ISSN 2179-9938  
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DRAGS DA AMAZÔNIA:  
ESTÉTICA POVERA E NATUREZA COMO LINGUAGEM VISUAL  
AMAZONIAN DRAG QUEENS:  
POVERA AESTHETICS AND NATURE AS A VISUAL LANGUAGE  
DRAGS DE LA AMAZONÍA:  
ESTÉTICA POVERA Y NATURALEZA COMO LENGUAJE  
VISUAL  
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Maximiliano Zapata  
Universidade Federal do Ceará  
Fábio Pezzi Parode  
Universidade Federal do Ceará | Universidade Federal do Pará  
Resumo: A partir de uma proposta interdisciplinar, partindo da comunicação, filosofia e estudos de  
gênero, este ensaio busca compreender o fenômeno drag no contexto amazônico, tendo como foco  
a imagem midiatizada da cultura drag e seus processos de subjetivação. Como problema de fundo,  
questiona-se a cultura queer local enquanto meio e agente simbólico integrativo de processos de  
resistência e construção de uma imagem da Amazônia para o mundo. O método de análise proposto  
estrutura-se no regime ontológico e sígnico da imagem, definindo-se no escopo da filosofia da  
diferença de Deleuze e Guattari e na semiótica da cultura de Iuri Lotman.  
Palavras-chave: Uýra Sodoma; imagem; comunicação; filosofia da diferença; semiótica da cultura  
Abstract: Drawing on an interdisciplinary approach that bridges communication, philosophy, and  
gender studies, this essay seeks to understand the drag phenomenon within the Amazonian context,  
focusing on the mediatized image of drag culture and its processes of subjectivation. As an underlying  
problem, it questions local queer culture as a medium and integrative symbolic agent in processes  
of resistance and the construction of an image of the Amazon for the world. The proposed analytical  
method is structured around the ontological and semiotic regime of the image, framing itself within  
the scope of Deleuze and Guattari's philosophy of difference and Yuri Lotman's semiotics of culture.  
Keywords: Uýra Sodoma; image; communication; philosophy of difference; semiotics of culture  
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Resumen: A partir de una propuesta interdisciplinaria, partiendo de la comunicación, la filosofía y  
los estudios de género, este ensayo busca comprender el fenómeno drag en el contexto amazónico,  
centrándose en la imagen mediatizada de la cultura drag y sus procesos de subjetivación. Como  
problema de fondo, se cuestiona la cultura queer local como medio y agente simbólico integrador  
de procesos de resistencia y de construcción de una imagen de la Amazonía para el mundo. El  
método de análisis propuesto se estructura en el régimen ontológico y sígnico de la imagen,  
definiéndose en el marco de la filosofía de la diferencia de Deleuze y Guattari y en la semiótica de la  
cultura de Iuri Lotman.  
Palabras clave: Uýra Sodoma; imagen; comunicación; filosofía de la diferencia; semiótica de la  
cultura.  
1 INTRODUÇÃO  
A proposta deste ensaio é refletir sobre a cultura queer da região amazônica,  
focando na expressão drag como meio articulador entre a arte, a política e o discurso  
sobre gênero. Refletir sobre a cultura queer, em particular, sobre as drags da Amazônia  
brasileira, nos remete a um contexto social, econômico e ambiental complexo,  
divergente e politizado. Este ensaio é resultado de pesquisa de natureza qualitativa  
realizada em nível de doutoramento no campo da comunicação, cuja problemática de  
fundo é a transgeneridade e suas formas expressivas, o que inclui, a expressão drag.  
Assim, de forma interdisciplinar, busca-se aproximar conceitos da arte, da filosofia, da  
comunicação e também dos estudos de gênero. Da filosofia, interessa-nos  
particularmente a dimensão ontológica do ser drag enquanto expressão artística e de  
gênero carregada de simbologias e semioses complexas, remetendo a camadas mais  
profundas e ancestrais da Amazônia brasileira; busca-se, sobretudo, compreender os  
mecanismos que articulam a expressão visível através da linguagem artística e a  
subjetividade em devir através de uma dialética que remete ao corpo e sua capacidade  
afirmativa socialmente.  
Da arte e da comunicação, interessa-nos o processo de  
simbolização e construção imagética do sujeito drag enquanto projeto visual e de  
resistência política, manifestação de singularidades que, no horizonte comunicacional e  
coletivo, configura-se como movimento, como fluxo comunicacional e cultural,  
agenciando processos de transformação das estruturas sociais; dos estudos de gênero,  
interessa-nos a expressão drag como subjetivação e produção de diferença a partir de  
um determinado contexto, no caso, o contexto da Amazônia brasileira. Conforme Lima  
e Santos  
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A Amazônia brasileira abrange cerca de 60% do território nacional, com  
4.200.000km², e é considerada a maior floresta tropical do mundo. Ela é o lar  
de povos indígenas que dependem da floresta para sua subsistência,  
sobrevivência cultural e manutenção do conhecimento natural das ligações  
com as relações ancestrais cosmológicas. (Lima e Santos, 2023, p. 2).  
Do individual ao coletivo, um conjunto de processos se desdobram e se cruzam  
enquanto acontecimento, afirmação e fenômeno cuja abordagem, nos limites da  
linguagem, nos levam a refletir sobre o processo de simbolização, projeção,  
mediatização e produção de imaginários. Que elementos simbólicos nos permitem uma  
leitura integrada entre sujeito e ambiente? Que enfrentamentos comuns se configuram  
como linguagem e discurso no contexto da resistência amazônica? Qual o papel da  
natureza enquanto imagem e substrato de resistência no contexto midiático da cultura  
drag local? Sem pretender esgotar o tema, o presente ensaio busca corroborar com um  
pensamento sobre cultura queer, meio ambiente e processos de resistência destr grupo  
minoritário no contexto da região amazônica.  
A análise pela semiótica da cultura é o caminho metodológico proposto neste  
processo reflexivo, tendo como problema de fundo a questão da construção simbólica  
e artística em torno da expressão drag e o discurso sobre crise ambiental como  
modalidade artística e comunicacional. Grosso modo, interessa-nos questionar o quê,  
no nível de uma estética da comunicação e cultura, o eixo imagético – expressão drag e  
natureza - produz como significado e se configura como experiência estética? O recorte  
cultural e artístico definido neste processo investigativo, parte da produção artística das  
Themônias da região de Belém do Para e, em especial, o caso da drag Uýra Sodoma, cujo  
destaque nas mídias internacionais nos instiga a teorizar sobre o fenômeno drag  
amazônico como um campo micropolítico para além de seu contexto local. É justamente  
neste processo de afirmação de singularidades, que estratégias de representação e  
comunicação são definidas. No caso das drags amazônidas a estratégia de visibilidade,  
diga-se, de construção de imagem, explora a temática do meio ambiente, promovendo  
críticas e reflexões sobre a crise ambiental e a cultura do consumo. Através de recursos  
próprios de linguagem visual, as Themônias constroem críticas e difundem mensagens  
que ao mesmo tempo que exaltam a beleza da floresta, expõe as contradições e os  
limites da sociedade do consumo. A partir do movimento estético e cultural das  
Themônias, uma linguagem simbólica se constrói e evidencia um padrão neste contexto  
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imagético das drags amazônicas. Ainda que as Themônias se configurem como coletivo  
e também como movimento amplo e diversificado no campo estético-politico, há  
regularidades e estruturas de linguagem visual que se repetem, tais como a crítica a  
sociedade do consumo, o uso de materiais descartados e orgânicos diretamente  
coletados da natureza, referências à cosmologias do universo indígena e também o uso  
recorrente de uma linguagem visual associada ao campo estético do grotesco e da  
monstruosidade.  
A base epistemológica que sustenta as reflexões neste ensaio acerca da cultura  
drag e seus modos expressivos de luta e resistência, articula-se no diálogo entre filosofia  
da imanência (Deleuze e Guattari), a comunicação e a estética (Didi-Huberman), os  
estudos sobre discurso e poder (Michel Foucault), e os estudos de gênero (Judith Butler).  
Trata-se, sobretudo, de uma abordagem que problematiza as relações entre linguagem  
visual, poder e produção de sentido no contexto contemporâneo de crise ambiental.  
Que singularidades são constituídas pela comunidade queer, em particular, pela  
comunidade drag local e em que medida essa diferença se configura como um ícone de  
resistência e tecnologia de representação no campo comunicacional, atuando de forma  
integrada com outros movimentos culturais da região? Essa abordagem nos permite  
pensar a cultura drag local como um dispositivo midiático para além da questão de  
gênero, onde o ser drag Themônias se articula no nível de uma ontopolítica, com lutas  
pela preservação ambiental e territorial nativa, assumindo lugar de sujeito político no  
contexto contemporâneo de construção de imaginários sobre o território amazônico.  
