APLICAÇÃO DO MÉTODO GRAVIMÉTRICO PARA ESTUDO DA GEOLOGIA DE SUBSUPERFÍCIE NA ÁREA DO CAMPUS UNIVERSITÁRIO DO PICI E NO MUNICÍPIO DE FORTALEZA

  • Karen Maria Leopoldino Oliveira Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Cláudia Estefani Rodrigues Saraiva Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Caio César Alves Jucá Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Eduardo Nunes Capelo Alvite Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Francisco Fernando Barros dos Santos Filho Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Nilton César Vieira da Silva Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Raimundo Mariano Gomes Castelo Branco Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
  • Nilo Costa Pedrosa Junior Serviço Geológico do Brasil - CPRM - Residência de Teresina.

Resumo

Os métodos gravimétricos apresentam grande importância em investigações da geologia de subsuperfície devido à sua aplicabilidade diversificada, sendo utilizada desde na exploração de hidrocarbonetos até estudos geológicos, como na investigação de estruturas de grande e média escala. Assim, a fim de capacitar a equipe de pesquisadores do Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR), realizou-se uma aquisição de dados gravimétricos na área do Campus Universitário do Pici, os quais foram integrados com estações gravimétricas do município de Fortaleza oriundas do banco de dados do LGPSR, onde posteriormente foram processados e interpretados, permitindo a identificação de estruturas geológicas e tectônicas. A interpretação desses dados permitiu identificar anomalias positivas, entre 0,1 a 0,6 mGal, na área do Campus Universitário do Pici, as quais podem ser associadas a presença de rochas mais densas ou a altos no embasamento cristalino, além da presença de lineamentos com direção principal de NE-SW. Para o município de Fortaleza e adjacências, verifica-se um aumento no campo gravitacional de sul para norte, este pode ser associado ao afinamento crustal característico da margem continental passiva do Nordeste Brasileiro, e, também, lineamento principais na direção NW-SE. A Deconvolução de Euler permitiu identificar, para a área do Campus do Pici, estruturas rasas possivelmente associadas a Formação Barreiras e, para o município de Fortaleza, foram identificadas estruturas com profundidade entre 1000 e 2000 metros que podem ser correlacionadas a descontinuidades e falhamentos provocados pela tectônica recente e/ou reativação de falhas mais profundas no embasamento cristalino.  Foi gerado um modelo geológico 2D para o Campus do Pici, visando caracterizar a geometria e a profundidade das unidades geológicas, o qual teve seu resultado corroborado por meio do perfil construtivo do poço tubular do LGPSR –UFC.

