Violência infantojuvenil no contexto escolar: práticas discursivas sobre bullying e seus efeitos

João Paulo Pereira Barros

Resumo


Tema pertinente à problematização das políticas de diferença e das relações alteritárias, o bullying tem se constituído como uma das modulações de violência infantojuvenil que mais tem sido destacada em contextos escolares e educacionais desde as últimas décadas do século XX. A partir de interlocuções com autores do campo da Filosofia da Diferença, como Foucault, Deleuze e Guattari, bem como com produções da Psicologia e da Educação que se utilizam de suas ferramenta teóricas, este artigo visa problematizar práticas discursivas sobre bullying que operam no cotidiano escolar. Deriva de tese de doutorado que se deu por meio de pesquisa-intervenção operacionalizada em uma escola pública no Nordeste brasileiro, da qual participaram profissionais da escola, estudantes de 11 a 15 anos e familiares desses estudantes. A pesquisa-intervenção utilizou-se de observação participante e produção de diário de campo, entrevistas semiestruturadas com a direção da escola, oficinas com docentes e estudantes, além de rodas de conversas com familiares dos discentes. A seção dos resultados deste texto destaca como sobressaem, no cotidiano escolar pesquisado, práticas discursivas que ratificam processos de naturalização, banalização e despolitização da violência escolar, à medida que posicionam o bullying como um fenômeno auto-evidente. 


Palavras-chave


violência; bullying; escola; discursos; cartografia

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