EXISTENCIALISMO E SUBDESENVOLVIMENTO: A CRÍTICA DE ÁLVARO VIEIRA PINTO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/2026n39id96855

Palavras-chave:

Existencialismo, Subdesenvolvimento, Filosofia brasileira, Álvaro Vieira Pinto, Geopolítica do conhecimento

Resumo

O presente artigo examina criticamente a pertinência da filosofia existencialista quando transposta para o contexto histórico dos países periféricos, tomando como referência a análise desenvolvida por Álvaro Vieira Pinto em Consciência e Realidade Nacional. Partindo do objetivo de avaliar a validade das categorias existencialistas — como angústia, liberdade indeterminada e confrontação com o nada — o trabalho argumenta que sua universalização é indevida, pois tais categorias refletem experiências espirituais e materiais próprias das sociedades europeias já consolidadas. A metodologia consistiu na análise conceitual de textos do existencialismo europeu e na leitura hermenêutica dos trechos centrais de Vieira Pinto, com foco na dimensão geopolítica que marca sua crítica. O resultado principal é a demonstração de que, para o pensador brasileiro, a situação histórica do subdesenvolvimento altera estruturalmente o sentido da existência humana, deslocando o horizonte do “nada” europeu para o “tudo por fazer” próprio dos povos periféricos. Conclui-se que a adoção acrítica do existencialismo constitui forma de alienação filosófica e intelectual, pois ignora as tarefas materiais que condicionam a realização da existência no mundo subdesenvolvido. A crítica vieirapintiana indica, ainda, as bases para uma filosofia da existência latino-americana fundada no imperativo histórico da transformação concreta e não na contemplação angustiada da subjetividade.

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Publicado

2026-04-29

Edição

Seção

Dossiê Filosofia Latino-Americana

Como Citar

EXISTENCIALISMO E SUBDESENVOLVIMENTO: A CRÍTICA DE ÁLVARO VIEIRA PINTO. Revista Dialectus - Revista de Filosofia, [S. l.], v. 39, n. 39, p. 104–112, 2026. DOI: 10.36517/2026n39id96855. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/dialectus/article/view/96855. Acesso em: 31 maio. 2026.