Deste modo, este ensaio se divide em três tópicos que buscam inicialmente  
apresentar o contexto histórico e social do coletivo Themônias; a seguir, refletir sobre a  
base epistêmica simbolizada na produção artística deste coletivo e por fim, refletir sobre  
a produção cultural e comunicacional das drags amazônicas em sua proposta de  
integração com o contexto discursivo internacional voltado às lutas pela preservação  
ambiental e enquanto projeto de futuro comum da humanidade, (Brundtland, 1991).  
2 THEMÔNIAS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA  
Remeter ao contexto drag da região amazônica é um caminho que requer  
investigar sua relação com os movimentos culturais, sociais e religiosos que, ao longo da  
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história, permitiram o travestimento como estratégia de afirmação de gênero. As drags  
amazônicas construíram sua identidade focando na realidade local e como reação à  
hegemonia do estilo norte-americano, especialmente promovido pelo programa Ru Paul  
Drag Race. É nesta medida que este contexto drag amazônico distanciou-se da cultura  
drag internacional, nascido especialmente nas boates norte-americanas e europeias.  
Assim, uma das características da cultura drag da região amazônica é sua estrutura  
estilística claramente política, explorando uma linguagem fortemente calcada nos  
princípios anticoloniais, ambientais e ancestrais. Desse modo, considera-se que a cultura  
drag amazônica é tributária da ancestralidade do povo indígena, do contexto religioso  
que é particularmente forte nesta região do País e, atualmente, imerso nas questões  
que remetem à crise ambiental e proteção da floresta. No nível da construção discursiva  
e simbólica, elementos da natureza foram incorporados como adornos, adereços e  
maquiagens, produzindo composições que falam e articulam mensagens sobre as  
condições existenciais das drags amazônicas.  
A produtora Noite Suja em 2013, em Belém do Pará, está na base conceitual do  
coletivo conhecido como Themônias. Este coletivo vem atuando desde então nas  
festividades locais e é atualmente reconhecido pelo público como patrimônio cultural.  
Rafael Bqueer, uma das integrantes do coletivo Themônias, em uma entrevista  
concedida à Zoom - Revista de Fotografia do Instituto Moreira Sales, em 2022, diz o  
seguinte:  
“As Themônias são artistas que olham e bebem em tudo, seja nos  
quadrinhos, no cinema, na cultura paraense. [...] Ser themônia se tornou um  
movimento. São pessoas que começam a entender o aspecto político dessas  
montações [...] Ser themônia é muito mais do que ser uma figura drag. [...]  
Podemos não ter a visibilidade de uma drag que performa em grandes boates  
de São Paulo, por exemplo. Mas entendemos que o que fazemos é muito mais  
do que um show, é de fato a construção de um movimento político. (Bqueer,  
2022)1  
Por conta deste distanciamento da cultura drag internacional, conforme relata  
Rafael Bqueer (2022), constata-se que o universo drag amazônico consolidou-se com  
um caminho próprio, com uma identidade crítica, anticolonial que, do ponto de vista da  
29.08.2026>  
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forma, o distancia do glamour, da sofisticação e da espetacularização que  
frequentemente dominam os espaços da arte drag global. Esse padrão estilístico e  
conceitual, que do ponto de vista da estética e da arte aproxima-se da arte povera.  
2.1 ESTÉTICA DA PRECARIEDADE: ARTE POVERA2  
A Arte Povera faz parte dos movimentos artísticos de vanguarda dos anos  
sessenta que surgiram na Itália e uma de suas principais características foi a utilização  
de materiais simples, cotidianos muitas vezes encontrados na natureza e fora dos  
padrões tradicionais do campo artístico. Outro aspecto importante, do ponto de vista  
conceitual, e que aproxima as Themônias da Arte Povera é o princípio da reciclagem e  
utilização de materiais descartados pela sociedade de consumo, o que, no limite,  
promove uma crítica à sociedade capitalística e seu estímulo ao consumo efêmero. Esta  
aproximação conceitual entre a linguagem visual das Themônias e a Arte Povera, remete  
esta análise ao campo da crítica visual e de sua construção através da estética.  
A Arte Povera, em sua crítica, propunha literalmente “empobrecer a arte”,  
devido, especialmente, a uma percepção do sistema da arte enquanto dispositivo  
instaurador de dissimulações e desconstruções programadas, do ponto de vista da  
cultura dominante e elitista. Segundo a arte-educadora Laura Aidar (2026), “O  
movimento povera se destacou na pintura, escultura, instalação e performance. Sua  
ideia era, de fato, propor uma nova reflexão estética sobre o produto artístico ao  
“empobrecer a arte” e trazer à tona sua efemeridade através da utilização de materiais  
simples e naturais.”3 Algumas das características da Arte Povera, a partir de Aidar (2026)  
que podemos também identificar no escopo do conceito estético das Themônias são: 1.  
