ISSN 2179-9938  
_____________________________________________________  
A IMANÊNCIA DO POLÍTICO? COMUNICAÇÃO INDÍGENA E  
PRESENÇA MẼBÊNGÔKRE-KAYAPÓ NAS REDES SOCIAIS  
THE IMMANENCE OF THE POLITICAL: INDIGENOUS  
COMMUNICATION AND THE MẼBÊNGÔKRE-KAYAPÓ PRESENCE  
ON SOCIAL MEDIA  
¿LA INMANENCIA DE LO POLÍTICO? LA COMUNICACIÓN  
INDÍGENA Y LA PRESENCIA DE LOS MẼBÊNGÔKRE-KAYAPÓ EN  
LAS REDES SOCIALES  
_____________________________________________________  
Wesley Silva  
Universidade Federal do Pará  
Breno Alencar  
Universidade Federal do Pará  
Resumo: Este artigo analisa em que condições práticas comunicacionais de pessoas  
Mẽbêngôkre-Kayapó vinculadas à aldeia A’Ukre podem ser compreendidas como práticas  
políticas em plataformas de redes sociais. Em diálogo com Aristóteles e, sobretudo, com Jacques  
Rancière, articulam-se os conceitos de política, dissenso, partilha do sensível  
e
autorrepresentação. Empiricamente, mobiliza-se um corpus piloto de publicações coletadas,  
desde abril de 2026, no Instagram, a partir de perfis vinculados à aldeia A’Ukre. As publicações  
foram registradas por meio de capturas de tela e sistematizadas em uma tabela de categorização  
que considera autoria, enquadramento, atividade retratada, gênero, práticas culturais e  
contexto. Os resultados preliminares indicam a recorrência de registros relacionados a rituais,  
cerimônias e festividades, sugerindo que o caráter político não decorre automaticamente da  
presença indígena nas plataformas, mas de operações comunicacionais capazes de disputar  
visibilidade, produzir enquadramentos internos e tensionar representações externas. Conclui-  
se que determinadas práticas digitais podem constituir formas de comunicação política, embora  
permaneçam condicionadas pelas infraestruturas e pelas regras corporativas das plataformas.  
Palavras-chave: filosofia política; comunicação política; Mẽbêngôkre-Kayapó; internet; redes  
sociais.  
Abstract: This article analyzes under what conditions the communicative practices of  
Mẽbêngôkre-Kayapó people connected to the village of A’Ukre can be understood as political  
161  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
practices on social media platforms. Drawing on the work of Aristotle and, above all, Jacques  
Rancière, the article explores the concepts of politics, dissent, the sharing of the sensible, and  
self-representation. Empirically, the study draws on a pilot corpus of posts collected since April  
2026 on Instagram from profiles linked to the village of A’Ukre. The posts were recorded via  
screenshots and organized into a categorization table that considers authorship, setting,  
depicted activity, genre, cultural practices, and context. Preliminary results indicate the  
recurrence of posts related to rituals, ceremonies, and festivities, suggesting that political  
character does not automatically stem from the indigenous presence on these platforms, but  
rather from communicational strategies capable of contesting visibility, producing internal  
frames, and challenging external representations. It is concluded that certain digital practices  
may constitute forms of political communication, although they remain conditioned by the  
platforms’ infrastructure and corporate rules.  
Keywords: political philosophy; political communication; Mẽbêngôkre-Kayapó; Internet; social  
media.  
Resumen: Este artículo analiza en qué condiciones las prácticas comunicativas de las personas  
Mẽbêngôkre-Kayapó vinculadas a la aldea de A’Ukre pueden entenderse como prácticas  
políticas en las redes sociales. En diálogo con Aristóteles y, sobre todo, con Jacques Rancière, se  
articulan los conceptos de política, disenso, compartir lo sensible y autorrepresentación. Desde  
un punto de vista empírico, se utiliza un corpus piloto de publicaciones recopiladas, desde abril  
de 2026, en Instagram, a partir de perfiles vinculados a la aldea de A’Ukre. Las publicaciones se  
registraron mediante capturas de pantalla y se sistematizaron en una tabla de categorización  
que tiene en cuenta la autoría, el encuadre, la actividad representada, el género, las prácticas  
culturales y el contexto. Los resultados preliminares indican la recurrencia de registros  
relacionados con rituales, ceremonias y festividades, lo que sugiere que el carácter político no  
se deriva automáticamente de la presencia indígena en las plataformas, sino de operaciones  
comunicativas capaces de disputar la visibilidad, producir marcos internos y generar tensiones  
en las representaciones externas. Se concluye que determinadas prácticas digitales pueden  
constituir formas de comunicación política, aunque sigan estando condicionadas por las  
infraestructuras y las normas corporativas de las plataformas.  
Palabras clave: filosofía política; comunicación política; Mẽbêngôkre-Kayapó; Internet; redes  
sociales.  
1 INTRODUÇÃO  
A política atravessa a vida de todos os indivíduos, manifestando-se em diferentes  
âmbitos e escalas geográficas. Trata-se de uma dimensão da experiência humana que  
pode ser observada desde o espaço doméstico, nas relações entre casais, nos conflitos,  
nas negociações e na organização do lar, até a esfera institucional, na qual  
representantes, geralmente eleitos pelo povo, atuam na organização e na gestão do  
162  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
território. No caso brasileiro, essa organização política estrutura-se em diferentes  
escalas, abrangendo as esferas municipal, estadual e nacional.  
Em países que foram submetidos ao processo de colonização, tendo o continente  
Sul-Americano como exemplo, a política vigente hoje é diretamente baseada na lógica  
ocidental, principalmente com o afloramento e consolidação dos Estados modernos que  
suprimiram lógicas internas de organização territorial pré-coloniais. Isso evidencia como  
a política é pautada em relações de poder, disputas e imposições não só entre  
indivíduos, mas entre Estados-nações.  
Por ser um campo científico que foi institucionalizado, desde o século XIX temos  
a política como uma área que produz conhecimento, a qual é representada pela Ciência  
Política. Todavia, embora os esforços desse campo científico sejam notáveis e tenham  
formas particulares de apreensão de seus objetos de pesquisa, a política não lhe é  
exclusiva. Séculos antes da modernidade, ela já era expressa na Grécia Antiga, na Roma  
Antiga e no Egito Antigo, civilizações que produziram conceitos e organizações espaciais  
que são vistas até hoje, mesmo que algumas tenham sido mais evidenciadas do que  
outras.  
Outras áreas do conhecimento também têm a política como objeto analítico, tais  
como a Geografia Política, que se debruça sobre a relação entre espaço e política  
(Castro, 2005); a Filosofia Política, que reflete sobre por que as coisas são políticas  
(Strauss, 2011); a Sociologia, que busca entender a relação entre sociedade e política; e  
a Comunicação Política, que investiga a relação entre atores políticos institucionais e  
não institucionais, os meios de comunicação e a sociedade, dentre outros campos.  
