SALOMÉ CAI NO SAMBA: A PRESENÇA DE OSCAR WILDE E AUGUSTO COMTE NA OBRA DE ORESTES BARBOSA

Authors

  • Lucas Assis de Oliveira
  • Joao Ernani Furtado Filho

Abstract

Muito já se discutiu sobre a presença de Oscar Wilde na literatura brasileira, em especial da peça "Salomé" (1891), tema de romances, crônicas, poemas, conferências, ensaios, como presente em Medeiros e Albuquerque, Onestaldo de Penafort e Augusto Meyer. Nas últimas décadas, a presença de Oscar Wilde no Brasil foi objeto de estudo de Cláudia de Oliveira e Gentil de Faria. Na esteira destes trabalhos, esta pesquisa privilegia o espectro de Wilde/Salomé na obra do cronista e letrista carioca Orestes Barbosa. O ponto de partida é a letra de "Positivismo", samba de Orestes e Noel Rosa gravado por este em 1933. No mesmo ano, Orestes publicou a crônica biográfica "O Phantasma Dourado", sobre Deodoro da Fonseca, e o livro “Samba: sua História, seus poetas, seus músicos e seus cantores”. Orestes considerava Wilde "o maior artista que o mundo já produziu”; na sua obra, publicada ou gravada nos anos de 1920 e 1930, despontam tanto o autor inglês, a figura de Salomé, como bailarinas anônimas. Orestes, ao definir o samba enquanto expressão da cultura brasileira, ou ao descrever a mãe de Deodoro, tomou a personagem Salomé para si e a envolveu com o véu das cores nacionais, dançarina de samba, moderna, carioca, e, por isso, brasileira, embora desviada da "verdade" positiva, que o cronista busca na filosofia de Augusto Comte. As crônicas e as letras dos sambas iluminam umas as outras. Ao insistir na "lei" de Comte – "o amor por princípio" – Orestes pensa, assim, por contraste, o descompasso entre o progresso e a mulher moderna, tema desta pesquisa.

Published

2022-01-01

Issue

Section

XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação

How to Cite

SALOMÉ CAI NO SAMBA: A PRESENÇA DE OSCAR WILDE E AUGUSTO COMTE NA OBRA DE ORESTES BARBOSA. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 2326. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/89611