2 A Arte Povera foi um movimento artístico italiano radical que surgiu entre o final da década de 1960 e a  
década de 1970, cujos artistas exploraram uma gama de processos não convencionais e materiais não  
tradicionais do "cotidiano". A Arte Povera significa literalmente "arte pobre", mas a palavra "pobre" aqui  
se refere à característica do movimento de explorar uma ampla gama de materiais além dos tradicionais,  
como tinta a óleo sobre, bronze ou mármore esculpido. Os materiais usados pelos artistas incluíam terra,  
trapos e galhos. Ao utilizar materiais tão descartáveis, eles buscavam desafiar e romper com os valores  
do  
sistema  
comercializado  
das  
galerias  
de  
arte  
contemporânea.  
Disponível  
em:  
3 Fonte: Toda Matéria. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/arte-povera/ <acessado em:  
25.08.2026>.  
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crítica à sociedade de consumo; 2. oposição à cultura pop; 3. antiformalista; 4. utilização  
de materiais simples e naturais (sucatas, papel, vegetal, terra, metal, comida, sementes,  
areia, pedra, tecido, etc.); 5. criatividade e espontaneidade; valores pobres e marginais  
e temáticas da natureza e do cotidiano.  
A visualidade das Themônias foi sendo construída pelo próprio coletivo, fixando-  
se, no nível de sua identidade ao princípio da estética da precariedade, englobando o  
discurso anticolonial, além da expressão política em torno da defesa do meio ambiente,  
o que, no limite, aproxima este coletivo dos discursos contemporâneos globais em torno  
da crise climática e a necessidade de uma articulação mais ampla, incluindo a própria  
cultura, como estratégia de enfrentamento das mudanças provocadas pela ação  
humana no meio ambiente. Também, ressalta-se o uso de materiais orgânicos que  
remetem ao contexto da floresta, ao folclore e à ancestralidade dos povos indígenas.  
Especialmente por conta do emprego de materiais descartados pela sociedade do  
consumo e também pelo uso de materiais orgânicos como forma de conceituar um  
padrão discursivo critico, é que identificamos similaridades com o movimento artístico  
italiano de vanguarda conhecido como Arte Povera. Ambos os movimentos, Arte Povera  
nos anos sessenta e as Themônias, na atualidade, estruturam-se em torno da crítica à  
sociedade do consumo e suas consequências ao meio ambiente.  
Figura 1 – Obra Escultura viva (1966), de Marisa Merz  
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Fonte: Toda Matéria4  
2.2 A ESTÉTICA A MONSTRUOSIDADE COMO CAMPO EPISTÊMICO  
Conceitualmente, a estética das Themônias inscreve-se no campo do grotesco,  
entendido como uma modalidade estética que mobiliza o monstruoso, o disforme e  
o aberrante como recursos de produção de sentidos e de deslocamento das formas  
normativas de representação. Trata-se, no caso deste coletivo, de um padrão de  
linguagem visual que o coloca no escopo teórico dos estudos antropológicos do  
imaginário sobre o monstro. Na esteira da semiótica da cultura, a performance desses  
artistas em sua dinâmica simbólica e sua atuação micropolítica no campo  
sociocultural, pode ser associada ao conceito de fronteira e explosão desenvolvidos  
por Iuri Lotman (1996) no escopo dos estudos da cultura e da arte.  
A partir de Lotman (1996), entende-se o significado do monstro como uma  
figura de fronteira, como marcador simbólico e identitário que traça limites entre  
“um dentro e um fora”, entre o “normal” e o “anormal” de acordo com os padrões  
culturais estabelecidos historicamente. Ainda, a partir da semiótica da cultura,  
considera-se que estes seres habitam simbolicamente o lado obscuro do imaginário:  
são quimeras, monstros e figuras abjetas que estimulam pulsões e desejos  
socialmente proibidos. Desejos e pulsões que quando se manifestam, transgridem a  
norma, causando estranhamento e desconforto aos que a ela estão submetidos.  
