Autognose pátria no romance Directa, de Nuno Bragança

  • Carlos Conte Neto Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Resumo

O escritor português Nuno Bragança (1929-1985) resistiu à ditadura fascista em duas frentes: seja como militante oposicionista (fez parte dos “católicos progressistas” e colaborou com as Brigadas Revolucionárias), seja como escritor. Aliás, seu companheiro de luta Carlos Antunes o define como “guerrilheiro escritor”. Nota-se, enquanto escritor, seu desejo de investigar a fundo os condicionantes históricos do presente português, a fim de se pensar um Portugal outro, mais livre e justo. É a autognose pátria – ou seja, a tentativa de interpretar a entidade histórica chamada Portugal – que se põe a serviço da resistência e da ação política. E no romance Directa esse empenho se torna evidente. Pretende-se, neste artigo, falar brevemente do contexto político em que a obra foi escrita e mencionar elementos de resistência na biografia do autor. Também se pretende mostrar em que consiste esse movimento interpretativo, incluindo o nome de Nuno Bragança numa linhagem de autores-intérpretes de Portugal.

Biografia do Autor

Carlos Conte Neto, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e Mestre em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa. 

Publicado
2021-03-12