AMEFRICANIZAR PARA DESPSICOLOGIZAR: ALGUNS APORTES PARA UMA CRÍTICA DA PSICOLOGIZAÇÃO DESDE O INCOLONIZÁVEL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36517/2026n39id96857

Palavras-chave:

Amefricanidade, Incolonizável, Psicologização, Psicologia Crítica, Despsicologização

Resumo

A psicologização dos sujeitos e da vida não é um processo aleatório: ela cumpre uma função política e epistemológica precisa. Mais do que uma linguagem que mobiliza noções do campo da psicologia para nomear determinadas verdades, trata-se de um dispositivo que produz e legitima uma concepção estrita de subjetividade, petrificando o sujeito em posições fixas e inquestionáveis. Nesse regime, a realidade parece não existir para além de designações pretensamente certeiras, o que estreita as possibilidades de futuros-outros. Diante dessas engrenagens, o artigo propõe o pensamento amefricano, formulado por Lélia Gonzalez, como um alento para o resgate do incolonizável na constituição dos sujeitos. Ao fazê-lo, abandona-se uma noção metafísica de sujeito em favor de sua historicidade e, consequentemente, de sua abertura ao novo.

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Publicado

2026-04-29

Edição

Seção

Dossiê Filosofia Latino-Americana

Como Citar

AMEFRICANIZAR PARA DESPSICOLOGIZAR: ALGUNS APORTES PARA UMA CRÍTICA DA PSICOLOGIZAÇÃO DESDE O INCOLONIZÁVEL. Revista Dialectus - Revista de Filosofia, [S. l.], v. 39, n. 39, p. 125–141, 2026. DOI: 10.36517/2026n39id96857. Disponível em: https://periodicos.ufc.br/dialectus/article/view/96857. Acesso em: 17 maio. 2026.