Portanto, há uma função normativa e de exercício de poder através da identificação  
da monstruosidade como regulador dos limites e fronteiras entre um “dentro e um  
fora” dos espaços semióticos delimitados e definidos como a “justa medida” e o  
“limite confortável” para a manutenção estrutural do campo politicamente  
delimitado pelo poder instituído em seu exercício de coerção. Evidencia-se, portanto,  
uma dinâmica complexa de tensões e disputas pelo domínio dos meios garantidores  
do exercício do poder soberano e, portanto, de acesso aos privilégios decorrentes  
deste lugar político e social. Nesse horizonte de exercício do saber-poder, segundo  
4 Disponível em: https://www.todamateria.com.br/arte-povera/ <acessado em: 25.08.2026>.  
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Michel Foucault em os Anormais, a medicina, em especial a psiquiatria, assumiu o  
lugar institucional de definir e identificar os limites entre a normalidade e a  
anormalidade. Segundo o filósofo,  
com efeito, no momento em que a psiquiatria adquire a possibilidade de  
relacionar qualquer desvio, irregularidade, retardo, a um estado de  
degeneração, daí em diante conquistará uma possibilidade de ingerência  
indefinida sobre os comportamentos humanos. (Foucault, 2010, p. 298)  
Fig. 02 - "Hierogritos", cena do filme "Themônias", Belém/PA, 2022.  
Fonte: Instituto Moreira Sales5  
Fig. 03: Themônias/demonhas  
29.08.2026>.  
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Fonte: Arte Que Acontece6  
As Themônias integram esse horizonte epistemológico, onde a semiótica da  
cultura e a psicanálise se encontram e articulam conceitos sobre a cultura como  
fenômeno antropológico e psíquico. Buscando compreender a transgressão em sua  
dimensão mais profunda e em articulação com o imaginário, Gilbert Durand, ao refletir  
sobre as estruturas antropológicas do imaginário, identifica na félix culpa um princípio  
de prazer associado aos efeitos subjetivos do ato transgressivo. Segundo ele, "a  
regressão só é um mau momento passageiro, mas que se integra harmoniosamente no  
progresso dramático. É este o papel benéfico da félix culpa e, por isso, de Satã, o  
tentador de nossa história ou lendário do compromisso." (Durand, 1989, p. 317).  
No nível da representação das Themônias a dimensão transgressiva se tornou  
uma marca, uma estratégia de linguagem para atrair a atenção através do choque  
(explosão) e reter o olhar alheio, o que na prática estrutura-se como uma  
funcionalidade da imagem grotesca a partir do impacto visual, uma forma agressiva de  
produção de memória pela dimensão catártica. Aristóteles explica esse fenômeno  
através do prazer que o ser humano sente no processo provocado por emoções  
controladas, como ocorre no espaço da arte, estimulando o entendimento e segurança  
que este sentimento produz através da experiência projetada e simulada. A catarse  
neste contexto da estética do grotesco ativa emoções, sensações e produz uma forma  
de entendimento que gera alívio psíquico. Para Aristóteles,  
É, pois, a tragédia imitação de uma ação de caráter elevado e completa,  
dotada de certa extensão, em linguagem ornamentada, com cada uma das  
espécies de ornamentos distribuída por suas partes, imitação que se efetua  
por meio de ações dramatizadas e não por meio de uma narrativa, e que,  
suscitando  
a
piedade  
e
o
terror, tem por efeito  
a
catarse  
[purgação/purificação] dessas mesmas emoções. (Aristóteles, 1991, p. 205)  
Figura 04 –Representação da Santa Ceia com as Themônias  
6 Disponível em: https://artequeacontece.com.br/quem-sao-as-themonias/ <Acessado em: 25.08.2026>.  
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Fonte: Instituto Pipa7.  
Como diz Paul Valéry, “o mais profundo é a pele” (Valéry, 1960, p. 215).  
Considerando a relação entre o visível da superfície, seja a “pele”, a “máscara” ou  
ainda, o conjunto semiótico do figurino, e o nível mais profundo da subjetividade, as  
drags e as pessoas trans enfrentam processos de subjetivação intensificados pela  
violência social, pela rejeição e exclusão, por serem sujeitos ontopolíticos cuja  
natureza pode romper com os limites da forma normatizada e binária, fixada no padrão  
heteronormativo seja masculino, seja feminino. No caso das Themônias, este processo  
é marcado por ambiguidades, tensionamentos e rupturas, estruturando-se sobretudo,  
como dispositivo de produção de sentidos através da provocação e do choque visual.  
