COMO FILMAR UM QUILOMBO: O LONGA-METRAGEM UM DIA COM JERUSA (VIVIANE FERREIRA, 2020)

Autores

  • Beatriz LizaviÊta Vasconcelos Viana
  • Marcelo Didimo Souza Vieira

Resumo

Às margens do rio Saracura, um dos maiores e mais antigos quilombos de São Paulo teve início: ele carregou o nome do córrego e foi o berço do samba de bumbo e do batuque. Esse é o cenário escolhido pela realizadora baiana Viviane Ferreira para localizar seu primeiro longa-metragem, Um dia com Jerusa (2020). A história narra o encontro intergeracional de Silvia (Débora Marçal), uma jovem pesquisadora de mercado, e Jerusa (Léa Garcia), uma senhora que aos seus 77 anos serve como guardiã das memórias do Bixiga. A reunião entre elas promove uma viagem no espaço-tempo de suas narrativas e do que as rodeia. No presente trabalho iremos pensar como o filme, realizado a partir do Edital Longa BO Afirmativo, não só retoma o quilombo enquanto lugar, como também o reconstrói através da série de decisões tomadas pela realizadora, entre elas a composição de uma equipe técnica formada em sua maioria por mulheres negras e a presença quase total de um elenco negro diante da tela. Para isso, utilizaremos o conceito de quilombismo de Abdias Nascimento; a ideia de amefricanidade de Lélia Gonzalez; e a noção de análise fílmica proposta por Vanoye e Goliot-Lété (2008). Propor esse debate é compreender de que forma Ferreira constrói, através de seu olhar para a ancestralidade, um quilombo em seu filme. Este trabalho é um recorte de uma pesquisa de dissertação em desenvolvimento dentro do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFC (PPGCom) e só foi possível graças ao papel desempenhado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) como financiadora da diversidade do conhecimento cultural, artístico e científico.

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Publicado

2022-01-01

Edição

Seção

XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação