NÃO ERA MINHA CULPA: A ANTROPOLOGIA E MINHA FORMAÇÃO COMO PROFESSORA
Abstract
Este trabalho apresenta a compreensão que adquiri através das teorias e conceitos antropológicos na disciplina Antropologia da Educação, ministrada pela professora Bernadete Beserra, no segundo semestre de 2019, no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará. Tal compreensão permite propor que o insucesso escolar não ocorre apenas por incapacidade pessoal, má vontade com os estudos ou falta de dom, mas essencialmente como conseqüência do limitado capital cultural (Bourdieu 1966) das classes mais pobres, sujeitas à má-fé institucional (Freitas 2009) e à seleção perpetuada pelo sistema público educacional brasileiro que, através da desigual distribuição de bens simbólicos, privilegia os já socialmente favorecidos. Usando meu próprio exemplo, mostro como o conhecimento adquirido na disciplina permitiu-me enxergar, de forma crítica e reflexiva, como atuam os fatores de exclusão que determinam o fracasso escolar da classe menos favorecida da sociedade brasileira. Parte dessa classe social, senti, durante minha trajetória escolar até a universidade, todo tipo de violência simbólica a que estão expostos os indivíduos que a ela pertencem. Dessa forma, num exemplo bem particular do racismo do Estado brasileiro (Beserra; Lavergne, 2018), do início de minha escolarização até conseguir romper as barreiras de acesso à Universidade Pública, passaram-se 40 anos. Meu exemplo, de uma formação tardia, adiada, é uma evidência de como o sistema educacional brasileiro tem mantido distantes da formação universitária aqueles que possuem limitados bens simbólicos (capital cultural), tornando-se assim um dos principais reprodutores das desigualdades sociais, especialmente no que se refere à sua naturalização.Published
2019-01-01
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XXXVIII Encontro de Iniciação Científica
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How to Cite
NÃO ERA MINHA CULPA: A ANTROPOLOGIA E MINHA FORMAÇÃO COMO PROFESSORA. (2019). Encontros Universitários Da UFC, 4(2), 1713. https://periodicos.ufc.br/eu/article/view/59472