2001) adota uma perspectiva mais fenomenológica, examinando as manifestações  
objetivas do sagrado. Ambas as teorias são complementares, oferecendo uma visão  
holística que abrange tanto a experiência pessoal quanto a expressão cultural do  
sagrado. É importante considerar tanto as experiências internas quanto as  
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manifestações externas do sagrado para uma compreensão completa do fenômeno  
religioso.  
O sagrado no Tambor de Mina é vivenciado por meio de rituais que incluem  
música, dança e possessão, onde as entidades cultuadas se manifestam nos  
participantes, oferecendo proteção e orientação. Buscamos considerar que a  
experiência do sagrado no Tambor de Mina ecoa o conceito de numinoso de Otto  
(2007). Os praticantes desta religião de matriz africana experimentam um profundo  
respeito e temor reverencial durante os rituais, semelhante ao “tremendum” descrito  
por este autor. Ao mesmo tempo, a presença dos orixás traz um elemento de fascínio e  
atração, alinhando-se com o “fascinans”.  
Ao analisar o sagrado na perspectiva de Rudolf Otto e sua relação com o Tambor  
de Mina, nos é revelada uma compreensão compartilhada do divino como uma presença  
poderosa e transformadora. Tanto Otto (2007) quanto as práticas afro- religiosas  
destacam a importância do sagrado como uma experiência que transcende as estruturas  
e convenções sociais, moldando a vida espiritual e comunitária dos indivíduos. Apesar  
das diferenças culturais e históricas, há uma dinâmica universal na maneira como o  
sagrado é vivenciado, seja na teoria de Otto (2007) ou nas práticas do Tambor de Mina.  
A continuidade dessas tradições religiosas atesta a persistência do sagrado como uma  
dimensão fundamental da experiência humana.  
Em nosso levantamento teórico, observamos o forte entrelaçamento entre o  
conceito de segredo e sagrado. A iniciação às portas fechadas, a proteção espiritual,  
conhecimento do oculto, dentre outros elementos, atestam a presença de uma relação  
entre segredo e sagrado. Os iniciados passam por treinamento rigoroso, aprendendo  
cânticos, danças e rituais às portas fechadas. O conhecimento oculto possui imenso  
poder e, restringindo o acesso às práticas sagradas, o segredo amplifica sua eficácia e  
somente os iniciados podem acessar essa potência. A Coesão Comunitária se dá porque  
o segredo fomenta um senso de pertencimento, pois os iniciados formam uma  
comunidade unida por conhecimento e experiências compartilhadas.  
A ideia de segredo nas religiões afro-diaspóricas é frequentemente relacionada  
a práticas ritualísticas, conhecimentos doutrinários e à própria organização interna  
dessas religiões. Santos (2012) discute a importância do segredo e do mistério nas  
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práticas religiosas dos Nàgô, uma denominação que os próprios praticantes de origem  
africana no Brasil utilizam para se referir a si mesmos, e que a etnologia moderna associa  
aos Yorùbá. Santos (2012) apresenta uma análise etnológica detalhada sobre a  
concepção da morte, suas instituições e mecanismos rituais, como expressos e  
elaborados simbolicamente por essas comunidades. A pesquisadora enfatiza que o  
segredo é um componente integral da religiosidade Nàgô. Ele não é apenas uma  
ferramenta para a preservação do conhecimento, mas também serve como um meio de  
fortalecer a coesão comunitária e a identidade religiosa. O segredo mantém a  
sacralidade dos rituais e assegura que o conhecimento seja transmitido de maneira  
controlada e respeitosa dentro da hierarquia iniciática (Santos, 2012).  
A autora explora como o mistério envolve a concepção da morte nas práticas  
Nàgô. A morte não é vista como um fim, mas como uma transição para um estado  
espiritual diferente, onde os Égun (espíritos desencarnados) continuam a influenciar o  
mundo dos vivos. Os rituais associados ao culto Égun são envoltos em mistério,  
refletindo a complexidade da relação entre os vivos e os mortos e o respeito profundo  
pelos ancestrais. Os rituais Nàgô, como o Pàde e o Àsèsè, são descritos por Santos (2012)  
como altamente simbólicos e codificados, com significados que são revelados apenas  
aos iniciados. Cada elemento do ritual, desde os cantos até os movimentos e oferendas,  
carrega um significado profundo que é protegido pelo véu do segredo.  