São investigações, análises e reflexões heterogêneas, considerando a  
dinamicidade e incorporação constante de diferentes elementos na política. Hoje, no  
contexto urbano, não é mais possível falar de política sem considerar a presença da  
internet e das redes sociais, dada sua capilarização e influência direta nos processos  
eleitorais (Bertollo, 2019). Trata-se de um novo contexto no qual os aparelhos técnicos  
e tecnológicos estão proporcionando e mediando novas formas de debates, organização  
política e ativismos, impactando diretamente a espacialidade da institucionalidade  
(Alencar; Silva; França, 2024).  
163  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Embora esse processo de virtualização e digitalização da política tenha  
começado nos espaços urbanos, em decorrência das possibilidades infraestruturais que  
viabilizaram esse novo cenário, áreas mais remotas também estão passando, ainda que  
de forma processual, pela digitalização e virtualização da política. Já não é raro vermos  
a presença cada vez mais frequente da internet e de aparelhos eletrônicos em  
comunidades tradicionais distantes dos grandes centros urbanos, o que demonstra, em  
certa medida, a popularização desses objetos técnicos e tecnológicos e uma migração  
para o ciberespaço (Israel, 2021).  
Com isso, determinados povos e comunidades indígenas, especialmente aqueles  
territorializados no interior da Amazônia brasileira, vêm aderindo cada vez mais ao uso  
da internet e das redes sociais para finalidades que não se limitam ao lazer, mas que  
também transformam essas plataformas em importantes ferramentas políticas. É o que  
apontam Esteves e Cal (2023), ao destacarem que a comunicação digital, possibilitada  
pelo acesso à Rede Mundial de Computadores, vem se constituindo como um campo  
fecundo para o ativismo indígena, já presente, evidentemente, no cotidiano material  
dessas comunidades.  
Nesse sentido, quando focamos no caso do povo Mẽbêngôkre-Kayapó,  
especificamente os da aldeia A’Ukre, localizada no Sul do Pará, principalmente após a  
instalação da internet de alta velocidade, representada pela Starlink, há relações e  
processos comunicacionais emergentes em curso que estão incrementando novas  
práticas entre os moradores da aldeia (Coelho, 2024).  
Diante desse cenário, este artigo, derivado de uma pesquisa de mestrado em  
curso no Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM),  
da Universidade Federal do Pará (UFPA), pergunta: em que condições as práticas  
comunicacionais de pessoas Mẽbêngôkre-Kayapó vinculadas à aldeia A’Ukre nas redes  
sociais podem ser compreendidas como práticas políticas? O objetivo é examinar essa  
questão sem pressupor que toda presença indígena nas plataformas seja, por si só,  
política, buscando identificar operações de visibilidade, autorrepresentação e dissenso  
que possam conferir caráter político a determinadas práticas comunicacionais.  
164  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Para desenvolver o argumento, dialogamos com Aristóteles (1995), cuja  
formulação do ser humano como animal político permite afastar uma concepção  
exclusivamente institucional da política, e, sobretudo, com Jacques Rancière (1996,  
2009), cujos conceitos de dissenso, polícia e partilha do sensível oferecem critérios  
analíticos para observar disputas em torno de quem pode falar, aparecer e ser  
reconhecido no espaço comum. A reflexão teórica é articulada a uma etapa empírica  
exploratória baseada em publicações de perfis vinculados a A’Ukre, coletadas desde  
abril de 2026 e sistematizadas mediante categorias selecionadas previamente.  
Além desta introdução, o artigo está organizado em cinco seções. A primeira  
apresenta contribuições da Filosofia Política para delimitar o problema do político. A  
segunda discute a comunicação indígena e seus possíveis vínculos com a comunicação  
política. A terceira explicita o percurso metodológico e o corpus digital mobilizado. A  
quarta apresenta resultados exploratórios da análise das publicações vinculadas a  
A’Ukre. A última seção reúne as considerações finais, destacando resultados, limites e  
desdobramentos da pesquisa.  
2 O QUE É POLÍTICA? BREVES CONTRIBUIÇÕES DA FILOSOFIA POLÍTICA  
Como já mencionado, este trabalho é oriundo de uma pesquisa de mestrado em  
curso que busca analisar a presença Kayapó nas redes sociais em uma perspectiva  
política. Diferentemente do que foi realizado em trabalhos anteriores, com ênfase para  
o campo da Geografia Política, percebemos que não era possível limitarmos somente  
nos estudos dessa área, visto que entender o território enquanto algo institucional não  
daria conta de compreender como o uso da internet, smartphones e redes sociais pelos  
indígenas pode ser de orientação política, considerando que esses sujeitos não se  
limitam necessariamente no interior da política institucional, embora dependam da  
efetivação de políticas públicas oriundas dessa esfera.  
Por essa razão, mobilizamos o filósofo francês Jacques Rancière (1940–), cuja  
obra se insere no campo da Filosofia Política e trabalha conceitos como “partilha do  
sensível” (le partage du sensible), “consenso”, “estética”, “dissenso”, “política” e  
“polícia”. Tais conceitos são particularmente produtivos para esta pesquisa porque  
165  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
permitem deslocar a pergunta de “quem pertence à política institucional?” para “em  
que situações sujeitos historicamente subalternizados alteram a distribuição do visível,  
do dizível e das posições reconhecidas no espaço comum?”. Em diálogo complementar,  
Aristóteles (1995) é mobilizado para historicizar a ideia de que a política não se reduz às  
instituições modernas.  
Antes de prosseguirmos, é necessário frisar que estamos propondo um debate  
teórico, com base na Filosofia Política e na posição de pesquisadores. O que será  
discutido aqui sobre política não diz respeito à dinâmica e organização da política dos  
Kayapó da aldeia A’Ukre, tampouco de outras comunidades indígenas, dado que  
conceitos e teorias não dão conta da complexidade e particularidade presentes em cada  
comunidade. Assim, trata-se de um esforço na tentativa de entender a dimensão política  
com base em conceitos e teorias produzidas ao longo dos anos no âmbito acadêmico.  
Dito isso, por que Filosofia Política? De que forma essa área pode pavimentar  
caminhos analíticos para uma realidade tão complexa, como é o caso dos povos  
indígenas? Para Strauss (2011), a Filosofia Política é um ramo da filosofia que se debruça  
no entendimento da natureza dos elementos que são políticos, isto é, empenha-se em  
entender por que as coisas são políticas. Essa contribuição do autor nos auxilia a refletir  
sobre como a presença Mẽbêngôkre-Kayapó no território digital se apresenta, em nosso  
entendimento, como uma presença política e, por isso, nossos esforços reflexivos se  
voltam para compreender por que essa presença pode se constituir em uma presença  
política.  
Será que apenas a simples presença Kayapó nas redes sociais já constitui algo  
político? Como dito no início da seção, nossa discussão não será com base na política  
institucional, uma vez que esses sujeitos, por muito tempo, foram apartados de tal  
segmento. Hoje, mesmo que já consigam ocupar esse setor, ainda que de forma tímida,  
a política, enquanto relações sociais, mediações, resistências, conflitos e organização  
territorial sempre existiu na realidade indígena. Quando vamos para os estudos da  
Filosofia Política clássica, com foco na filosofia formulada na Grécia Antiga, para alguns  
filósofos, a política era vista como imanente ao homem.  
166  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Aristóteles (1995) acreditava que o homem é, por natureza, um animal político  
(zōon politikón). Desse modo, a organização política, que culminou na formação da pólis,  
era vista como imanente à existência humana, sendo por meio dela que a razão se  
realiza e é exercida (Castro, Olivieri; Castro, 2024). Assim, é perceptível que não é  
necessário se autodeclarar e/ou fazer parte da política institucional e partidária para ser  
um sujeito político. Quando se trata dos povos indígenas, esse apontamento fica mais  
claro, tendo em vista que cada povo sempre teve e ainda tem formas complexas e  
particulares de organização política no interior de seus territórios, mesmo após o  
processo de colonização que tentou impor uma lógica política ocidentalizada.  
Aqui, com base em Aristóteles (1995), também partilhamos da ideia de que o  
homem é um ser político por natureza. Isso significa dizer que não precisamos nos  
autodeclarar como sujeitos políticos, dada sua imanência. Em decorrência do processo  
de constituição da pólis, o homem consegue pôr em prática a razão, a qual se manifesta  
no diálogo e na interação com o outro, atravessando a própria dimensão política no  
sentido dessas próprias interações que antecedem a constituição da pólis (Castro,  
Olivieri; Castro, 2024). Ao transpor essa reflexão para a realidade de uma determinada  
aldeia indígena, compreendemos que sua construção, organização e permanência  
também são atravessadas pela política interna ali estabelecida e dela dependem.  
Em Rancière (1996), a política só é efetivada, de fato, quando os subalternos, os  
excluídos e os marginalizados conseguem participar do comum, um espaço que, de  
forma paradoxal, não é tão comum assim. Diferentemente do que muitas pessoas  
pensam, o autor acredita que a política se faz no dissenso e na discordância, pois o  
desaparecimento do dissenso político não cria uma sociedade mais democrática; ao  
contrário, pode abrir espaço para formas autoritárias de organização social (Rancière,  
1996). Isto é, a ausência de objeções não significa harmonia; pelo contrário, significa que  
apenas um grupo hegemônico, com direito à participação e ao discurso, está  
participando da política.  
Quando pensamos nos sujeitos com os quais estamos trabalhando nesta  
pesquisa, refletimos sobre se eles conseguem participar integralmente dos debates  
políticos institucionais que estão discutindo, por exemplo, sobre seus direitos  
167  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
territoriais. Sabemos que não, considerando que, na maioria das vezes, os povos  
indígenas não são consultados no momento das tomadas de decisão sobre suas terras,  
e esse diálogo costuma acontecer apenas entre políticos/institucionais e setores  
interessados nas terras indígenas; geralmente, setores empresariais. Para Rancière  
(1996), isso é a manutenção do consenso e do status quo, os quais são assegurados pelo  
que ele vai chamar de polícia, ou seja, a polícia enquanto responsável por manter a  
ordem, definir quem pode falar, quem deve ser ouvido e quais sujeitos permanecem  
invisibilizados.  
A polícia cria barreiras físicas e simbólicas que excluem os sujeitos da  
participação política e do comum e mantêm o que já está estabelecido. Rancière (1996,  
2009) argumenta que isso é a partilha do sensível, sendo a forma pela qual uma  
sociedade organiza aquilo que pode ser visto, dito, pensado e percebido coletivamente.  
Trata-se da distribuição dos lugares, das vozes, dos corpos e das formas de participação  
social (Gomes, 2014). Essa partilha é, na maioria das vezes, excludente e é confrontada  
e tensionada pelo dissenso, o qual, quando efetivado, faz emergir, na concepção do  
autor, a política. Com isso, o dissenso se torna essencial para desafiar e romper com a  
política vigente, propondo uma nova ordem para que os excluídos consigam ter suas  
vozes legitimadas (Gomes, 2014).  
Ainda nesse sentido, um outro conceito trabalhado por Rancière (2009) em suas  
reflexões sobre política é o de estética. O conceito de estética tem sido historicamente  
objeto de reflexão no campo filosófico, sendo abordado por diferentes autores. Entre  
essas contribuições, destaca-se a reflexão de Walter Benjamin (2018), que, no contexto  
do século XX, analisou a obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, discutindo  
como a reprodução massiva das obras contribuía para a diluição de sua aura e,  
consequentemente, para a transformação da experiência estética. Para Rancière (2009),  
por sua vez, a estética também está relacionada à esfera do sensível, das experiências,  
da política e da própria partilha do sensível.  
Em seu pensamento, política e estética estão profundamente ligadas porque  
ambas dizem respeito à organização do sensível, isto é, à maneira como o mundo é  
percebido, visto, ouvido e compartilhado socialmente (Rancière, 2009; Gomes, 2014).  
168  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Em outras palavras, é sobre quem e quais indivíduos e grupos podem falar, serem  
ouvidos, vistos e legitimados. É a organização da experiência do sensível cristalizando  
quem está fora e quem está no interior da política e de suas ramificações.  
Nesse sentido, a política não reside na administração do poder, mas na ruptura  
das hierarquias estabelecidas. Ela se manifesta por meio do dissenso, que rompe a lógica  
consensual e reconfigura a posição dos sujeitos na organização social e na partilha do  
sensível, transformando, assim, as formas de percepção e de experiência do mundo  
comum (Rancière, 1996, 2009; Gomes, 2014). São formas de dissolver aquilo que o autor  
denomina de polícia, ou seja, práticas capilarizadas na sociedade que impedem, material  
e simbolicamente, a participação de sujeitos subalternos na esfera política. Esse  
processo é particularmente evidente no caso dos povos indígenas, que foram  
submetidos à colonização e, ainda hoje, permanecem policiados por estruturas coloniais  
que os excluem dos diversos espaços de poder.  
A leitura de Aristóteles permite afastar uma redução da política à esfera  
institucional, mas não autoriza concluir que toda prática comunicacional seja  
automaticamente política. Para fins analíticos, a contribuição de Rancière (1996, 2009)  
é decisiva: o caráter político emerge quando há dissenso, isto é, quando uma prática  
interfere nas hierarquias do sensível e redistribui possibilidades de fala, visibilidade e  
reconhecimento. Essa distinção orienta a seção seguinte e, posteriormente, a análise  
empírica das publicações vinculadas a A’Ukre.  
3 COMUNICAÇÃO INDÍGENA: UMA COMUNICAÇÃO POLÍTICA?  
Após o diálogo sobre Filosofia Política desenvolvido nas linhas anteriores, esta  
seção examina em que condições determinadas práticas de comunicação indígena  
podem assumir caráter político. Em vez de tomar a identidade dos sujeitos como prova  
suficiente, o argumento procura reconhecer operações comunicacionais de disputa,  
autorrepresentação, visibilidade e dissenso que possam ser observadas em experiências  
concretas. Essa abordagem permite articular o debate teórico à análise das publicações  
vinculadas a A’Ukre sem reduzir a diversidade das práticas indígenas a uma única  
finalidade política.  
