UMA PRÁTICA DE ENSINO EM MACHADO DE ASSIS EM UMA EXPERIÊNCIA DECOLONIAZADA
Resumo
Machado de Assis, em Memórias póstumas de Brás Cubas, não tem uma crítica agressiva, direta e explicita à burguesia como a de Eça de Queirós (em Portugal) ou Aluísio de Azevedo (no Brasil), ele sempre traça suas linhas de forma psicológica, através dos seus personagens. Assim, a perspectiva individual coloca um narrador-personagem-defunto que fala da classe dos que detém o poder e, como a obra foi publicada em 1880, traz a perspectiva de acontecimentos ocorridos no período entre o início do século XIX e 1860, marcados pela forte comercialização de africanos no e para o Brasil. Dessa maneira, primeiro, foi feita uma análise das questões fundamentais do texto, relacionadas principalmente ao foco narrativo; em seguida, foi empreendida uma relação entre o narrador e os outros personagens para discernir o que indica a visão desse sobre a escravidão, para tal fim, o referencial teórico que embasou a argumentação foi, principalmente, sustentado por Sidiney Chalhoub (2003), Raymundo Faoro (1984) e Roberto Schwarz (1990). Em vista disso, objetivou-se saber o que esse texto traz de crítica à aristocracia desse período do século XIX, assim como, desvendar o que nas entrelinhas existe de crítica à escravidão. Alguns indícios, portanto, foram encontrados no texto, em relação à forma como a sociedade do período via o tráfico de negros e à maneira que a ironia e o sarcasmo machadianos mostram, indiretamente, a crítica à sociedade. Com isso, também é intuito dessa pesquisa demonstrar de modo interativo a temática tratada, o “microrrealismo”, dentro de uma forma decolonializada, como afirma Mignolo (2007, p. 27), para que haja a possibilidade de se observar que “lembrar é ressignificar” e registrar as ressignificações encontradas para outras e melhores compreensões da realidade.Publicado
2022-01-01
Edição
Seção
XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação
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Como Citar
UMA PRÁTICA DE ENSINO EM MACHADO DE ASSIS EM UMA EXPERIÊNCIA DECOLONIAZADA. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 2366. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/89651