Bastide (1961) abordou a questão do segredo como um elemento central na  
transmissão do conhecimento religioso. Em sua análise, ele reconheceu que o segredo  
é fundamental para a manutenção da conexão e da continuidade dessas tradições  
religiosas. O segredo não é apenas como uma questão de conhecimento místico, mas  
também como uma estrutura social que define os limites entre os iniciados e os não-  
iniciados. Ele argumentava que o segredo cria uma barreira que protege o  
conhecimento sagrado de ser banalizado ou mal interpretado por aqueles que não estão  
preparados para compreendê-lo.  
Para Bastide (1961), o segredo também estabelece uma hierarquia dentro das  
comunidades religiosas. A transmissão de conhecimento é cuidadosamente controlada  
e ocorre de maneira gradativa, à medida que o indivíduo avança nos níveis de iniciação.  
Essa progressão assegura que o conhecimento seja transmitido de forma responsável e  
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respeitosa. Bastide (1961) explorou como o segredo interage com o sincretismo nas  
religiões afro-brasileiras. Compreendendo que a fusão de diferentes tradições religiosas,  
muitas vezes serve como uma camada externa que pode ocultar práticas e crenças mais  
profundas, reservadas apenas para os iniciados e assim, o segredo preserva a  
integridade do núcleo místico da religião.  
Prandi (2001), aborda a questão do segredo como um elemento fundamental na  
iniciação e na prática religiosa dessas tradições. Ele observa que o processo de iniciação  
é cercado por um véu de segredo que serve para proteger os conhecimentos sagrados  
e as práticas rituais das influências externas. Este segredo não é apenas uma forma de  
preservar a integridade e a autenticidade das práticas, mas também funciona como um  
mecanismo de fortalecimento da identidade religiosa e da solidariedade comunitária.  
O segredo estabelece uma hierarquia dentro dos terreiros, onde o conhecimento  
é transmitido de maneira gradativa e controlada. Apenas os iniciados em determinados  
níveis têm acesso a certos aspectos do conhecimento religioso, o que reforça a estrutura  
hierárquica e a autoridade dos líderes espirituais. Prandi (op. cit, p. 447) destaca que o  
segredo é também uma forma de conhecimento esotérico, que é acessível apenas para  
aqueles que passaram por um rigoroso processo de aprendizado e iniciação. Esse  
conhecimento esotérico é considerado poderoso e, por isso, deve ser manuseado com  
responsabilidade e respeito.  
Silva (2000), que em sua pesquisa, analisa como o segredo e o conhecimento  
religioso é mantido e transmitido dentro das comunidades religiosas afro-brasileiras.  
Esses pesquisadores, entre outros, contribuem para uma compreensão mais profunda  
de como o segredo é mantido e valorizado nas religiões de matriz africana, e como ele  
desempenha um papel crucial na manutenção da identidade e da coesão dentro dessas  
tradições espirituais. A literatura acadêmica sobre o assunto é vasta e continua a  
crescer, refletindo a riqueza e a complexidade dessas práticas religiosas.  
Silva (2000) analisa o segredo como um elemento de coesão dentro das  
comunidades religiosas afro-brasileiras. Ele observa que o segredo serve para proteger  
os conhecimentos sagrados e as práticas rituais das influências externas, garantindo que  
sejam transmitidos de maneira controlada e respeitosa dentro da hierarquia iniciática.  
Segundo o autor, o conhecimento religioso é acessível apenas aos iniciados que  
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passaram por um rigoroso processo de aprendizado. Este conhecimento é considerado  
poderoso e, por isso, deve ser manuseado com responsabilidade e respeito. Aqui, o  
segredo não é apenas uma forma de preservar o conhecimento, mas também um  
mecanismo de fortalecimento da identidade religiosa e da solidariedade comunitária.  
Sérgio Ferretti (2009) apresenta o Tambor de Mina como uma religião que possui  
aspectos estritamente reservados aos iniciados no culto. O pesquisador observou que  
os rituais de iniciação desta religião são realizados de maneira discreta, sem grande  
divulgação para o público. Estes ritos ocorrem em terreiros e são acessíveis apenas a um  
número limitado de pessoas, geralmente aquelas que estão sendo iniciadas ou que já  
possuem um grau elevado dentro da hierarquia religiosa. O conhecimento doutrinário  
no Tambor de Mina é cuidadosamente guardado e transmitido apenas aos que recebem  
a iniciação completa que inclui o entendimento profundo dos orixás, voduns e dos  
rituais e cantos específicos que são parte integrante da prática religiosa.  