169  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Por muito tempo, foi perpetuado no imaginário popular, com sustentação da  
colonialidade e da grande mídia ocidental e pró-ocidental (Losurdo, 2020), uma visão de  
que os povos indígenas são anti-modernidade, que vivem exclusivamente no interior  
das florestas, em áreas remotas, e não precisam ter acesso a determinados objetos  
produzidos pelos brancos, uma vez que isso os tornaria menos indígenas (Shepard Jr e  
Pace, 2021). Apesar de essa ideia ser extremamente equivocada e ultrapassada, ela foi  
e ainda continua sendo amplamente difundida pelos meios de comunicação  
hegemônicos.  
Porém, atualmente, tal ideia não permanece no imaginário popular sem que  
também se desenvolvam perspectivas contrárias, que a confrontam e tecem novas  
formas de apreender a realidade indígena, uma vez que as comunidades estão se  
apropriando da internet e das mídias para tecer suas próprias narrativas e formular  
agendas que sejam pertinentes aos seus interesses coletivos. Embora isso tenha ficado  
cada vez mais evidente nos últimos anos, a presença das mídias em aldeias indígenas,  
ou utilizada por determinados representantes indígenas, remonta às últimas décadas do  
século XX, sendo usadas para determinadas finalidades, como a própria questão política,  
de cobranças e de autorrepresentação.  
Mário Juruna, por exemplo, liderança indígena do povo Xavante e ex-deputado  
federal, fez uma apropriação não esperada de um objeto midiático (gravador) para  
tentar assegurar os direitos indígenas de seu povo. Ao conversar com políticos e com  
outros indivíduos que tinham poder de decisão, Juruna costumava gravar essas  
conversas, objetivando que as promessas feitas fossem cumpridas. Foi, claramente, uma  
apropriação do objeto técnico mediada por suas experiências enquanto sujeito indígena  
marginalizado na sociedade, na qual, na maioria das vezes, as políticas públicas não são  
efetivadas e/ou direcionadas ao seu povo, mesmo quando são prometidas (Pereira,  
2010; Franco; DI Felice; Pereira, 2020).  
No caso de Juruna, por ser um líder político e ter ocupado diretamente um cargo  
na política institucional, as mídias eram usadas, evidentemente, para finalidade política,  
principalmente porque o mesmo passou a integrar o âmbito da política institucional.  
Pereira (2010), ao ter investigado a produção audiovisual indígena, denota que as  
170  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
experiências que eles têm com as mídias representam novas formas de comunicar e de  
representação de si mesmos e de seus parentes, (re)posicionando esses sujeitos no  
imaginário popular antes influenciado pela mídia hegemônica.  
Experiências como as descritas por Pereira (2010) mostram que produções  
audiovisuais indígenas podem adquirir dimensão política quando são mobilizadas para  
tensionar representações externas, disputar sentidos ou ampliar possibilidades de  
autorrepresentação. Isso não significa que toda produção audiovisual indígena seja  
política, mas que determinadas práticas comunicacionais podem participar de processos  
de reposicionamento simbólico e de circulação de narrativas próprias (Hoff, 2022;  
Castro et al., 2022).  
Em contextos nos quais o acesso à grande mídia é restrito ou mediado por  
enquadramentos externos, as redes sociais podem oferecer canais adicionais para a  
produção e circulação de conteúdos de autoria indígena. Tais usos podem favorecer  
narrativas alternativas, comunicação entre diferentes públicos e formas de resistência,  
mas seus efeitos dependem das condições concretas de acesso, circulação, visibilidade  
e apropriação das plataformas (Girão, 2023).  
As transformações históricas dos meios de comunicação ampliaram as  
possibilidades de circulação de narrativas indígenas, primeiro por mídias audiovisuais e,  
mais recentemente, pela internet e pelas redes sociais. Esse processo desafia visões  
essencialistas que associam os povos indígenas à exterioridade da modernidade técnica,  
mas não produz um cenário homogêneo: diferentes comunidades e sujeitos se  
relacionam com as tecnologias de maneiras desiguais, seletivas e situadas (Franco; Di  
Felice; Pereira, 2020; Santaella, 2003).  
Nos casos em que as plataformas são mobilizadas para autorrepresentação, as  
narrativas podem circular para além das fronteiras da aldeia e alcançar interlocutores  
diversos. Esse movimento abre possibilidades de diálogo, busca de apoio, defesa  
territorial e valorização cultural, sem que tais efeitos devam ser presumidos para toda  
experiência indígena conectada. O alcance e o sentido das publicações dependem dos  
sujeitos, dos contextos e das relações estabelecidas em cada situação comunicacional  
(Franco; Di Felice; Pereira, 2020).  
171  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Em contextos de conflito, comunidades indígenas, na tentativa de conter ações  
e problemáticas decorrentes de forças externas homogeneizantes do capital, podem  
mobilizar a opinião pública nacional e internacional, especialmente de atores que  
apoiam suas agendas políticas, por meio do espaço digital, em defesa de direitos que se  
encontram sob ameaça. Trata-se de estratégias que midiatizam a luta política,  
ampliando sua visibilidade e pressionando as autoridades a recuar ou a adotar medidas  
concretas diante dos conflitos em curso (Pinto, 2018).  
Essas  
experiências  
podem  
tensionar  
modelos  
predominantemente  
informacionais e ampliar possibilidades relacionais de comunicação ao colocar em  
circulação vozes, conhecimentos e práticas historicamente pouco reconhecidos nos  
meios hegemônicos. Ainda assim, a apropriação das tecnologias digitais não elimina  
assimetrias nem garante horizontalidade: ela cria condições para novas relações  
comunicacionais, cujos efeitos precisam ser examinados empiricamente (Bueno, 2013;  
Israel, 2021; Amaral; Filho, 2022).  
Em vez de atribuir à “comunicação indígena” uma natureza única ou  
necessariamente oposta à comunicação hegemônica, é mais produtivo reconhecer a  
diversidade de práticas, sujeitos, finalidades e plataformas envolvidas. Determinadas  
experiências podem privilegiar autorrepresentação, circulação de saberes, denúncia,  
articulação política ou valorização cultural; outras podem estar associadas ao cotidiano,  
ao entretenimento, às relações familiares ou a usos comerciais. Assim, o caráter político  
precisa ser demonstrado no plano das práticas e das relações concretas, e não  
presumido a partir da identidade dos sujeitos que comunicam.  
Voltando para a questão política, agora entrelaçada com a comunicação indígena  
e tentando responder o título da referida seção, recorremos a Marques (2011), que  
refletiu sobre comunicação, estética e a partilha do sensível, em diálogo com Rancière  
(1996; 2009), entende que quando comunidades indígenas utilizam redes sociais para  
narrar suas próprias experiências e contestar representações produzidas por governos,  
empresas ou grandes meios de comunicação, elas produzem um dissenso no sentido  
rancieriano: rompem a imagem de uma sociedade supostamente consensual e tornam  
172  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
visíveis conflitos, desigualdades e demandas anteriormente marginalizados e  
ignorados.  
