A LINGUAGEM NO JUDAÍSMO E NA PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS
Resumo
Para a teoria da linguagem, há algo crucial a ser estudado na antiguidade hebraica e será sua concepção da divisão entre a língua e as linguagens. A língua hebraica inaugurou um modelo de nomeação que é tanto arbitrário como necessário. Observamos nitidamente que o ato de nomear é ele mesmo inspirado e, portanto, também criador das coisas, o que significa que a significância é espiritual e não submetida aos objetos desde o início. Há ainda outro elemento da antiguidade hebraica que anuncia a separação das línguas de seu primitivo poder espiritual unificador. Trata-se daquele que pode nos instruir do papel da escrita. A mutação da fala em escrita será a concretização de uma tarefa sempre ainda por fazer de dominar o real Para um autor como Benveniste, a escrita é um dos nomes da linguagem interior, termo que também foi muito caro a Vygotsky. O psicólogo russo defendeu que o egocentrismo longe de desaparecer, transformava-se em linguagem interior. E então seria desse campo do egocentrismo, do animismo e do que a psicanálise chamará de ilusão da onipotência que vem a combustão para a escrita. Já para Benveniste, a linguagem interior se apresenta enquanto força anárquica do inconsciente freudiano. Freud tinha por seu maior trunfo não ceder diante de maniqueísmos. Nesse caso, podemos ver como inconsciente é tanto o conceito para lidar com a ilusão da onipotência como, também, uma experiência radical de perda da vontade de poder. O inconsciente freudiano mantém o paradoxo de ser tanto potência, como abandono dessa potência; ou seja, experiência de desamparo que, uma vez sonhado como dependência, será o motor para que o homem se entregue às experiências de falhas, jogos e livres divagações na linguagem. Entregar-se à associação livre é como uma errância brincante que aposta na sustentação, é criar uma fé para o que já foi concretamente encontradoPublicado
2022-01-01
Edição
Seção
XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação
Licença
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Como Citar
A LINGUAGEM NO JUDAÍSMO E NA PSICANÁLISE: RESSONÂNCIAS. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 1816. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/86584