Dessa forma, o coletivo Themônias constrói uma semiosfera trans-lúdica e híbrida,  
cujo espectro simbólico e identitário situa-se na fronteira do normativo, por vezes,  
rompendo, por vezes, simplesmente tensionando. Nos momentos de transgressão  
podemos evidenciar outro conceito desenvolvido por Lotman, que nos ajuda a  
compreender este fenômeno em sua dimensão filosófica e cultural, atravessado pela  
violência de gênero e também pela problemática simbólica da linguagem e da  
construção da imagem. Para Lotman,  
El momento de la explosión es el punto de intersección de la  
imprevisibilidad. [...] La explosión es el momento de la pérdida de la  
imprevisibilidad: el futuro inmediato se vuelve incierto, y el abanico de  
posibilidades se abre bruscamente. La elección del camino a seguir deja de  
estar predeterminada por las condiciones que la precedieron. (Lotman,  
1999, p. 27)  
7 Disponível em: https://www.pipaprize.com/coletivo-themonias-da-amazonia/ <acessado: 22.08.2026>  
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A imagem que transgride e rompe com padrões estabelecidos e normatizados, é  
também aquela que produz a “explosão”, liberando as fronteiras e inaugurando novos  
espaços semióticos. Para Didi-Huberman, uma imagem é como um sintoma que é  
resultado de um processo mais complexo sempre envolvendo o sujeito e o objeto.  
Segundo o autor, "o ato de ver só se manifesta ao abrir-se em dois, ou seja, o que  
vemos vive em nossos olhos pelo que nos olha." (Didi-Huberman, 2010, p. 11). A  
imagem construída pelas Themônias opera no imaginário coletivo, seja como crítica,  
seja como afirmação, seja como libertação, seja como encantamento da realidade. Este  
conjunto simbólico das Themônias não é passivo e nem se reduz ao mero  
entretenimento, ao contrário, constrói sentidos e comunica através de uma semiótica  
que perpassa a arte da performance, da montação, da representação e da própria  
política.  
Seguindo o pensamento de Didi-Huberman, a imagem-sintoma opera na  
subjetividade não como mimese da natureza ou da própria sociedade, mas como  
diferença, tensionando os limites e as condições de construção de significado do olhar  
do observador. Qual o sentido da produção imagética das drags amazônidas? Grosso  
modo, podemos afirmar que existe um texto semiótico historicamente construído por  
um coletivo de transformistas, inicialmente local, porém, na atualidade, com alcance  
midiático internacional. Este coletivo se autodenomina Themônias, ou ainda,  
demonhas e aos poucos vem ganhando maior notoriedade no Brasil e em outras partes  
do mundo, como aconteceu durante viagem à França em 2025 para participar da Lille  
3000 Parade (Fig. 05), iniciando o circuito cultural francês que projeta a cidade de  
Lille como a capital da cultura da França naquele ano. A temática central foi a  
Amazônia como legado cultural e ambiental para o mundo. Para Rafa Bqueer,  
integrante do grupo Themônia, o principal legado foi problematizar a cultura drag, a  
partir da estética do anticonsumo, da precariedade e da preservação ambiental.  
Segundo a artista "o que fica desse cortejo é a importância da visibilidade e a  
valorização da Amazônia brasileira, uma Amazônia destruída e apagada que hoje grita  
para o mundo sua potência política mostrando para a França um Brasil ancestral e  
LGBTQIAPN+"8. Observa-se que o discurso sobre preservação ambiental ganhou  
8 Fonte: Pará Rede Liberal. Disponível em:  
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dimensão internacional e as Themônias passaram a integrá-lo como um conceito-chave  
em suas performances artísticas enquanto coletivo. Ainda sobre a estética do grotesco  
e sua dimensão ontopolítica, as Themônias, colocam-se em uma posição social  
radicalizada e próxima daquilo que Butler (2019) chama de corpos abjetos.  
Figura 05 – Themônias na França  
Fonte: G1 - Globo9  
O simbolismo imagético e o mimetismo da crise ambiental presentes na linguagem  
drag das Themônias, são gerativos de processos de subjetivação que intgram a arte  
themônia aos movimentos sociais, cuja intersecção se concretiza na problemática da crise  
ambiental e dos processos de inclusão da comunidade LGBTQIAPN+. Como parte deste  
grupo, destaca-se na atualidade o trabalho performático e artístico de Uýra Sodoma, cuja  
qualidade estética ganhou destaque na capa da revista Vogue Brasil em 2020 (Fig. 06). A  
performance da drag Uýra Sodoma é reveladora de potencialidades estéticas para além  
do campo da arte, expandindo o universo de reconhecimento artístico das Themônias.  
9 Disponível em :  
VlBNDNYLUlNGAEwARgHIKaHlPcESggQARgBIAEoAQ <Acessado em: 21.08.2026>  
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2.3 Uýra Sodoma na capa da Vogue Brasil: há esperança?  