Nesse sentido, o dissenso representa uma linguagem que não é entendida numa  
ordem já estabelecida, isto é, o comum. Essas relações de desigualdade são tensionadas  
por linguagens alternativas daqueles que não conseguem participar das estruturas do  
status quo. São, como apontamos no debate sobre Filosofia Política, os invisíveis  
causando rupturas no visível e tentando reconfigurar a ordem social estabelecida pelos  
agentes do capital que fundaram e se capilarizaram nas estruturas de poder (Rancière,  
1996, 2009; Marques, 2011).  
Porém, o status quo ainda é mantido, mesmo contestado frequentemente. Não  
é toda comunidade indígena que possui uma comunicação por meio das redes sociais,  
dada a carência de infraestrutura adequada e falta de políticas públicas direcionadas  
para suprir esse déficit. A Sociedade da Informação (SI) contemporânea deve ser  
democratizada, de modo a garantir que todos tenham acesso pleno aos recursos  
tecnológicos que a compõem, incluindo as comunidades indígenas e outras  
comunidades tradicionais. Contudo, esse processo deve considerar e respeitar suas  
especificidades culturais e suas necessidades, acontecendo de dentro para fora (Pinto,  
2018).  
Além disso, a comunicação indígena mediada pela internet e pelas redes sociais  
é influenciada e policiada pelas lógicas ideológicas e mercadológicas que orientam essas  
plataformas. Isso porque a “[...] a internet foi uma criação americana, e os valores  
americanos de abertura e liberdade de expressão (compartilhados por muitos, mas não  
por todos os países) moldaram a tecnologia e a governança da internet [...]” (Lewis,  
2020, p. 1). Em determinadas circunstâncias, essa dinâmica pode limitar o alcance de  
conteúdos considerados incompatíveis com seus interesses ou diretrizes, impedindo  
que alcancem um número significativo de pessoas. Em casos mais extremos, tais  
conteúdos podem ser removidos, e as contas de seus responsáveis, suspensas ou  
banidas.  
Essa dimensão geopolítica evidencia os limites da comunicação mediada por  
plataformas: mesmo quando conteúdos indígenas alcançam circulação expressiva,  
173  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
persistem desigualdades de infraestrutura, soberania e autonomia diante das Big Techs.  
Do ponto de vista da Filosofia Política mobilizada neste artigo, esse cenário não permite  
classificar de antemão toda comunicação digital indígena como política; exige observar  
se como determinadas práticas produzem dissenso, redistribuem visibilidades ou  
tensionam a ordem estabelecida.  
Para corroborar essa ideia, Rios e Silva (2023), ao realizarem uma pesquisa sobre  
a presença de dez influenciadores digitais indígenas no Instagram, que possuem um  
quantitativo de seguidores que varia entre 20 e 500 mil, identificaram que, dos 239 posts  
coletados e analisados, cerca de 33,47% são de caráter ativistas, e 29,29% são de caráter  
identitário, mesmo que eles não deixem claro a intencionalidade política nas  
publicações. Aparentemente, isso ocorre porque o corpo indígena tem a luta territorial,  
por sobrevivência e por asseguramento de seus direitos, que estão sempre em vigília,  
como algo rotineiro. Por isso, não precisam se declarar vinculados à política partidária  
ou institucional, pois suas vivências já são, de forma imanente, políticas, conforme a  
compreensão de Aristóteles (1995).  
À luz desse debate, a pergunta deixa de ser se a comunicação indígena é, em  
essência, uma comunicação política e passa a ser em quais situações determinadas  
práticas comunicacionais assumem caráter político. Essa mudança evita uma conclusão  
previamente dada e permite examinar empiricamente quando a produção e a circulação  
de narrativas indígenas introduzem dissenso, reconfiguram visibilidades, acionam  
alianças ou tensionam enquadramentos historicamente produzidos por agentes  
externos.  
A
apropriação  
das  
plataformas  
pode  
ampliar  
possibilidades  
de  
autorrepresentação e de circulação de narrativas próprias, mas ocorre em  
infraestruturas corporativas submetidas a regras de moderação, formatos, métricas e  
sistemas algorítmicos que não são controlados pelos usuários. Por isso, a dimensão  
política dessas práticas precisa ser analisada na tensão entre agência indígena e  
condicionamentos técnicos e econômicos das plataformas, evitando tanto uma leitura  
determinista quanto uma interpretação excessivamente celebratória da conectividade.  
174  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
4 PERCURSO METODOLÓGICO E CORPUS DIGITAL  
Do ponto de vista metodológico, o artigo mobiliza uma etapa exploratória de  
pesquisa em ambientes digitais, articulada ao desenho mais amplo da dissertação. A  
coleta de publicações de perfis vinculados à aldeia A’Ukre foi iniciada em abril de 2026  
e vem sendo realizada por meio de capturas de tela e da sistematização de informações  
disponíveis nas próprias plataformas. O ambiente digital é tratado simultaneamente  
como fonte, campo de observação e contexto de relações comunicacionais, em  
consonância com abordagens de pesquisa para a internet (Fragoso; Recuero; Amaral,  
2011).  
Para esta versão do artigo, mobiliza-se um corpus piloto constituído por  
publicações no Instagram já registradas de perfis vinculados a A’Ukre. Os materiais vêm  
sendo organizados em uma tabela analítica. A unidade de análise é a publicação,  
considerada em sua composição multimodal quando os elementos disponíveis —  
imagem, vídeo, legenda, marcações e demais recursos de circulação — permitem esse  
exame.  
Buscando uma análise mais precisa, neste texto, vamos apresentar duas  
publicações que se encontram armazenadas em nosso banco de dados. Os achados  
apresentados a seguir têm caráter preliminar e não substituem a etapa etnográfica  
presencial prevista no desenho da dissertação. A análise evita atribuir intenções  
políticas aos autores das publicações sem confirmação empírica e concentra-se em  
operações comunicacionais observáveis: modos de enquadrar o cotidiano, formas de  
autorrepresentação, elementos de territorialidade, regimes de visibilidade e  
possibilidades de dissenso. O trabalho de campo permanece necessário para  
compreender os sentidos atribuídos pelos próprios interlocutores às imagens e práticas  
aqui examinadas.  
5 QUANDO A COMUNICAÇÃO SE TORNA POLÍTICA: RESULTADOS EXPLORATÓRIOS  
A sistematização preliminar do material revela recorrência de registros  
relacionados a cerimônias, rituais, festividades e outras práticas tradicionais entre os  
Mẽbêngôkre-Kayapó. Esse dado é relevante porque desloca a análise da procura  
175  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
exclusiva por conteúdos explicitamente ativistas para a observação de como o cotidiano  
é tornado visível pelos próprios sujeitos. A dimensão política, nessa perspectiva, não  
está automaticamente no tema representado, mas pode emergir quando essas  
publicações interferem nos regimes pelos quais pessoas indígenas são vistas, narradas  
e reconhecidas no espaço público digital.  
