ISSN 2179-9938
A Amazônia brasileira abrange cerca de 60% do território nacional, com
4.200.000km², e é considerada a maior floresta tropical do mundo. Ela é o lar
de povos indígenas que dependem da floresta para sua subsistência,
sobrevivência cultural e manutenção do conhecimento natural das ligações
com as relações ancestrais cosmológicas. (Lima e Santos, 2023, p. 2).
Do individual ao coletivo, um conjunto de processos se desdobram e se cruzam
enquanto acontecimento, afirmação e fenômeno cuja abordagem, nos limites da
linguagem, nos levam a refletir sobre o processo de simbolização, projeção,
mediatização e produção de imaginários. Que elementos simbólicos nos permitem uma
leitura integrada entre sujeito e ambiente? Que enfrentamentos comuns se configuram
como linguagem e discurso no contexto da resistência amazônica? Qual o papel da
natureza enquanto imagem e substrato de resistência no contexto midiático da cultura
drag local? Sem pretender esgotar o tema, o presente ensaio busca corroborar com um
pensamento sobre cultura queer, meio ambiente e processos de resistência destr grupo
minoritário no contexto da região amazônica.
A análise pela semiótica da cultura é o caminho metodológico proposto neste
processo reflexivo, tendo como problema de fundo a questão da construção simbólica
e artística em torno da expressão drag e o discurso sobre crise ambiental como
modalidade artística e comunicacional. Grosso modo, interessa-nos questionar o quê,
no nível de uma estética da comunicação e cultura, o eixo imagético – expressão drag e
natureza - produz como significado e se configura como experiência estética? O recorte
cultural e artístico definido neste processo investigativo, parte da produção artística das
Themônias da região de Belém do Para e, em especial, o caso da drag Uýra Sodoma, cujo
destaque nas mídias internacionais nos instiga a teorizar sobre o fenômeno drag
amazônico como um campo micropolítico para além de seu contexto local. É justamente
neste processo de afirmação de singularidades, que estratégias de representação e
comunicação são definidas. No caso das drags amazônidas a estratégia de visibilidade,
diga-se, de construção de imagem, explora a temática do meio ambiente, promovendo
críticas e reflexões sobre a crise ambiental e a cultura do consumo. Através de recursos
próprios de linguagem visual, as Themônias constroem críticas e difundem mensagens
que ao mesmo tempo que exaltam a beleza da floresta, expõe as contradições e os
limites da sociedade do consumo. A partir do movimento estético e cultural das
Themônias, uma linguagem simbólica se constrói e evidencia um padrão neste contexto
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Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97667