Uma releitura de cerimônias culturais do povo Mandjacu da Guiné-Bissau
o caso de Itchap
DOI:
https://doi.org/10.36517/ep.vi.96092.2025Palavras-chave:
itchap, diversidade cultural, mandjacuResumo
A relação entre os vivos e os mortos nas diversas comunidades mandjacus na Guiné-Bissau dá-se por meio de cerimônias variadas. Uma delas é o itchap, uma representação material, espiritual e, em alguns casos, políticos, de uma pessoa falecida. Esta representação pós-morte realiza-se por etapas, uma delas é a definição de quem pode ser contemplado/a. O presente artigo objetiva realizar uma releitura dessa cerimônia no grupo mandjacu, particularmente nas comunidades de Tchur, Babok e Plundu, com ênfase no princípio de quem pode ser contemplado com essa representação. Para isso, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e uma pesquisa de campo na comunidade plundense na Guiné-Bissau. Os dados mostram elementos de encontros e desencontros na realização da cerimônia nas comunidades estudadas. Conclui-se que, embora as três comunidades pertençam ao mesmo grupo social, o mandjacu, e pratiquem o mesmo ritual, sua forma de funcionar possui diferenças que exemplificam a heterogeneidade do grupo, rompendo com a visão homogênea e generalizadora que se tem sobre a realização da cerimônia do itchap nas diversas comunidades mandjacus.
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