ENCONTROS ENTRE ÁGUA E MINERAÇÃO DE CARVÃO NAS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS DO SUL DE SANTA CATARINA, BRASIL
DOI:
https://doi.org/10.4215/rm2026.e25013Palavras-chave:
partilha do sensível, cartografia, pós-extrativismo, territórioResumo
O artigo analisa a degradação hidrológica da Região Carbonífera, no sul de Santa Catarina (Brasil), não apenas como um fenômeno químico e físico associado à mineração de carvão, mas também como uma crise perceptiva que incide sobre os regimes de sensibilidade, tomando como referência três rios da região: Mãe Luzia, Criciúma e Palmeiras. A partir da noção de partilha do sensível, de Rancière, propõe-se o conceito de “partilha do sensível do carvão” para compreender as práticas institucionais, econômicas e simbólicas que organizam os modos de ver, dizer e habitar o território desde o início do século 20. A pesquisa adota uma atitude cartográfica e dialoga com produções artísticas contemporâneas que instauram dissensos no regime extrativista ao ativar a imaginação como campo de disputa política, favorecendo fabulações de horizontes pós-extrativistas baseadas em relações de cuidado, coexistência e responsabilidade multiespécie. Ao reinscrever os rios como memória, corpo e interlocutores do território, a arte contribui para reconfigurar as disputas ambientais no campo do sensível, ampliando possibilidades para outros modos de vida frente às ruínas do capitalismo.
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