EDUCAÇÃO, HISTORICIDADE E RESPONSABILIDADE: ATENEO, RAMOS E ZEA NA BASE DA FILOSOFIA DA LIBERTAÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.36517/2026n39id96851Palavras-chave:
Filosofia da Libertação, filosofia mexicana, educação, ética, Leopoldo ZeaResumo
Este artigo investiga a gênese da dimensão ético-educativa da Filosofia da Libertação a partir da tradição filosófica mexicana do início do século XX. Sustenta-se que tal dimensão não emerge de modo abrupto nas formulações sistemáticas das décadas de 1960 e 1970, mas é historicamente preparada por um longo processo de crítica cultural, pedagógica e filosófica tendo no México sua base, o que o torna solo fértil para o nascedouro e sistematização que viriam nas próximas décadas. Analisa-se, inicialmente, a introdução do positivismo como pedagogia de Estado no contexto da reorganização republicana pós-1867, destacando seu papel na formação de uma subjetividade adaptada à ordem e marcada pela imitação cultural. Em seguida, examina-se a reação crítica do Ateneo de la Juventud, que denuncia a rotina pedagógica e a alienação formativa produzidas pelo positivismo, revalorizando as humanidades como eixo da reconstrução ética do sujeito histórico. O artigo aprofunda essa análise por meio das contribuições de Antonio Caso, cuja noção de mexicanidade articula educação, realidade e formação do sujeito, e de Samuel Ramos, que revela os efeitos subjetivos da dependência histórica por meio da crítica ao sentimento de inferioridade. Por fim, demonstra-se que Leopoldo Zea sistematiza essa tradição ao articular as categorias de circunstância, historicidade e responsabilidade, conferindo à filosofia um caráter explicitamente pedagógico e ético. Conclui-se que a Filosofia da Libertação herda dessa matriz mexicana a compreensão da filosofia como prática formativa orientada à emancipação histórica e à práxis ética transformadora.
Referências
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