Verificamos que o segredo e o mistério desenvolvido em torno de muitos  
assuntos, especialmente em relação aos vodus, talvez seja responsável pela  
perda de parte do conhecimento. Com todo esse mistério muita coisa não foi  
revelada as mais novas, talvez mesmo por certo egoísmo das antigas pois  
saber é poder, como dizem. Com a morte das mais velhas muitos segredos  
não foram transmitidos e acabaram desaparecendo ou sendo esquecidos. A  
descrição, o segredo e o mistério excessivo contribuíram assim, a nosso ver,  
para a perda de muitas formas de conhecimento religioso tradicional e  
secreto na casa das minas em outros grupos (Ferretti, 2009, p.90).  
Com base em nossas experiências em casas de Tambor de Mina no Maranhão e  
no Pará, compreendemos que o segredo é uma característica fundamental desta  
religião. Ele atua como um mecanismo de preservação cultural, protegendo as tradições  
e práticas religiosas de influências externas que poderiam comprometer sua  
autenticidade. A natureza reservada do Tambor de Mina é comparável à de sociedades  
secretas, envolvendo conhecimentos e rituais que são cuidadosamente guardados e  
transmitidos apenas aos iniciados.  
Os conhecimentos no Tambor de Mina, incluindo informações detalhadas sobre  
os voduns, orixás e encantados, bem como os detalhes dos rituais e cerimônias, são  
estritamente reservados aos iniciados. Essa prática de manter segredos assegura que o  
conhecimento sagrado seja protegido e transmitido de maneira controlada e respeitosa.  
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Elementos secretos como cantos, danças e símbolos ritualísticos são passados de  
geração em geração por sacerdotes e sacerdotisas.  
A comparação do Tambor de Mina com sociedades secretas se deve ao seu  
caráter reservado e à importância da manutenção dos segredos. Tal como em  
sociedades secretas, onde o conhecimento é compartilhado apenas com iniciados, no  
Tambor de Mina a revelação dos segredos é gradual e controlada pelos líderes religiosos  
(Ferretti, 2009). A prática do segredo no Tambor de Mina exemplifica a importância da  
preservação cultural e a proteção das tradições religiosas. Considerando o histórico de  
opressão dessa religião, que nunca teve a oportunidade de ser protagonista de sua  
própria história, hoje num mundo midiatizado, elas podem mostrar suas características  
e sua identidade, sem precisar que pessoas de outras religiões ou culturas possam  
apresentá-las, como acontecia nos séculos passados. Isso nos leva a questionar como  
esses segredos religiosos são mantidos e protegidos no ciberespaço, que é um um  
mundo onde a informação é cada vez mais acessível, e por isso nos convida a entender  
como os segredos dessas religiões se comportam no ciberespaço.  
3
PRIMEIROS PASSOS PARA UMA NETNOGRAFIA DO TAMBOR DE MINA  
De acordo com Otto (2007, p. 35), “se existe um campo da experiência humana  
que apresente algo próprio, que apareça somente nele, esse é o campo religioso”,  
motivo pelo qual o campo religioso tem uma vasta área a ser explorada. Diversos  
especialistas trabalham para esclarecer e interpretar o campo religioso, abordando suas  
perspectivas teóricas. Para fornecer um embasamento na compreensão do campo  
religioso virtual, algumas dessas teorias são direcionadas ao campo religioso offline.  
Segundo Bourdieu (2007), o campo religioso é um sistema composto por  
posições sociais e relações de poder, onde agentes e instituições competem pelo  
controle de recursos valiosos como autoridade religiosa e capital simbólico. O campo  
religioso é um sistema composto por posições sociais e relações de poder onde agentes  
e instituições competem pelo controle sobre recursos valiosos como autoridade  
religiosa  
e
capital  
simbólico.  
Destacadamente,  
Bourdieu  
(2007)  
examina  
minuciosamente a forma como as instituições religiosas burocráticas atuam para  
monopolizar esta área em contestação.  
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A teoria de Bourdieu sobre o campo religioso é incorporada em sua análise  
abrangente dos domínios sociais, que são espaços estruturados por posições ocupadas  
por indivíduos e instituições com propriedades específicas. Ou seja, Bourdieu (2007),  
entende este campo como um local de disputas entre atores sociais. A pesquisa no  
campo da netnografia, está localizada dentro do ciberespaço, em contraposição ao  
campo físico, que representa o espaço concreto e tangível onde se pode conduzir a  
observações e interações diretas. O que distingue esses dois campos fundamentalmente  
é a natureza das interações e dos ambientes. O campo físico representa o espaço  
material onde o pesquisador conduz a etnografia tradicional, imergindo-se em uma  
comunidade ou cultura específica para observar e participar diretamente das práticas  
sociais e culturais (Mesquita, 2018, p. 137).  
