RISCO DE SECA NO SEMIÁRIDO DA BAHIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2023.e22024

Resumo

A seca é um fenômeno climático complexo e pouco compreendido. Estudos de riscos à seca são fatores chave na formulação de políticas públicas. Esta pesquisa objetivou caracterizar o risco à seca no semiárido baiano, com ênfase no setor agrícola. Para tanto, elaborou-se cenários de risco, considerando os conceitos associados à teoria do risco. Para a vulnerabilidade foram considerados quatro indicadores chave: agrícola, ambiental, tecnológico e educacional. Os resultados indicam que o risco do semiárido, para qualquer condição de seca é, no mínimo, alto. Em condição de seca mais intensa, o risco é crítico. Todos os cenários obtidos evidenciaram que a seca na região, em razão das vulnerabilidades encontradas, pode gerar uma crise climática de proporções imensuráveis e com consequências em diferentes escalas. Demonstramos ainda, que o risco à seca na região parece estar mais atrelado às particularidades socioespaciais do que com a própria severidade do fenômeno, evidenciando a necessidade de políticas públicas específicas. Concluiu-se, portanto, que cenários de secas mais intensas podem aumentar a incerteza das atividades agrícolas e provocar intensidade na insegurança alimentar, além de resultar em turbulência social, tornando a região de alto risco para atividade agrícola. No entanto, com o acesso às tecnologias apropriadas, manejo agrícola sustentável e ambiental conexo ao ritmo climático da região, além de altos investimentos educacionais para a população local, é possível conviver com as particularidades do clima tropical no semiárido.

Palavras-chave: Precipitação, Anomalia, Desastre.

Biografia do Autor

  • Rafael Vinicius de São José, Universidade Estadual de Campinas, Campinas (SP), Brasil

    Doutor em Geografia - UNICAMP (2023). Doutorado em Ensino e História de Ciências da Terra (em andamento) - UNICAMP. Mestre em Ensino e História de Ciências da Terra - UNICAMP (2019). Graduação em Geografia - Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Trabalha com Climatologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Eventos hidrometeorológicos, vulnerabilidade, riscos e desastres; ensino e difusão da climatologia e clima tropical semiárido, com ênfase na ocorrência de estiagem e seca.

  • Roberto Greco, Universidade Estadual de Campinas, Campinas (SP), Brasil

    Professor Associado de Ciências da Terra do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT), do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Licenciado em Ciências Naturais (1997) e doutor pela escola de doutorado Ciência do Sistema Terra: ambiente, recursos e patrimônio cultural (2010), pela Universidade de Modena e Reggio Emilia (Unimore), Itália. Em 2020 foi convidado como professor visitante na Unimore para oferecer a primeira edição da disciplina de Ensino e Comunicação em Geociências. Foi também bolsista do programa Professor Visitante do Exterior na Unicamp entre maio e setembro 2012. Coordena o grupo de pesquisa Geociências e Sociedade. Interesses de pesquisa incluem os processos de ensino aprendizagem relacionados com os conteúdos de Ciências da Terra e Educação Ambiental. Desde 2018 está envolvido em vários projetos de pesquisa e extensão com temáticas socioambientais em colaboração com a Universidade de Cardiff (Reino Unido). Iniciou e coordenou a Olimpíada Brasileira de Ciências da Terra e a Olimpíada Brasileira de Geografia para estudantes do ensino médio. Entre 2018 e 2022 foi Coordenador Geral da International Geoscience Education Organization (IGEO) e Coordenador Geral da International Earth Science Olympiad (IESO). É membro do Conselho Executivo da International Association for Promoting Geoethics (IAPG) e membro da Commission on Geoscience Education (COGE) da International Union Geological Sciences (IUGS). 

  • Larissa Vieira Zezzo, Universidade Estadual de Campinas, Campinas (SP), Brasil

    Doutoranda no Programa de Pós Graduação em Ensino e História das Ciências da Terra pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Realizou estágio docente em diferentes disciplinas do curso de Geografia na UNICAMP, bem como projetos de extensão com a comunidade de Campinas. Contemplada com a Bolsa Eiffel de excelência para um ano de pesquisa na Université Rennes 2 (França). Mestre em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Graduada em Ciências Ambientais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Obtive bolsa através do programa Ciência sem Fronteiras - Graduação Sanduíche junto à Universidad de Córdoba (Espanha), realizando estágio de verão pela Consejería de Medio Ambiente y Ordenamiento del Territorio no Parque de Los Villares. Iniciação Científica voluntária, atuando na área de Microbiologia Aplicada no Laboratório Multidisciplinar em Saúde e Meio Ambiente da UNIFESP - Campus Diadema. Realização de Iniciação Científica na área de Geociências e estágio docente na mesma área. Sócia da Sociedade Brasileira de Geologia desde 01 de fevereiro de 2016.

  • Priscila Pereira Coltri, Universidade Estadual de Campinas, Campinas (SP), Brasil

    Doutorado pela Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O doutorado foi realizado no Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (CEPAGRI). Fez doutorado sanduíche na Universidade de Rennes 2, França. Foi é bolsista Pós-Doc no exterior (PDE - CNPQ) no "Le Laboratoire des Sciences du Climat et l'Environnement (LSCE)", França (2013). Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ensino e Historia de Ciências da Terra (EHCT), do Instituto de Geociências (IG/UNICAMP). Atualmente é Pesquisadora e Diretora do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (CEPAGRI), UNICAMP. Atua principalmente nas seguintes linhas de pesquisa: Agrometeorologia e Modelagem; Mudanças Climáticas; Educação e Comunicação em Climatologia.

Publicado

2023-12-02

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Artigos