POLÍTICAS DA ARTE CONTEMPORÂNEA: ESTÉTICA, CRÍTICA E CLÍNICA

Autores/as

  • Lucas Oliveira de Lacerda
  • Pablo Assumpcao Barros Costa

Resumen

Quais os impactos do neoliberalismo no mundo da arte? O neoliberalismo é o novo colonialismo do século 21 (MBEMBE, 2013) e, além de uma teoria econômica (FOUCAULT, 1978), é também uma forma de vida (DARDOT; LAVAL, 2009) que incorpora valores do capitalismo: a produtividade, a velocidade, a visibilidade etc. Essa transvaloração neoliberal produz artistas empresários de si (ERBER, 2021), que obedecem aos imperativos do excesso de atividades (HAN, 2010), excesso de estímulos (SONTAG, 2003) e excesso de luz (CRARY, 2013). Essa forma de vida neoliberal provoca alterações nos regimes de visibilidade e dizibilidade da estética (RANCIÈRE, 2000) e nos nossos modos de sentir, perceber, lembrar, imaginar e criar, além de produzir uma crise da criatividade, uma proliferação de afetos tristes (SPINOZA, 1677) e sintomas neoliberais: a desatenção (TÜRCKE, 2012), a miopia (PAGLIA, 2014), o esquecimento (BEIGUELMAN, 2019), a apatia (SONTAG, 2003), o cansaço (HAN, 2010), o medo (NEGRI; HARDT, 2012), a culpa (LAZZARATO, 2014) a insegurança (VIRILIO, 1976), a ansiedade (SAFATLE; DUNKER, 2021) etc. Partindo desse cenário, o objetivo da pesquisa foi investigar como a arte contemporânea tem se posicionado ora como crítica (NIETZSCHE, 1883), diagnosticando e denunciado os sintomas do mundo neoliberal (sintomatologia), ora como clínica (DELEUZE, 1993), criando e mobilizando energias vitais (CASTIEL, 2022) que apontam para novos modos de vida (nomadologia). Para isso, a partir da curadoria como método, caminhamos junto com o método da cartografia (ROLNIK, 2006; PASSOS; KASTRUP, ESCÓSSIA, 2009) e com o método da montagem (WARBURG, 1893; DIDI-HUBERMAN, 2002), a fim de construir uma constelação de obras de arte que denunciam a falência desse mundo neoliberal e colonial como conhecemos (FERREIRA da SILVA, 2019), e que apontam para uma travessia em direção a afetos alegres (PELBART, 2016) e fabulações de novos mundos possíveis (HARTMAN, 1997; IMARISHA; BROWN, 2015; MOMBAÇA, 2016; NYONG'O, 2018).

Publicado

2022-01-01

Número

Sección

XV Encontro de Pesquisa e Pós-Graduação

Cómo citar

POLÍTICAS DA ARTE CONTEMPORÂNEA: ESTÉTICA, CRÍTICA E CLÍNICA. (2022). Encontros Universitários Da UFC, 7(14), 2265. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/89549