O campo netnográfico é o ambiente virtual, abrangendo fóruns online, redes  
sociais, blogs e outros espaços digitais, nos quais o pesquisador observa e interage com  
as comunidades virtuais para investigar suas práticas culturais e sociais. Enquanto a  
etnografia tradicional demanda a presença física do pesquisador no local de estudo, a  
netnografia possibilita que o pesquisador participe e colete dados das comunidades  
online sem a necessidade de deslocamento físico, utilizando ferramentas digitais para a  
coleta e análise de dados. Ambos os campos são preciosos para a compreensão das  
dinâmicas culturais e sociais, cada um com suas próprias metodologias e abordagens  
adaptadas ao contexto de estudo (Kozinets, 2014).  
Ao longo do processo histórico do Tambor de Mina, podemos identificar algumas  
etnografias que detalharam esta prática religiosa nos seus mais variados aspectos. Ao  
final da década de 1940, a obra "Tambor de Mina e Tambor de Crioula", escrita por  
Alvarenga (1948), foi o objeto das primeiras incursões no campo dos estudos voltados à  
afro-religiosidade maranhense. Além disso, nesse mesmo período, é notável a  
publicação chamada "A Casa das Minas", que, de acordo com Pereira (1947), constituiu  
uma importante contribuição para a compreensão das sobrevivências do culto dos  
voduns e do panteão daomeano no estado do Maranhão. O trabalho seminal de Pierre  
Verge (1990), no qual ele relata sua visita à "Casa das Minas" em 1947, é outro trabalho  
relevante na construção da identidade do Tambor de Mina.  
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A partir da segunda metade da década de 1970, pesquisadores passaram a  
apresentar textos etnográficos sobre afro-religiosidade em diferentes localidades da  
Amazônia. O casal Leacock (1975) estabeleceu características distintivas da encantaria  
dos turcos nos terreiros de Tambor de Mina em Belém do Pará. Destaca- se também a  
dissertação de mestrado intitulada "Tambor das Flores", defendida e publicada em 1976  
na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Esse trabalho pioneiro abordou a  
federação espírita umbandista dos cultos afro-brasileiros no Estado do Pará durante os  
anos de 1965 a 1975, conforme investigado por Silva (2015). Posteriormente, a temática  
do Tambor de Mina tornou-se objeto de estudo em outra dissertação de mestrado,  
apresentada no programa de pós-graduação em antropologia do Departamento de  
Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco. A pesquisa intitulada  
"Revisitando o Tambor das Flores" propõe uma etnografia do campo afro-religioso e  
explora as complexas relações de poder dentro da instituição mais antiga da  
religiosidade afro-paraense, a FEUCABEP (Luca, 2003). Esses dois trabalhos  
desempenham um papel fundamental nas pesquisas africanistas e contribuem para a  
construção e compreensão da identidade afro-religiosa no contexto específico do Pará.  
Em São Luís do Maranhão, Além da Casa das Minas e da Casa de Nagô, dois  
terreiros desempenham um papel fundamental na trajetória do Tambor de Mina: o  
“Terreiro do Egito” e o “Terreiro da Turquia”. O primeiro, por meio do protagonismo de  
Jorge Itaci de Oliveira e Euclides Menezes Ferreira, deu origem a duas tradições distintas  
que muito influenciaram o Tambor de Mina do Maranhão. Já o “Terreiro da Turquia”,  
cuja linhagem remonta a Anastácia e se estende até os dias atuais com Pai Fernando de  
Iemanjá, perpetua-se uma tradição com todos esses atores introduzindo elementos  
novos protagonizando novas histórias no Tambor de Mina tradicional da Amazônia.  
Queremos dar destaque a Pai Jorge, fundador do “Terreiro de Iemanjá”, que  
deixou um legado não apenas em São Luís do Maranhão, mas também em diversos  
estados brasileiros. Suas inovações no culto, como o uso de um Rosário de Nação4 e a  
4
É um colar usado pelos adeptos do Tambor de Mina, descendentes de Pai Jorge Itaci de Oliveira, que  
serve para representar as suas principais divindades. É um instrumento religioso que faz o elo entre o  
divino e a matéria, permitindo uma maior comunicação espiritual. O Rosário de Nação é feito de miçangas  
de porcelana, sintéticas, de cor terracota, com balizas e cabos nas cores dos voduns ou orixás do médium.  
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paramentação dos orixás5, são amplamente reconhecidas. Essas casas e terreiros  
desempenham um papel importante nas pesquisas africanistas e contribuem para a  
compreensão da identidade afro-religiosa no contexto específico do Pará e do Brasil  
como um todo.  
Figura 2 - Jorge Itaci de Oliveira (1939-2003), Sacerdote do Tambor de Mina do Maranhão.  
Fonte: Plataforma YouTube.  
