Medo, esperança e o ato estético

Dispositivos meta-ficcionais em O homem do castelo alto, de Philip K. Dick

Resumo

A partir de cenas a evocarem ora medo, ora esperança, na obra O homem do castelo alto, o artigo propõe que a estratégia de Philip K. Dick envolve dispositivos meta-ficcionais como o “livro dentro do livro” precisamente em função de sua escolha por um evento tão fundante como foi a Segunda Guerra Mundial, para então possibilitar visões críticas em diferentes níveis históricos. Tais meta-movimentos, que impulsionam múltiplas leituras, são então refletidos nas duas dimensões da estória, através da circulação de objetos a conter historicidade – algo tomado como exemplo da potencialidade do ato estético em meio a tempos totalitários. As forças aparentemente paradoxais a emanarem de artefatos (o fulgor das metáforas reside tanto no fictício O gafanhoto torna-se pesado quanto na joia) abrem espaço para a construção do diferente, e de mecanismos imaginativos que escapam a existências unívocas.

Biografia do Autor

Eduardo Prado Cardoso, Universidade Católica Portuguesa

Eduardo Prado Cardoso graduou-se em Audiovisual pela ECA-USP (2011) com ênfase na escrita de roteiro. Com bolsa da Comissão Europeia, realizou mestrado em Realização Cinematográfica (2017) em Portugal (Universidade Lusófona), Reino Unido (Edinburgh Napier University) e Estônia (Tallinn University).  Sua pesquisa atual, parte de um doutorado em Estudos de Cultura e apoiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, investiga relações entre episódios de assassinatos, cibercultura e pós-modernidade no Brasil dos anos 2010.

Publicado
2021-03-12