ISSN 2179-9938
massa e impactam física e psicologicamente as pessoas. A iconofagia indica que as
imagens não apenas representam, mas também podem “engolir” a realidade,
influenciando ou substituindo experiências diretas com o mundo.
Enquanto Saussure foca na estrutura e na relação entre significante e significado,
Baitello Júnior e Soares (2023) enfatizam o efeito das imagens sobre o indivíduo e a
sociedade. No estudo do sagrado, a iconofagia pode ser entendida como o processo de
consumo das imagens sagradas e sua influência sobre práticas culturais e religiosas. As
imagens sagradas, como signos poderosos e carregados de significado coletivo, são
particularmente suscetíveis à iconofagia. Saussure (2010) auxilia na compreensão da
estrutura e do significado do sagrado como signo cultural; Baitello Junior & Soares
(2023) alertam para o poder das imagens sagradas na era da iconofagia, em que elas
podem dominar e alterar a percepção da realidade sagrada. Juntos, esses conceitos
oferecem uma visão sobre como o sagrado é representado, percebido e influenciado na
comunicação e na cultura contemporânea.
Para compreender o sagrado, recorremos a Eliade (2001), que distingue o
sagrado do profano e identifica o sagrado como manifestação do “totalmente outro”,
uma realidade que transcende o mundo comum. Já Rudolf Otto (2007) introduz o termo
“numinoso” para descrever a experiência do sagrado como essência da experiência
religiosa.
Eliade (2001) apresenta uma análise comparativa das experiências religiosas,
propondo que o sagrado é uma dimensão essencial da consciência humana. Para ele, a
manifestação de hierofanias são atos pelos quais o sagrado se revela ao homem:
O homem toma conhecimento do sagrado porque este se manifesta, se
mostra como algo absolutamente diferente do profano. A fim de indicarmos
o ato da manifestação do sagrado, propusemos o termo hierofania. Este
termo é cômodo, pois não implica nenhuma precisão suplementar: exprime
apenas o que está implicado no seu conteúdo etimológico, a saber, que algo
de sagrado se nos revela. Poder-se-ia dizer que a história das religiões – desde
as mais primitivas às mais elaboradas – é constituída por um número
considerável de hierofanias, pelas manifestações das realidades sagradas
(Eliade, op. cit, p. 13).
Essas manifestações podem ocorrer em objetos, lugares, ou tempos específicos
que, por sua vez, tornam-se sagrados por serem o local da manifestação do divino. Ele
argumenta que o espaço sagrado é qualitativamente diferente do espaço profano, onde
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Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97519