Uma categoria particularmente produtiva a qual está prevista é a de  
enquadramento. Nos materiais já observados aparecem registros em que moradores se  
apresentam com pinturas corporais e ornamentos Mẽbêngôkre-Kayapó, compondo  
autorrepresentações que articulam presença digital, identidade e pertencimento  
territorial. Em vez de interpretar essas imagens como prova automática de resistência,  
interessa observar quem produz o enquadramento, como os corpos e práticas são  
apresentados e em que medida esses registros diferem de representações externas  
historicamente marcadas pela exotização ou pela tutela. Nas próximas linhas,  
apresentaremos duas dessas publicações.  
Figura 1: Tradição Mẽbêngôkre-Kayapó em A’Ukre  
Fonte: Banco de dados dos autores  
176  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
A publicação foi realizada no dia 4 de maio de 2025, na rede social Instagram.  
Embora o perfil seja de caráter público, optamos por não apresentar informações  
adicionais sobre o autor da postagem. Além disso, com o objetivo de preservar a  
identidade das pessoas presentes na imagem, suas faces foram borradas. Para analisar  
as publicações, focaremos nos principais elementos que visíveis nas duas imagens que  
optamos por analisar.  
A legenda da publicação, “o nosso tradição”, reforça a compreensão da ocasião  
como uma manifestação da tradição Mẽbêngôkre-Kayapó. Isso fica evidente com os  
elementos ornamentais que os indivíduos carregam em seus corpos, como cocares,  
pulseiras e braceletes. Nenhum desses elementos ornamentais são usados de forma  
aleatória, uma vez que suas cores e formatos possuem significados específicos e são  
utilizados em determinadas cerimônias, rituais e festividades na aldeia (Demarchi; Dias,  
2013). A publicação também rechaça representações essencialistas sobre os povos  
indígenas, considerando que, em A’Ukre, os moradores não passam 24 horas de seus  
dias utilizando tais ornamentações; seu uso ocorre de forma eventual, conforme as  
ocasiões e práticas culturais que vão sendo realizadas.  
A imagem, fotografada de forma horizontal, possivelmente por algum morador  
da própria aldeia, dado o perfil no qual ela foi publicada, foi registrada no centro da  
comunidade, mais especificamente na praça central, local onde costumam acontecer  
muitas das cerimônias, rituais e festividades da comunidade (Zanotti, 2016). Outro  
elemento que nos chamou atenção foi o estilo das vestimentas de todos os indivíduos  
presentes na imagem. Para isso, mobilizamos nossa categoria analítica “Estilo de  
vestimenta”, classificamo-lo como híbrido, ou seja, marcado pela incorporação de  
vestimentas de confecção não indígena, como shorts, bermudas e sandálias.  
Ao se apropriarem dessas vestimentas não indígenas em suas práticas cotidianas  
e culturais, observa-se que os povos indígenas, em especial os Kayapó de A’Ukre, assim  
como ocorre com a internet, os aparelhos eletrônicos e as redes sociais, incorporam  
cada vez mais esses elementos ao seu cotidiano. Isso não os torna menos indígenas nem  
enfraquece suas culturas; ao contrário, evidencia uma forma de autonomia indígena, no  
177  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
sentido de utilizar aquilo que lhes é conveniente, rompendo com um imaginário popular  
que representa os povos indígenas a partir de uma perspectiva essencialista e exotizada.  
A segunda publicação trata-se de um vídeo. Embora não consigamos reproduzir  
aqui, trabalharemos com um print screen do mesmo. Sua publicação aconteceu no 8 de  
janeiro de 2026 no perfil de um morador de A’Ukre. Trata-se, também, de um post que  
enfatiza a cultura Mẽbêngôkre-Kayapó, o que pode ser vista em vários elementos  
presentes na imagem.  
Figura 2: Cerimônia Mẽbêngôkre-Kayapó em A’Ukre  
178  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Fonte: Banco de dados dos autores  
Em um dos trechos da publicação, percebe-se que o autor ressalta o cotidiano  
cultural de A’Ukre: “Nesse período, acontecem cerimônias tradicionais, com cantos,  
pinturas no corpo e uso de cocares coloridos. Os homens e as mulheres se preparam  
com cuidado, mostrando respeito pelos ancestrais e pela natureza. A aldeia se enche de  
música, risos e orgulho da própria cultura.” É justamente esse contexto que o vídeo  
demonstra. Embora tenhamos optado por não apresentar, no print screen da imagem,  
determinados sujeitos e elementos presentes no vídeo, também aparecem mulheres  
sem a parte superior de suas vestimentas.  
179  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
Para aqueles e aquelas que não conhecem minimamente a cultura Mẽbêngôkre-  
Kayapó, essa situação pode ser interpretada como nudez. Todavia, trata-se de  
momentos específicos nos quais as mulheres, juntamente aos homens de A’Ukre,  
participam de determinadas cerimônias tradicionais nas quais, dependendo da ocasião,  
não utilizam a parte superior das vestimentas. Assim como ocorre com as pinturas  
corporais e as ornamentações, a nudez também não é aleatória, mas está relacionada a  
contextos específicos de suas práticas culturais. Shepard e Pace (2021) apontam que a  
nudez na cultura Mẽbêngôkre-Kayapó é registrada como parte intrínseca de suas  
práticas culturais, sobretudo quando ocorre no contexto de cerimônias e rituais  
específicos.  
A ocupação da praça central, as vestimentas, as pinturas e os ornamentos  
também chamam a atenção no vídeo. Todos esses elementos são registrados por meio  
de uma filmagem horizontal e publicados por alguém que faz parte da própria cultura e  
da realidade de A’Ukre. A própria legenda, conforme já destacado anteriormente, faz  
questão de ressaltar esse corpo social Kayapó, que possui significados que vão além  
daquilo que nós, não indígenas, conseguimos compreender. Seus significados podem  
ser implícitos para nós, mas, para os Mẽbêngôkre-Kayapó, possuem sentidos próprios e  
plenamente significativos.  
Nesse sentido, os corpos são fotografados e filmados não como forma de  
enfatizar o exótico, mas como maneira de reivindicar territorialidades por meio de  
elementos corporais e culturais que expressam o pertencimento e contribuem para a  
afirmação da identidade Mẽbêngôkre-Kayapó (Zanotti, 2016). Essa forma de disputar o  
imaginário social e de se autorrepresentar por meio das plataformas digitais constitui  
uma das formas de expressão política, uma vez que também está inserida em relações  
de poder, ainda que estas se apresentem de maneira mais velada quando comparadas  
a outros períodos.  
Assim, à luz de Rancière (1996, 2009), o potencial político dessas práticas pode  
ser localizado na disputa pela partilha do sensível. Quando sujeitos historicamente  
representados por agentes externos também produzem e fazem circular seus próprios  
enquadramentos, alteram-se, ainda que de maneira parcial, as condições de visibilidade  
180  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
e enunciação. O dissenso, portanto, não depende apenas de uma postagem  
declaradamente reivindicatória: ele pode operar na própria capacidade de aparecer,  
narrar a contemporaneidade indígena e disputar os sentidos atribuídos à vida em  
A’Ukre.  
Esse movimento, contudo, não equivale a uma soberania comunicacional plena.  