Uýra Sodoma não é apenas parte da nova geração drag da região amazônica, mas  
sinaliza enquanto agenciamento artístico, político e midiático, um futuro possível e um  
território existencial de referência partindo da cidade de Belém do Pará para um  
campo imagético da cultura drag em nível internacional, carregando simbolismos e  
conteúdos do universo brasileiro que interessam ao mercado de consumo de cultura  
global. Uýra Sodoma, nome artístico de Emerson Munduruku é descendente de  
indígenas e nasceu na Amazônia brasileira. Segundo a própria artista, a personagem  
Uýra Sodoma surgiu como um alter ego drag queen para ensinar sobre conservação  
ambiental. (G1, 2018, p. 1).  
Figura 06 - Uýra Sodoma na capa da Vogue  
Fonte: Vogue Brasil, Hick Duarte, de setembro de 2020.  
É dentro desta construção narrativa voltada às questões da região amazônica e  
ao discurso anticolonial que Uýra Sodoma imprime sua marca de singularidade a partir  
do coletivo Themônias, personificando a cultura drag como um canal propulsor de  
críticas e estímulos à reflexão sobre valores, crenças e proteção ao meio ambiente. De  
forma mais ampla considerando a dimensão comunicacional, uma Themônia funciona  
como uma tecnologia discursiva e imagética, um dispositivo artístico democrático e  
10  
de-setembro.html <Acesso em 22.08.2026>  
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aberto, capaz de promover conhecimento através das críticas e confrontos semióticos  
que concretiza seja na região amazônica, seja no mundo globalizado através das  
mídias.  
2.4. Micropolíticas  
É nessa medida que o coletivo Themônias, incluindo Uýra Sodoma, ganha  
dimensão micropolítica, ou seja, a partir de suas articulações com a realidade local e  
global, com seu substrato semântico-crítico à cerca da crise ambiental que envolve a  
maior floresta tropical do planeta. Esse capital simbólico ancorado na imagética das  
Themônias tem ressonância com as críticas ao modelo hegemônico do capitalismo  
mundial integrado (CMI) construídas por Félix Guattari (2010). De forma radical, Uýra  
Sodoma em conjunto com as Themônias representam formas dissidentes de  
expressão de gênero, (BUTLER, 2003) focando em uma estética crítica e reativa aos  
padrões hegemônicos promovidos pelo regime capitalístico e pelo patriarcado. Ser  
uma Themônia é fazer parte de um movimento político, artístico e de gênero. Nasceu  
como expressão estética que explora a linguagem do lado demoníaco e monstruoso  
do imaginário local, contudo, após abarcar as questões ambientais em seu discurso,  
ganhou proporções simbólicas e comunicacionais para além das fronteiras de uma  
problemática de gênero. É nesse sentido que as performances deste coletivo  
aproxima-se do conceito de micropolíticas de Guattari e Deleuze. Segundo os autores  
"uma micropolítica é uma política da experiência, do desejo, da percepção, do  
afetivo, de tudo o que precede a formação das grandes identidades sociais e  
políticas." (Guattari e Deleuze, 1996, p. 84).  
A afirmação de uma identidade drag como reação à sociedade do consumo e ao  
processo de dominação heteronormativo na sociedade, combinada com o discurso da  
proteção ambiental e crítica ao consumo, constrói um diferencial ontopolítico para as  
Themônias: elas se transformam em sujeitos políticos cujas performances compõem o  
espectro das estratégias micropolíticas da cultura LGBTQIAPN+ para afirmação de sua  
singularidade e também para tecer críticas e participar dos movimentos coletivos para  
a preservação da floresta amazônica.  
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Figura 07 - Uýra Sodoma11  
Fonte: G1 (Globo), Foto: Ricardo Oliveira/AFP  
A perspectiva holística de Guattari em Três Ecologias, aproximando os  
processos de subjetivação, do social e do ambiental, corrobora com o esforço teórico  
de compreender o fenômeno drag amazônico. A relação imagética das drags  
amazônicas com a natureza é um traço de singularidade que reverbera com outros  
movimentos sociais e ambientais, midiatizando a imagem do contexto amazônico  
para além de uma semiosfera (Lotman, 1996) regional. O fenômeno drag amazônico  
em sua peculiaridade estética, tensiona o entendimento do fazer drag, portanto, seus  
limites conceituais, abrindo esse campo expressivo para uma linguagem drag como  
comunicação e política, o que nos leva a uma problematização do fazer drag em sua  
dimensão mais ampla, integrando arte e mídia na concepção do campo drag.  
