ISSN 2179-9938
como os rios, a chuva, a fauna e a flora, os ritos e as manifestações culturais, trazendo a
ideia de riqueza, cultura exótica, mata virgem e diversidade, entre outras.
Outros elementos também participam dessa construção, como a madeira, os
peixes, os lugares turísticos, o artesanato indígena, os barcos e as cidades. São signos
diferentes entre si, mas que, quando selecionados e organizados em uma
representação, produzem sentidos associados àquilo que já circula no imaginário sobre
a Amazônia. Podemos entender, então, que a paisagem ocupa uma posição importante
na construção dessa Amazônia simbólica discutida por Amaral Filho (2016). O conjunto
desses signos, que pela circulação e repetição em diferentes representações passam a
ser associados à região, constitui o que podemos compreender como um repertório
sígnico da Marca Amazônia, oferecendo elementos para que uma determinada imagem
possa ser reconhecida como amazônica.
A existência desse repertório não significa, entretanto, que exista uma única
forma de representar a Amazônia ou que esses signos apresentem sempre os mesmos
sentidos. Florestas, rios, barcos, animais ou povos originários podem produzir diferentes
significações dependendo das relações estabelecidas dentro de uma imagem e do
contexto em que aparecem. O que nos interessa é perceber a recorrência de
determinadas escolhas e a capacidade que esses elementos adquiriram de remeter à
região. Quando alguns signos são constantemente utilizados para representar a
Amazônia, passam a ocupar uma posição privilegiada nesse repertório, contribuindo
para manter e atualizar formas já estabelecidas de imaginá-la.
Representar implica selecionar, enquadrar e tornar visíveis determinados
elementos em detrimento de outros. A Amazônia que circula por essas imagens é, na
verdade, uma Amazônia mediada, construída a partir de escolhas que interferem na
maneira como a região passa a ser percebida e reconhecida. As ausências produzidas
nesse processo também evidenciam a exclusão de outros aspectos da realidade da
região. A complexidade das cidades, as experiências cotidianas, as tecnologias, as
transformações sociais e as múltiplas formas de existência presentes no território
disputam espaço com uma representação fortemente vinculada à floresta e à natureza.
Dessa forma, a construção simbólica da região não ocorre apenas por aquilo que é
mostrado, mas também por aquilo que permanece fora dessas representações.
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Licença CC BY 4.0 · Acesso Aberto · ISSN 2179-9938 · e97668