ENCONTROS ENTRE ÁGUA E MINERAÇÃO DE CARVÃO NAS PRODUÇÕES ARTÍSTICAS DO SUL DE SANTA CATARINA, BRASIL

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2026.e25013

Palavras-chave:

partilha do sensível, cartografia, pós-extrativismo, território

Resumo

O artigo analisa a degradação hidrológica da Região Carbonífera, no sul de Santa Catarina (Brasil), não apenas como um fenômeno químico e físico associado à mineração de carvão, mas também como uma crise perceptiva que incide sobre os regimes de sensibilidade, tomando como referência três rios da região: Mãe Luzia, Criciúma e Palmeiras. A partir da noção de partilha do sensível, de Rancière, propõe-se o conceito de “partilha do sensível do carvão” para compreender as práticas institucionais, econômicas e simbólicas que organizam os modos de ver, dizer e habitar o território desde o início do século 20. A pesquisa adota uma atitude cartográfica e dialoga com produções artísticas contemporâneas que instauram dissensos no regime extrativista ao ativar a imaginação como campo de disputa política, favorecendo fabulações de horizontes pós-extrativistas baseadas em relações de cuidado, coexistência e responsabilidade multiespécie. Ao reinscrever os rios como memória, corpo e interlocutores do território, a arte contribui para reconfigurar as disputas ambientais no campo do sensível, ampliando possibilidades para outros modos de vida frente às ruínas do capitalismo.

Biografia do Autor

  • Paula Martins de Oliveira, Universidade do Extremo Sul Catarinense

    Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais da Universidade do Extremo Sul Catarinense (PPGCA/Unesc) (Fapesc). Especialista em Tecnologias para Aprendizagem Ativa (Faculdade IMES) (2024) para aperfeiçoamento profissional. Especialista em Teoria e História da Arte (Unesc) (2022). Licenciada em Letras - Língua Portuguesa (Unesc) (2019). Pesquisadora voluntária do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi/Unesc). Pesquisadora voluntária da Liga Acadêmica Multidisciplinar e Coletivo LGBT+ (LAMCLGBT+/Unesc). Organizadora do evento cultural anual Mateada Universitária desde 2017.

  • Viviane Kraieski de Assunção, Universidade do Extremo Sul Catarinense

    Professora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) e de cursos de graduação da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Atualmente, é professora visitante na San Diego State University (SDSU), San Diego, Califórnia, EUA. É Doutora em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011), e realizou estágio-sanduíche no Institute of Latin American Studies da Columbia University, Nova York, EUA. Possui mestrado em Antropologia Social (2007) e graduação em Jornalismo (2002) pela Universidade Federal de Santa Catarina. Realizou pós-doutorado em Antropologia na Vrije Universiteit Amsterdam (2012-2013). Foi Sustainability Fellow junto ao Center for Brazilian Studies da San Diego State University, California, EUA, durante o Spring Semester de 2023. É líder do Grupo de Pesquisa Meio Ambiente, Cultura e Sociedade (GPMACS). Atua em pesquisas, principalmente, nos seguintes temas: desastres ambientais e projetos de desenvolvimento; alimentação, consumo e descarte; ambiente urbano, culturas e práticas socioespaciais. Atualmente, integra dois projetos de pesquisa realizados no sul da Califórnia sobre os efeitos sociais da extração de lítio e as interfaces entre calor extremo e desigualdade social.

  • Tainá Silva Candido, Universidade do Extremo Sul Catarinense

    Doutora em Ciências Ambientais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCA) da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Mestra em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UNESC. Graduada em Pedagogia e Sociologia (em andamento). Professora no curso de Pedagogia e licenciaturas integradas da Universidade do Extremo Sul Catarinense. Pesquisadora no Grupo de Pesquisa Meio Ambiente, Cultura e Sociedade (GPMACS). Atua em pesquisas sobre processos pedagógicos em comunidades tradicionais; estudos decoloniais; contranarrativas e saberes em contextos de resistência cultural; desastres ambientais e projetos de desenvolvimento; epistemologias contracoloniais, dentre outras.

Publicado

2026-06-10

Edição

Seção

Artigos