Jorge Itaci de Oliveira possui registros audiovisuais históricos, o mais antigo data  
de 1973 e está disponível no acervo do Museu de Memória Audiovisual do Maranhão  
(MAVAM)6. Esse material contém trechos de um ritual público de iniciação, nos quais se  
observam o toque do tambor e a apresentação do novo iniciado à comunidade. Este é o  
único registro audiovisual conhecido de um ritual de iniciação da década de 1970. Pai  
Jorge também protagonizou um documentário que foi finalizado, mas não lançado  
devido ao seu falecimento. O documentário foi divulgado em diversos canais da  
plataforma YouTube e apresenta a história da vocação sacerdotal de Pai Jorge, a  
fundação do Terreiro de Iemanjá e as características do Tambor de Mina no Maranhão.  
Antropólogos e historiadores contribuíram para esse registro.  
Nesse documentário, observa-se a revelação de um aspecto: a quebra do sigilo  
sobre os chamados assentamentos. Esses assentamentos são símbolos consagrados de  
culto às divindades, guardados em um local denominado “quarto de Santo”, acessível  
apenas a iniciados. Pai Jorge não detalhou os elementos desses assentamentos, mas há  
5
A paramentação dos orixás (coroas, espadas, espelhos, dentre outras) é uma cultura própria do  
candomblé, sendo implementada no tambor de mina apenas na família de pai Jorge Itaci de Oliveira.  
6 https://www.youtube.com/@TVMAVAM  
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exposição de aspectos secretos da sacralidade afro-religiosa. Em 1986, o sacerdote Pai  
Euclides Talabian, líder do terreiro Fanti Ashante, produziu um documentário sonoro  
intitulado “Tambor de Mina, Cura e Baião”. Esse trabalho reúne músicas e cantigas  
utilizadas nos rituais das religiões afro-brasileiras e da pagelância realizados nos  
terreiros de São Luís (LP, Ferretti, 1991). Pai Euclides protagonizou outros  
documentários, reportagens e registros audiovisuais, disponíveis em diversos canais do  
YouTube. Em sua casa de culto, é proibido gravar vídeos ou tirar fotografias sem  
autorização dos dirigentes.  
Após essa breve incursão na genealogia do Tambor de Mina na Amazônia, é  
necessário compreender como essa tradição estabeleceu seus primeiros vínculos com o  
ciberespaço. Explorar o papel dessa religião nas mídias digitais é uma tarefa complexa,  
pois ela se caracteriza como uma comunidade com traços de sociedade secreta (Ferretti,  
2009, p. 231).  
Antes do ambiente virtual, a afro-religiosidade já havia sido retratada na mídia  
tradicional como uma religião associada à população negra, frequentemente com  
conotações pejorativas. No Maranhão, casos de repressão policial e maus-tratos a  
praticantes do Tambor de Mina foram noticiados em jornais da época (Ferretti, 2005).  
Essa fase também ocorreu no Pará, durante o período de invasões policiais, que  
terminou com a fundação da Federação dos Cultos Afro-Brasileiros do Pará (FEUCABEP)  
em 1964. Há relatos de outro momento crucial no término dessa repressão no Pará: a  
década de 1930, sob o governo de Magalhães Barata (Luca, 2010, p. 60).  
O contexto histórico molda o discurso conforme as vivências da época. Os  
séculos XIX e XX, no Pará e no Maranhão, contribuíram para a construção de uma  
imagem do Tambor de Mina como religião marginalizada. Esse processo foi influenciado  
pelo papel da imprensa, que informava, educava e entretinha a população (Lindoso,  
2008, p. 10). Essa análise leva a uma reflexão sobre a adaptação do Tambor de Mina ao  
cenário digital.  
Pesquisas culturais contribuíram para uma nova visão da identidade afro-  
religiosa. O registro audiovisual mais antigo do Tambor de Mina que chegou aos dias  
atuais é o trabalho denominado “Missão de Pesquisas Folclóricas”, liderada por Mário  
de Andrade, uma expedição que percorreu capitais do Norte e Nordeste do Brasil em  
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1938. O objetivo era registrar tradições culturais, músicas, danças e manifestações  
folclóricas. Entre as cidades visitadas estava São Luís. A Missão registrou duas  
manifestações culturais relacionadas à afro-religiosidade: Tambor de Mina, no Terreiro  
Fé em Deus, liderado por Maximiana, onde foram documentadas práticas de toque de  
Tambor de Mina. Maximiana era sacerdotisa responsável por esse terreiro.  