As publicações circulam em plataformas corporativas cujos formatos, critérios de  
moderação, métricas e sistemas de recomendação condicionam o alcance e a  
permanência dos conteúdos. Os resultados exploratórios apontam, assim, para uma  
tensão  
constitutiva:  
as  
redes  
sociais  
podem  
ampliar  
possibilidades  
de  
autorrepresentação e dissenso, ao mesmo tempo que submetem essas práticas a  
infraestruturas e regras externas à comunidade.  
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
Este artigo partiu da pergunta sobre em que condições práticas comunicacionais  
de pessoas Mẽbêngôkre-Kayapó vinculadas a A’Ukre podem ser compreendidas como  
práticas políticas nas redes sociais. A revisão teórica permitiu afastar duas reduções: a  
identificação da política apenas com instituições e, no sentido inverso, a suposição de  
que toda prática comunicacional seja política apenas porque seus sujeitos são seres  
políticos.  
Aristóteles contribui para historicizar a dimensão relacional da política, enquanto  
Rancière oferece o critério analítico mais diretamente mobilizado: a política se efetiva  
no dissenso e na reconfiguração da partilha do sensível. Essa perspectiva permite  
analisar a presença digital indígena não como evidência automática de politização, mas  
como campo no qual podem ocorrer disputas por fala, visibilidade, reconhecimento e  
enquadramento.  
No plano empírico, a análise exploratória do corpus já coletado indica  
recorrência de registros associados a rituais e cerimônias, além da relevância da  
categoria enquadramento para examinar autorrepresentações. Esses dados sugerem  
que o caráter político pode estar também em conteúdos cotidianos quando eles  
181  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
contribuem para deslocar regimes de representação e ampliar a capacidade de sujeitos  
vinculados a A’Ukre produzirem e circularem imagens de si e de suas experiências.  
Os resultados, contudo, não autorizam afirmar que toda comunicação  
Mẽbêngôkre-Kayapó em redes sociais seja política, horizontal ou contra-hegemônica,  
embora nós tenhamos trabalhamos com dois exemplos que seguem esse horizonte. O  
que o corpus preliminar permite sustentar é que determinadas práticas podem adquirir  
caráter político quando introduzem dissenso, tensionam enquadramentos externos,  
acionam pertencimentos territoriais ou disputam quem pode falar e aparecer sobre a  
realidade indígena.  
Também é necessário considerar que essas práticas acontecem em plataformas  
corporativas. A agência dos sujeitos convive com condicionamentos algorítmicos,  
mercadológicos e normativos que interferem na circulação e na permanência dos  
conteúdos. A autorrepresentação, portanto, não deve ser confundida com autonomia  
técnica ou soberania comunicacional plena.  
Como limite, esta etapa ainda não dispõe da interpretação dos próprios  
interlocutores sobre o conjunto de publicações analisado. A futura pesquisa de campo  
deverá confrontar as categorias construídas a partir do ambiente digital com as  
compreensões dos moradores de A’Ukre, especialmente quanto a autoria, circulação,  
segredo, visibilidade e usos políticos das imagens.  
A principal contribuição desta versão é deslocar a formulação de uma tese  
previamente estabelecida — “a comunicação indígena é política” — para uma questão  
empiricamente examinável: quando, como e sob quais condições práticas  
comunicacionais indígenas assumem caráter político. Esse movimento aproxima a  
Filosofia Política do material de pesquisa e responde à necessidade de demonstrar  
resultados, ainda que preliminares.  
Desse modo, o artigo não pretende definir a política na realidade Mẽbêngôkre-  
Kayapó, mas oferecer uma chave analítica provisória para compreender como práticas  
comunicacionais digitais podem interferir nos regimes de visibilidade e representação  
que atravessam os povos indígenas na contemporaneidade.  
182  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
REFERÊNCIAS  
ALENCAR, B. R.; SILVA, W. R. C.; F., M. S. TERRITÓRIO E POPULISMO DIGITAL: UMA  
VISÃO CIBERGEOGRÁFICA A PARTIR DO BOLSONARISMO: Territory and digital  
populism. Convergências: estudos em Humanidades Digitais, v. 1, n. 04, p. 104-123,  
2024. Disponível em: https://periodicos.ifg.edu.br/cehd/article/view/96. Acesso em:  
23 set. 2026.  
AMARAL, E.; FILHO, A. V. Comunicação dos Povos Indígenas como chave para práticas  
decoloniais de uma outra-comunicação. Revista Latinoamericana de Ciencias de la  
Comunicación, v. 21, n. 41, p. 60-72, 2022. Disponível em:  
2026.  
ARISTÓTELES. A Política. Bauru, SP: EDIPRO, 1995.  
BENJAMIN, W. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Porto Alegre:  
L&PM, 2018.  
BERTOLLO, M. A dinâmica na rede urbana brasileira atual e a capilarização da  
informação pelo smartphone no território. GEOUSP Espaço e Tempo (Online), v. 23, n.  
2, p. 262-284, 2019. Disponível em:  
BUENO, C. Comunidades indígenas usam internet e redes sociais para divulgar sua  
cultura. Ciência e Cultura, v. 65, n. 2, p. 14-15, 2013.  
CASTRO, I. E. Geografia e política: território, escalas de ação e instituições. Bertrand  
Brasil, 2005.  
CASTRO, R.; SOUZA., A.; FERREIRA, M.; MELLO, J. Comunicação política, fake news e  
redes sociais: uma revisão sistemática da literatura. Postdata, v. 27, n. 1, p. 48-63,  
2022. Disponível em:  
96012022000100048&lng=es&nrm=iso>. Acesso em 22 set. 2026.  
CASTRO, G. J.; OLIVIERI, A. G.; CASTRO, L. O lugar da Política na Filosofia Política de  
Aristóteles. Revista Processus de Políticas Públicas e Desenvolvimento Social, v. 6, n.  
12, p. e061310-e061310, 2024. Disponível em:  
23 set. 2026.  
COELHO, C. B. Povos indígenas contemporâneos: os Mebêngôkre-Kayapó e sua relação  
com a internet. 2024. 174 f. il. color.  
183  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
DEMARCHI, A.; DIAS, D. M. A imagem cronicamente imperfeita: o corpo e a câmera  
entre os Mebêngôkre-Kayapó. Espaço Ameríndio, v. 7, n. 2, p. 147, 2013. Disponível  
23 set. 2026.  
ESTEVES, L.; CAL, D. "Demarcar as telas": a comunicação digital como uma dimensão  
das resistências de mulheres indígenas. Anuário Internacional de Comunicação  
Lusófona, 2023.  
FRANCO, T. C.; DI FELICE, M.; PEREIRA, E. da S. O net-ativismo indígena na Amazônia,  
em contextos pandêmicos. Estudos em Comunicação, n. 31, p. 109-132,  
2026.  
GIRÃO, I. N. Comunicar para “segurar o céu”: diálogo com o comunicador indígena  
Rodrigo Tremembé sobre suas narrativas e experiências nas redes sociais. Revista  
Internacional de Folkcomunicação, v. 21, n. 47, 2023. Disponível em:  
2026.  
FRAGOSO, S.; RECUERO, R.; AMARAL, A. Métodos de pesquisa para internet. Porto  
Alegre: Sulina, 2011.  
