CRISE URBANA E O ANTIVALOR EM DAVID HARVEY
revisitando Harvey
DOI:
https://doi.org/10.4215/rm2020.e19031Abstract
No presente texto discutimos e explicamos a relação entre a crise urbana contemporânea e o antivalor no pensamento do conhecido geógrafo inglês David Harvey. O autor trata do tema em vários de seus livros, inclusive em “A loucura da razão econômica”, publicado no Brasil, em 2018. O ensaio utiliza este livro como mote para a discussão de como o mundo contemporâneo, crescentemente urbano, é dominado pelo império do antivalor, em especial na forma crescente de dívida. O antivalor, na forma de capital portador de juros, tem papel crucial na reprodução do capital, articulando produção, circulação e realização das mercadorias, promovendo e facilitando o movimento geográfico do capital além das transferências entre circuitos econômicos e ciclos de produção. A dívida, no entanto, é a forma favorita do antivalor sob o capitalismo contemporâneo. Além de ser lastreada pelo Estado de várias formas, inclusive por meio da dívida pública, a dívida aprisiona todos os agentes econômicos numa servidão perpétua. A dívida acompanha a tendência do capitalismo de produzir valor e mais-valor continuamente, o que Harvey denomina de má infinidade. O antivalor em sua forma de dívida é também denominado fetichismo do capital, termo que designa a contraditória situação em que o dinheiro sozinho parece ter a qualidade mágica de gerar mais dinheiro. As consequências para a crise urbana vão além da própria necessidade de resolver problemas fiscais do Estado. A necessidade crescente de conciliar produção de mais-valia com o serviço da dívida gera espaços diferenciados na cidade, dominados pela gentrificação e pela segregação. Em suma, neste ensaio discutimos a crise urbana contemporânea no contexto da dominação do complexo financeiro-imobiliário, fundamentando-nos na teoria do valor de Karl Marx e no conceito de antivalor, como apresentados por David Harvey.
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