Como um dos legados da Missão, dez anos depois, com grafia e notas de Oneyda  
Alvarenga, foram publicados os textos das músicas gravadas no Maranhão pela  
Discoteca Pública Municipal de São Paulo. Essa documentação é importante para  
pesquisadores e revela a riqueza cultural e religiosa do Tambor-de-Mina e do Tambor-  
de-Crioula (Lemos Jr, Gosciola, 2020, p. 183).  
Além do Maranhão, o Pará também foi objeto de estudo da Missão de Pesquisas  
Folclóricas em 1938. Mário de Andrade viabilizou a expedição com o receio de que, com  
a urbanização e a influência da indústria cultural estrangeira, muitas manifestações  
populares tradicionais desaparecessem. Os pesquisadores percorreram o Pará e  
coletaram informações sobre a cultura popular local. Foram registradas mais de mil  
melodias de tradição oral, transmitidas entre gerações. A expedição também recolheu  
objetos artesanais. No total, a Missão reuniu cerca de 21.500 documentos, incluindo  
fotografias, registros fonográficos, entrevistas e filmes mudos, nos quais estão incluídas  
práticas de rituais de Tambor de Mina. Esses registros permitem entender a diversidade  
e a vitalidade das tradições folclóricas do Pará (Lemos Jr & Gosciola, 2020, p. 183).  
No Pará, dois produtos de exposição dos saberes afro-brasileiros são  
reconhecidos entre os praticantes do Tambor de Mina: o documentário intitulado “A  
Descoberta da Amazônia pelos Turcos Encantados” e o álbum duplo de músicas lançado  
pela coleção "A música do Pará", gravado no Terreiro Dois Irmãos, único terreiro  
centenário em atividade em Belém do Pará. O documentário é uma produção de cunho  
religioso, realizada por paraenses, com narração do sacerdote Luís Taiiandô. O roteiro  
aborda uma história mítica do imaginário afro-paraense, gerando debates e  
controvérsias em relação à mitopoética do Tambor de Mina maranhense. O escopo não  
se concentra na análise do imaginário afro-religioso na Amazônia, mas é relevante  
identificar os diálogos divergentes entre os vídeos que disseminam a doutrina mineira e  
as literaturas das etnografias sobre o Tambor de Mina no Maranhão e no Pará.  
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O álbum musical intitulado “A Música e o Pará”, lançado em 1996 em dois discos  
distintos, nos chama atenção. O primeiro disco apresenta músicas utilizadas nos rituais  
direcionados às entidades denominadas no Pará como “senhores de toalhas”,  
correspondendo, no Maranhão, aos “gentios” ou “nobres”.  
Figura 3 - Capa do video com as musicas do CD Ponto de Santo.  
Fonte: Plataforma YouTube.  
O segundo disco, por sua vez, reúne composições musicais empregadas em  
rituais associados aos caboclos ou entidades tipicamente vinculadas ao Tambor de Mina,  
organizadas por famílias de encantados. Estes discos são o resultado de uma pesquisa  
conduzida pela antropóloga Anaíza Vergolino e Silva, cujo objetivo foi con- tribuir para  
o registro dos movimentos musicais paraenses, transformando a memória dos sons e  
ritmos em uma antologia dos mestres compositores do passado e do pre- sente. Através  
deste trabalho, a pesquisadora não só preserva essas melodias sagradas, mas também  
as torna acessíveis a um público mais amplo, promovendo uma maior compreensão das  
tradições afro-brasileiras. Ambos CDs são mais do que simples gravações, eles são  
arquivos vivos da história cultural do Pará e servem como ferramentas educacionais e  
como meio de preservar práticas que poderiam ser ameaçadas pelo esquecimento ou  
pela modernização.  
Ao examinarmos esses contextos históricos, nos quais são expostas  
características da ritualística desenvolvida no Tambor de Mina na Amazônia,  
observamos que todos os registros audiovisuais remetem aos mineiros da tradição nagô.  
Esses registros abrangem descendentes dos terreiros do Egito, Fé em Deus, Dois Irmãos,  
bem como o sacerdote Luís Tayandô, entre outros.  
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Em nossa pesquisa, constatamos a ausência de registros audiovisuais produzidos  
pelas próprias participantes do Tambor de Mina da Casa das Minas e da Casa de Nagô,  
pois estas mulheres sempre foram extremamente sigilosas e não protagonizaram  
autoproduções audiovisuais. Mesmo que, na plataforma YouTube, tenhamos  
encontrado documentários, reportagens e fotografias dessas voduncis jejes e nagôs,  
sempre produzidos por terceiros, estas produções são repletas de muitas restrições.  