Uma análise preliminar deste fenômeno drag nos revela que seu afastamento  
da estética padrão internacional, tem provocado rupturas com a imagem drag  
tradicional no seu campo específico da arte do espetáculo — excessivamente  
estetizante e distante de críticas sociais ou ambientais. É possível que esse processo  
de construção estética permita a emergência de um universo midiático no qual o  
corpo, ao interagir com seu entorno, transcenda a si mesmo, de modo a encapsular e  
11 https://g1.globo.com/natureza/noticia/2018/07/26/conheca-uyra-sodoma-a-drag-queen-amazonica-  
comprometida-com-a-floresta.ghtml <acessado em: 22.08.2026>  
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reproduzir as contradições de seu tempo, gerando saberes e conhecimento. No  
contexto da arte de Uýra Sodoma e das Themônias, a utilização de materiais naturais  
como sementes, folhas, cipós, trepadeiras, terra, e outros materiais orgânicos  
naturais e originários da região, valoriza a cultura local e comunica uma relação  
possível entre natureza e humanidade através da linguagem da arte, podendo operar  
nas subjetividades coletivas, não apenas locais, mas ampliando-se no horizonte  
cultural internacional, na medida em que comunica valores e propõe estéticas que  
sensibilizam sobre a problemática ecológica.  
Do ponto de vista político, podemos observar que o trabalho de Uýra Sodoma  
e das Themônias, dialoga com as lutas dos LGBTQIAPN+, dos povos indígenas, e de  
forma muito explícita, atualmente, com a questão da preservação ambiental. De  
forma mais geral, podemos considerar que a arte themônia comunica resistência e  
decolonialidade, afirmando o corpo drag como mídia e a cultura queer amazônica  
como movimento integrado às lutas pela preservação ambiental.  
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS  
O eixo problemático deste ensaio foca nas questões ontopolíticas,  
comunicacionais e estéticas das drags amazônicas. Do ponto de vistas epistêmico,  
a filosofia pós-estruturalista, especialmente com o pensamento dos franceses Félix  
Guattari, Gilles Deleuze e Michel Foucault, no âmbito da filosofia da diferença, e  
ainda com os estudos de gênero de Judith Butler, deram sustentação teórica às  
reflexões que foram construídas ao longo deste percurso metodológico, tanto sobre  
a problemática em torno do gênero, quanto às questões relativas ao processo  
comunicacional, envolvendo a dinâmica das representações e da significação na  
mídia e para além dela, ou seja, numa dimensão mais profunda, envolvendo  
subjetividade, desejo e ontopolítica.  
Como afirmam Rolnik e Guattari em Revoluções Moleculares (1985), o que se  
busca é uma análise dos fluxos de desejo e de seus agenciamentos no campo social,  
político e comunicacional, identificando os tensionamentos, as potencialidades e o  
fluxo propriamente dito em sua diversidade.  
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Este ensaio suscita problemáticas no campo da arte drag e da expressão de  
gênero e projeta, de alguma forma a desconstrução da lógica patriarcal e de  
barreiras, muros, guetos, e representações sociais e culturais que limitam a  
existência trans e operam socialmente como definidores desses corpos como corpos  
abjetos, como corpos que não importam (Butler, 2019). Nessa medida, este ensaio,  
em sua dimensão política, situa-se junto aos movimentos sociais das minorias,  
buscando inclusão, reconhecimento e cidadania.  
Por fim, o trabalho de Uýra Sodoma, nos proporcionou um novo olhar sobre a  
questão ambiental, ressaltando o papel da cultura, da arte, da linguagem e da  
comunicação drag enquanto tecnologia representacional. O ativismo das drags  
amazônicas é revelador de estratégias comunicacionais frente aos desafios  
contemporâneos de enfrentamento das mudanças climáticas e também da  
necessidade de se problematizar a desigualdade social e a construção de um  
imaginário complexo e profundo, calcado entre ancestralidade, magia e  
micropolíticas nas produções queer desta região.  
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SOBRE O(A) AUTOR(A)  
Maximiliano Zapata  
Doutor em Comunicação (UFC); mestre em Filosofia (PUCRS); Bacharel em Filosofia (PUCRS).  
Fábio Pezzi Parode  
Doutor em Estética pela Université de Paris 1 - Panthéon Sorbonne (2005), mestrado em Ciências da  
Comunicação pela UNISINOS (2000), Especialista em Design Estratégico pela UNISINOS (2008), graduação  
em Comunicação Social Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1992).  
COMO CITAR ESTE ARTIGO  
ZAPATA, Maximiliano; PARODE, Fábio Pezzi. Drags da Amazônia: estética povera e natureza como  
linguagem visual. Passagens: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da  
Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, v. 17, n. especial, p. e97667, 2026.  
RECEBIDO EM: 31/08/2026  
ACEITO EM: 31/08/2026  
PUBLICADO EM: 23/09/2026  
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional  
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