Arte, Pixo e Política: dissenso, dissemelhança e desentendimento

Glória Diógenes

Resumo


As metrópoles do século XXI, de quase todo o planeta, diversamente da uniformidade, repetição e padrão que configuram as paisagens arquitetônicas, têm sido intensamente bombardeadas, marcadas, desenhadas, rubricadas como se formassem uma plural e extensiva tela urbana. As fronteiras entre o que se considera esfera pública, em contraposição à privada, os liames entre o que se classifica como sendo ação legal e ilegal, a permeabilidade que contorna as artes urbanas e intervenções designadas como vandal, têm frequentemente confundido e embaralhado pautas que dinamizam o espaço da mídia, das políticas públicas e dos próprios agentes que intervêm na cidade. Esse artigo propõe-se, por meio de um tipo de uma antropologia que opera unificando o uso de imagens e teias narrativas, a identificar a emergência em Fortaleza de um tipo de pixação que estreita conexões entre política e arte e esgarça assim cada um desses significantes. Identificamos ao longo da escrita, que não parece ser relevante se o pixo é arte ou não, se sensibilizará curadores, críticos e galeristas, já que de alguma maneira ele “quebra” o “gosto” das obras feitas para embelezar, significar, representar. De um modo ou de outro, o pixo aponta para outros referentes estéticos, para formas plurais de apreciação e circulação de imagens na cidade. O pixo parece escapar assim do regime representativo, icônico, e alude a singulares formas de apreciação e percepção de um tipo de arte marcada pelo manto do indiscernível, do não facilmente classificável, daquilo que produz ruídos e desentendimentos.

Palavras-chave: Pixação. Arte Urbana. Política. Regime Estético. Desentendimento.


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