GOMES, Pedro. A Partilha do Sensível: Rancière J. São Paulo: Editora 34, 2009 ISBN:  
8573263210. Revista Brasileira de Bioética, v. 10, n. 1-4, p. 106-109, 2014.  
HOFF, R. Identidades indígenas urbanas: autonarrativas contemporâneas midiatizadas  
no Instagram. Mídia e Cotidiano, v. 16, n. 2, p. 259-280, 2022. Disponível em:  
ISRAEL, C. B. Redes digitais: espaços de poder: por uma geografia da Internet. Rio de  
Janeiro: Consequência Editora, 2021. 376 p.  
LEWIS, J. A. Sovereignty and the evolution of internet ideology. Center for strategic &  
international studies (CSIS), 2020. Disponível em: <  
LOSURDO, D.. Colonialismo e luta anticolonial: desafios da revolução no século XXI.  
Boitempo Editorial, 2020.  
MARQUES, Â. C. S. Comunicação, estética e política: a partilha do sensível promovida  
pelo dissenso, pela resistência e pela comunidade. GALÁxIA. Revista Interdisciplinar  
de Comunicação e Cultura, n. 22, 2011. Disponível em: <  
2026.  
184  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
PEREIRA, E. Mídias Nativas: a comunicação audiovisual indígena-o caso do projeto  
Vídeo Nas Aldeias. Ciberlegenda, n. 23, p. 61, 2010. Disponível em: <  
2026.  
PINTO, A. A. O protagonismo comunicacional-informacional-digital indígena na  
sociedade da informação: antecedentes, experiências e desafios. Anuario Electrónico  
de Estudios en Comunicación Social" Disertaciones", v. 11, n. 2, p. 104-127, 2018.  
Disponível em:  
23 set. 2026.  
RANCIÈRE, J. A partilha do Sensível: estética e política. Tradução: Mônica Costa Netto.  
2a Ed, São Paulo; Editora 34, 2009. p.72.  
RANCIÈRE, J. O desentendimento: política e filosofia. Tradução de Ângela Leite Lopes.  
São Paulo: Editora 34, 1996.  
RIOS, L.; SILVA, C. Influenciadores digitais indígenas: o Instagram como mídia para  
manifestação identitária e ativista de indígenas da Amazônia Brasileira. Brazilian  
Creative Industries Journal, v. 3, n. 1, p. 215-241, 2023. Disponível em:  
SANTAELLA, L. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Revista  
3729.2003.22.3229> . Acesso em: 23 set. 2026.  
SHEPARD JR, G.; PACE, R. Authenticity and anthropophagy in Kayapó film production.  
Current Anthropology, v. 62, n. 3, p. 309-332, 2021. Disponível em: <  
2026.  
STRAUSS, L. O que é a Filosofia Política? Leviathan (São Paulo), n. 2, p. 1-27, 2011.  
em: 23 set. 2026.  
ZANOTTI, L. Radical territories in the Brazilian Amazon: the Kayapó’s fight for just  
livelihoods. University of Arizona Press, 2016.  
185  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
_____________________________________________________  
SOBRE O(A) AUTOR(A)  
Wesley Silva  
Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comuincação, Cultura e Amazônia (PPGCOM-UFPA).  
Graduado em Licenciatura em Geografia pelo Instituto Federal do Pará (IFPA). Pesquisador do Núcleo de  
Pesquisa em Educação e Cibercultura (NUPEC-IFPA). Ao longo da graduação, foi duas vezes Bolsista PIBIC  
(CNPq) no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), no qual atuou na Reserva Técnica de Arqueologia Mário  
Ferreira Simões, trabalhando no processo de curadoria de fragmentos arqueológicos Kuikuro, oriundos  
do Alto Xingu. Também no MPGE, é colaborador do projeto Vozes da Amazônia indígena: processos  
históricos da sociobiodiversidade frente aos desafios do Antropoceno, e do Observatório das Baixadas  
(@observatoriodasbaixadas) Foi bolsista PIBIC voluntário entre 2022 e 2023 no projeto de pesquisa ''O  
ritual e a cultura do cancelamento no Brasil: estudo qualitativo a partir de práticas discursivas na imprensa  
e na rede social Twitter entre 2018 e 2021''. Foi bolsista de extensão (PIBIX-2024), no projeto ''Ciclo de  
Oficinas formativas no âmbito do Projeto Jornal Digital: Jornalismo e Comunicação como ferramenta  
educacional no IFPA, Campus Belém''. De 2023 a 2025, desenvolveu o projeto de pesquisa intitulado  
''Ciberespaço e populismo digital: o nascimento e o crescimento do bolsonarismo nas redes sociais entre  
2013 e 2022'', o qual virou Trabalho de Conclusão de Curso e foi aprovado com louvor da banca (IFPA-  
2025). Ocupou a vaga de cronista/articulista no projeto de extensão ''Contando Várias Histórias: Jornal  
Digital (JD)'', vinculado ao mesmo núcleo. No âmbito da docência, foi bolsista do Programa Institucional  
de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) de 2022 a 2024. Em relação a pesquisa, seus interesses estão  
voltados para Geografia Política e Eleitoral, Geografia da Internet e do Ciberespaço, Política  
contemporânea, Filosofia Política e Comunicação.  
Breno Alencar  
É professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade  
Federal do Pará e do Curso de Licenciatura em História do Instituto Federal do Pará. É coordenador do  
Núcleo de Pesquisa em Educação e Cibercultura. Doutor em Antropologia pelo PPGSA/UFPA, mestre em  
Ciências Sociais e graduado em Ciências Sociais pela UFPA, desenvolve pesquisas na interface entre  
Antropologia, Educação e Tecnologias Digitais, com foco em cibercultura, parentesco, poder e mediações  
sociotécnicas. É líder do Grupo de Pesquisa em Antropologia na Educação Básica/IFPB e integra grupos  
como CORPOSTRANS/UFPI e o GICEP/IFPA. Coordena projetos de pesquisa e extensão voltados ao  
impacto das tecnologias digitais na sociedade e na educação, incluindo o LABTEC, dedicado à tradução e  
difusão científica em humanidades digitais. Já coordenou iniciativas financiadas pelo CNPq e pela FAPESPA  
sobre mediação digital do conhecimento e dinâmicas socioculturais no ambiente virtual. Organizou obras  
como Etnografia dos Afetos, publicação binacional com pesquisadores do Brasil, México e Finlândia, e a  
coletânea Antropologia na Educação Básica, em parceria com o IFPB e o Colégio Pedro II.  
186  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555  
ISSN 2179-9938  
COMO CITAR ESTE ARTIGO  
SILVA, Wesley; ALENCAR , Breno. A imanência do político: comunicação indígena e presença  
Mẽbêngôkre-Kayapó nas redes sociais. Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em  
Comunicação da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, v. 17, n. especial, p. e97555 , 2026.  
RECEBIDO EM: 17/08/2026  
ACEITO EM: 08/09/2026  
PUBLICADO EM: 23/09/2026  
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional  
_____________________________________________________  
187  
Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97555