Conseguimos perceber que há uma difereça gritante entre as casas matrizes e  
suas descendências no que diz respeito à produção de conteúdos midiáticos. As casas  
de culto, como a Casa de Nagô Abioton, o Terreiro do Egito e o Terreiro da Turquia, bem  
como outras, não permitiram que seus rituais fossem registrados e amplamente  
divulgados. No entanto, os sacerdotes descendentes dessas casas, assim como de outras  
presentes no Pará, romperam com a tradição de guardar segredos de suas práticas  
ritualísticas. Tanto o sacerdote Jorge Itaci quanto Pai Euclides, e seus descendentes até  
os dias atuais, adotaram uma abordagem completamente diferente em relação aos  
segredos que outrora eram preservados entre as mulheres praticantes do Tambor de  
Mina tradicional. Essa mudança de postura revela uma transformação significativa na  
preservação e divulgação dos conhecimentos e rituais sagrados, desafiando a tradição  
do sigilo e contribuindo para a compreensão mais ampla dessa rica tradição religiosa.  
Compreendendo a representação midiática da identidade religiosa afro-  
brasileira, a pesquisa avança para uma análise diacrônica dos registros audiovisuais,  
particularmente os vídeos que documentam o Tambor de Mina, uma prática ritualística  
significativa na Amazônia. Esta investigação histórica abrange uma vasta coleção de  
materiais filmados, com ênfase especial nos gravados em São Luís do Maranhão e Belém  
do Pará, reconhecidos como centros vitais da prática do Tambor de Mina na região.  
O Museu da Memória Audiovisual do Maranhão (MAVAM) tem um papel  
fundamental na preservação e divulgação da cultura maranhense, especialmente das  
práticas religiosas afro-maranhenses. Ao documentar o Tambor de Mina, o museu  
preserva a memória histórica dessa tradição e destaca sua importância cultural e social.  
Suas produções audiovisuais funcionam como uma janela para o passado, permitindo  
que as gerações atuais e futuras conheçam essas tradições. Nesses registros, o MAVAM  
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captura a essência do Tambor de Mina, com foco na música, na dança e na comunidade,  
e mostra os tambores não apenas como instrumentos, mas como símbolos sagrados de  
conexão com o divino. É nesse acervo que está um dos registros audiovisuais mais  
antigos de partes de um ritual de iniciação, um dos momentos mais secretos dessa  
religião.  
Figura 4 -Print da pagina inicial do Museu da Memória Audiovisual do Maranhão (MAVAM) na  
Plataforma YouTube.  
Fonte: Plataforma YouTube.  
As produções do MAVAM sobre o Tambor de Mina servem como um recurso  
educacional e um meio de disseminar conhecimento sobre essa prática religiosa  
específica do Maranhão. Ao apresentar as características da afro-religiosidade  
maranhense, o museu reforça a identidade cultural da região e promove um maior  
apreço pela diversidade religiosa e cultural do Brasil.  
A presença das religiões de matriz africana nas redes sociais também é muito  
importante para entender as transformações atuais dessas práticas. No Facebook, por  
exemplo, a divulgação de conhecimentos ritualísticos do Tambor de Mina representa,  
ao mesmo tempo, uma forma de preservação digital e uma mudança na maneira como  
esses saberes são guardados e transmitidos, já que antes eram envoltos em segredo. As  
discussões que acontecem nessa plataforma sobre o que é correto na afro-religiosidade  
mostram como toda tradição viva é dinâmica. Esses debates ajudam na educação e  
conscientização sobre a diversidade das práticas afro-brasileiras e funcionam como um  
espaço de negociação de identidades dentro da comunidade religiosa.  
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Outra iniciativa importante é o Museu Afro-Digital do Maranhão (MAD-MA),  
criado em 2012 sob a coordenação do professor Sérgio Ferretti e vinculado à  
Universidade Federal do Maranhão. Com um acervo digital de fotografias, filmagens e  
estudos etnográficos, o museu oferece acesso a rituais e festividades que são pilares da  
identidade cultural maranhense, como o Bumba Meu Boi, o Tambor de Crioula e o  
Tambor de Mina.  
A tecnologia digital permite que pessoas do mundo todo conheçam esse  
patrimônio, e o portal também serve como espaço de aprendizado e interação. O MAD-  
MA fortalece a educação oferecendo recursos para o ensino da história e cultura afro-  
brasileira nas escolas, conforme a Lei 10.639/03, e atua no combate ao racismo e à  
intolerância religiosa. O legado de Sérgio Ferretti continua vivo por meio do museu, que  
é uma ponte entre passado e presente, preservando a memória cultural e inspirando  
novas gerações a valorizar as tradições afro-amazônica através do ciberespaço.  
