A REPRESSÃO AOS CAMPONESES EM CRATEÚS: OLHARES DE PÁGINAS IMPRESSAS

Autores/as

  • Monyse Ravenna de Sousa Barros
  • Frederico de Castro Neves

Resumen

A Diocese de Crateús não passou imune ao período da ditadura militar no Brasil. Pelo contrário, é largo o histórico de perseguições a militantes, camponeses, sindicalistas e religiosos. Os indivíduos, para o caso da nossa pesquisa, notadamente camponeses e religiosos, não têm somente essas identidades e não pertencem a um único grupo social e, sobretudo, resistem em comunidades. Segundo o bispo Antonio Fragoso, é também nas Comunidades que os homens livres podem enfrentar o esquema da repressão. Neste resumo, damos a conhecer parte das fontes que examinamos no conjunto de nossa pesquisa. Examinando documentos da Justiça Militar de novembro de 1964, encontramos um indiciamento de quatro pessoas por organizarem “milícias subversivas” em vários bairros da cidade de Crateús, entre eles Bairro dos Venâncios, Vila Dória, Bairro da Ilha e Bairro da Cruz. Mesmo o bispo não escapa das ameaças: em novembro de 1968, o DOPS acusa Dom Fragoso de estar conectado com agentes subversivos, em especial, com Carlos Marighella, na altura caçado pela ditadura. O acervo do Projeto Brasil Nunca Mais abriga em seu documento 585 o processo contra o padre Geraldo Oliveira, que em 1971 era vigário da Paróquia de Novo Oriente e foi preso no aeroporto de Natal voltando do Encontro de Evangelização no Recife, onde tinha ficado entre os dias 26 e 28 de junho, hospedado no prédio dos Maristas. Segundo testemunho do próprio padre Geraldo quando libertado, ele foi levado ao DOPS, em Recife, onde foi torturado até desmaiar, e, sob intensa pressão, assinou uma declaração de culpa do que imputaram a ele.

Publicado

2022-01-01

Número

Sección

XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação

Cómo citar

A REPRESSÃO AOS CAMPONESES EM CRATEÚS: OLHARES DE PÁGINAS IMPRESSAS. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 1830. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/86598