Biografia do Autor

Karen Maria Leopoldino Oliveira, Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Doutoranda pela Universidade Federal do Ceará. Mestre em Geologia com linha de pesquisa em Geofísica Aplicada, vinculada ao Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR - UFC). Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal do Ceará (2013). Possui experiência profissional docente como professora substituta da Universidade Federal do Ceará nos anos de 2016 e 2017. Já foi bolsista Petrobras e do Programa de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP - PRH31). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em geofísica aplicada ao estudo de bacias sedimentares, geofísica do petróleo e cartografia geofísica regional.
Cláudia Estefani Rodrigues Saraiva, Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Graduanda em Geologia - Bacharelado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Possui vínculo com o Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR). Tem experiência em Geofísica Aplicada com ênfase aos métodos elétricos (Eletrorresistividade) aplicados à Hidrogeologia.
Caio César Alves Jucá, Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal do Ceará (2015), vinculado ao Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR - UFC).  Tem experiência em Geofísica Aplicada com ênfase aos métodos elétricos (Eletrorresistividade) aplicados à Hidrogeologia.
Eduardo Nunes Capelo Alvite, Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal do Ceará (2015), vinculado ao Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR - UFC).  Tem experiência em Geofísica Aplicada com ênfase aos métodos elétricos (Eletrorresistividade) aplicados à Hidrogeologia.
Francisco Fernando Barros dos Santos Filho, Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Possui graduação em Física Licenciatura pela Universidade Federal do Ceará (2012). Foi bolsista de Iniciação Científica (UFC-ASTEF) e de Extensão no Projeto Interdisciplinar de Formação Continuada para Professores de Comunidades Pesqueiras. Tornou-se mestre em Geologia pela Universidade Federal do Ceará com linha de pesquisa em Geofísica Aplicada, vinculado ao Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto (LGPSR - UFC) e possui experiência na área de Geociências, com ênfase em Geofísica Aplicada ao estudo de bacias sedimentares, através dos métodos de gravimetria, magnetometria e magnetotelúrico.
Nilton César Vieira da Silva, Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Possui graduação em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Ceará(2001), especialização em Gestão Universitária pela Universidade Federal do Ceará(2006), curso-tecnico-profissionalizantepela Escola Técnica Federal do Ceará(1993) e curso-tecnico-profissionalizantepela Escola Técnica Federal do Ceará(1988). Atualmente é Técnico do Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto da Universidade Federal do Ceará.
Raimundo Mariano Gomes Castelo Branco, Universidade Federal do Ceará Laboratório de Geofísica de Prospecção e Sensoriamento Remoto-LGPSR/UFC
Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal do Ceará - UFC (1981), Especialização em Sensoriamento Remoto Pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE (1983), Especialização em Gemologia pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP (1981), Mestrado em Geoquímica e Geotectônica pela Universidade de São Paulo - USP (1986) e Doutorado em Geofísica e Teledetecção pela Universidade de Nantes na França (1994). Atualmente é Professor Associado IV da Universidade Federal do Ceará lotado no Departamento de Geologia do Centro de Ciências e participa do Programa de Pós-Graduação em Geologia. Fez parte do programa de Pós-Graduação do Instituto de Ciências do Mar - LABOMAR e do Curso de Pós-Graduação em Geociências da Universidade de Brasília e da Universidade de Cagliari na Itália. Participa do Programa de Pós-Graduação em Geofísica da Universidade de Lisboa. A principal área de atuação está ligada à investigação geofísica rasa de regiões costeiras, bacias sedimentares, através de métodos geofísicos, notadamente estudo de sistemas aquíferos, modelagens, meio ambiente, contaminação, processamento de imagens e SIG. Realiza pesquisas na área de métodos não sísmicos (EM,ER, Potenciais) aplicados ao petróleo e gás. As investigações geofísicas envolvem ainda os métodos eletromagnéticos no domínio do tempo e da frequência (MT, CSAMT, TDEM, EM, GPR), métodos elétricos, perfilagem geofísica de poços e métodos potencias (GRAV, MAG). Atua também em diversos estudos ambientais como Estudos de Viabilidade Ambiental (EVA), Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EI RIMA) e Planos Básicos Ambientais (PBA). Foi coordenador de diversos projetos de pesquisa, contratos e termos de cooperações junto às diversas agências de fomento à pesquisa e empresas como FINEP, CNPq, BB, FUNCAP, MCT, MINC, MME-Serviço Geológico do Brasil CPRM. Atualmente coordena projetos na Rede de Geofísica PETROBRAS/CENPES/ANP e para o Serviço Geológico do Brasil CPRM.Recentemente, coordenou os Projetos Ambientais envolvendo Geofísica, Geologia, Hidrogeologia e Geoquímica para Instalação da Refinaria Premium II do Ceará e para o Sistema de Transporte Pesados.
Nilo Costa Pedrosa Junior, Serviço Geológico do Brasil - CPRM - Residência de Teresina.
Geofísico do Serviço Geológico do Brasil - CPRM. Graduação e Mestrado em Geologia pela Universidade Federal do Ceará. Doutor em Geologia Regional pela Universidade de Brasília (2015). Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Geofísica Aplicada ao estudo de bacias sedimentares e cartografia geofísica regional. Participa de projetos de pesquisa no LGPSR-UFC. É membro da Sociedade Brasileira de Geofísica.

Referências

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Publicado
2018-05-22
Seção
Artigos