4
CONSIDERAÇÕES FINAIS  
A presente investigação sobre segredo e sagrado no Tambor de Mina permitiu  
evidenciar que esses dois elementos não apenas coexistem, mas constituem uma  
unidade dialógica fundamental para a compreensão dessa tradição religiosa afro-  
brasileira. Ao longo do percurso teórico e analítico, demonstrou-se que o segredo atua  
como guardião do conhecimento iniciático, protegendo a sacralidade dos rituais, das  
oferendas e dos assentamentos, enquanto o sagrado confere ao segredo sua razão de  
ser, seu peso simbólico e sua eficácia espiritual.  
A articulação entre as perspectivas semiótica de Saussure, que revela o sagrado  
como signo carregado de significado coletivo, e a noção de iconofagia de Baitello Júnior  
(2014), que alerta para o poder das imagens na contemporaneidade, mostrou-se  
fecunda para pensar os desafios atuais do Tambor de Mina. Do mesmo modo, os aportes  
fenomenológicos de Eliade e Otto ajudaram a compreender a experiência tradicional  
dos mineiros como marcada pelo tremor e fascínio diante do divino, experiência que  
independe das fronteiras entre culturas.  
Um dos achados centrais da pesquisa reside na constatação de uma  
transformação significativa no regime de visibilidade da religião. Enquanto as casas  
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matrizes tradicionais (Casa das Minas, Casa de Nagô) mantiveram rigoroso sigilo sobre  
seus rituais, produzindo poucos registro audiovisual, sendo nenhum deles de autoria  
própria, os sacerdotes descendentes no Maranhão e no Pará, como Jorge Itaci, Pai  
Euclides e outros, romperam parcialmente com essa tradição, expondo elementos  
outrora secretos em documentários, álbuns musicais e plataformas digitais. Essa  
abertura, ainda que parcial, não significou necessariamente perda da sacralidade, mas  
sim uma ressignificação do segredo diante das exigências do ciberespaço.  
No entanto, é preciso reconhecer os limites deste estudo, que se concentrou  
predominantemente em materiais audiovisuais disponíveis publicamente e em  
etnografias já consolidadas, sem acesso direto aos rituais mais reservados. Pesquisas  
futuras poderão aprofundar a netnografia proposta, investigando como as novas  
gerações de praticantes negociam, nas redes sociais, os limites entre o que pode e o que  
não pode ser mostrado. Além disso, seria relevante ampliar o escopo para outras casas  
de culto na Amazônia e para outras mídias digitais, como o Instagram e o TikTok, onde  
emergem novas formas de presença pública do sagrado.  
Conclui-se, assim, que o Tambor de Mina na Amazônia permanece vivo e  
dinâmico, adaptando-se aos tempos sem abandonar suas estruturas fundamentais. O  
segredo não tem possibilidade de desaparecer, mas sim de se transformar: de barreira  
absoluta à exposição, converte-se em estratégia seletiva de visibilidade. O sagrado, por  
sua vez, continua a se manifestar nas hierofanias cotidianas dos terreiros e, agora,  
também nas telas digitais, desafiando pesquisadores e praticantes a repensar o que  
significa manter viva uma tradição ancestral no século XXI.  
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Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97519  
ISSN 2179-9938  
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SOBRE O(A) AUTOR(A)  
Arlindo Figueiredo do Rosário Júnior  
Arlindo Figueiredo do Rosário Júnior estudou filosofia no Instituto Regional Para Formação Presbiteral  
CNBB-N2(2001-2004). Graduado em Licenciatura em Ciências da Religião(2018-2022). Estuda as religiões  
de matriz africana, com ênfase na Religião Tambor de Mina. Atuou como professor de séries Iniciais na  
Escola Moyko Xikrin da etnia Xíkrin do Kateté e Professor de Filosofia para o Magistério da Educação  
Escolar Indígena para etnias do estado do Pará. É voluntario no Núcleo de Pesquisa em Educação e  
Cibercultura (NUPEC) do Instituto Federal do Pará (IFPA). Membro do Grupo de Pesquisa em  
Sociabilidades, Intersubjetividades, Sensorialidades na Amazônia (SISA). Mestre em Ciências da  
Comunicação (PPGCOM-UFPA).  
COMO CITAR ESTE ARTIGO  
ROSÁRIO JUNIOR, Arlindo Figueiredo do. O segredo e sagrado na Amazônia digital: A negociação da  
visibilidade do Tambor de Mina no ciberespaço. Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em  
Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, v. 17, n. especial, p. e97519 ,2026.  
RECEBIDO EM: 12/08/2026  
ACEITO EM: 16/09/2026  
PUBLICADO EM: 23/09/2026  
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional  
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Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97519