LUGARES DO ENVELHECIMENTO CRI-ATIVO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.4215/rm2022.e21004

Resumo

O Brasil, assim como outros países do mundo, vem apresentando um crescimento populacional cada vez mais longevo. Na última década, muitas pesquisas se concentraram em compreender a complexidade e os impactos sobre o envelhecimento. Porém, ainda não está claro se existe alguma relação entre os modos específicos de vida dos idosos com o sentido de lugar que eles vivenciam. Questionamos: que lugares e tipos de atividades podem contribuir para uma melhor qualidade de vida do idoso na sua casa, vizinhança, bairro e cidade? Com o objetivo de analisar como o idoso convive com os lugares que habita na urbanidade contemporânea, a fim de proporcionar novas estratégias para um planejamento urbano inclusivo, a pesquisa utilizou o método dos diários fotográficos para compreender essas dinâmicas. O estudo foi aplicado nas cidades brasileiras de Pelotas/RS, Belo Horizonte/MG e Brasília/DF, cada uma com três recortes de bairros escolhidos por distintas faixas de renda (alta, média e baixa). Mesmo com suas grandes diferenças urbanas, econômicas e culturais, essas cidades têm em comum as transformações na pirâmide etária, tornando o estudo mais heterogêneo e diverso. Como resultado, foi possível fazer a aproximação com o conceito de “devir-criança”, agenciando a filosofia contemporânea francesa com o sentido do "bom lugar" encontrado nos idosos da pesquisa. Essas coexistências nos levaram a propor o exercício de composição de um “devir-criança-idoso”, na direção de uma vontade de potência e afirmação da vida arquitetônica e urbana para um idoso "cri-ativo".

Palavras-chave: Envelhecimento, Diários Fotográficos, Devir-Criança-Idoso, Territórios, Cidade Amiga do Idoso, Sentido de Lugar.  

Biografia do Autor

  • Eduardo Rocha, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas(RS), Brasil

    Doutor em Arquitetura (PROPAR/UFRGS, 2010) . Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2 - Arquitetura, Demografia, Geografia, Turismo e Planejamento Urbano e Regional, desde 2015. Professor Associado no Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAUrb), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAUrb), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel); e Pesquisador no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PROGRAU/FAUrb/UFPel), na Área de Concentração Arquitetura Patrimônio e Sistemas Urbanos, Linha de Pesquisa: Urbanismo Contemporâneo; coordenador do PROGRAU entre 2013-2015. Líder do Grupo de Pesquisa CNPq Cidade+Contemporaneidade - UFPel e pesquisador colaborador nos seguintes Grupos de Pesquisa CNPq: Arquitetura, Derrida e Aproximações (UFRGS); Educação e Contemporaneidade: experimentações com arte e filosofia (IFSul); Laboratório de Estudos Comportamentais (UFPel); Percepção e Avaliação do Ambiente Construído e Natural pelo Usuário (UFPel) e; Questão agrária, urbana e ambiental e Observatório dos Conflitos na Cidade (UCPel). Afiliado a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo (ANPARQ). Editor Chefe da PIXO - Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade (https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/pixo/index); Organizador dos livros: Galpões de Reciclagem e a Universidade (2008), [entre]Cruzamentos - ensaios sobre a cidade na contemporaneidade(2013), Mover, Acolher, Cativar (2016) e Cross-Cult Desenho Urbano (2017), além de ter publicados diversos ensaios e artigos em periódicos nacionais e internacionais. No momento desenvolve projetos de pesquisa, ensino e extensão junto ao Laboratório de Urbanismo (FAUrb/UFPel), onde é coordenador (2017-2022) e, também no Laboratório de Estudos Comportamentais (LEC/UFPel); com destaque para os projetos: Caminhografia Urbana (FAPERGS, Edital PqG 2021- em andamento), Travessias na Linha de Fronteira Brasil-Uruguay (FAPERGS, Edital PqG 2017- concluído); Projeto de Lugares com Pessoas Idosas: Rumo a Comunidades Amigáveis ao Envelhecimento das Pessoas (ESRC, 2016 - concluído); App+SAÚDE: Sistema georreferenciado e comunitário para a gestão, mobilidade e acessibilidade a saúde (CNPq, Edital Ciências Sociais 2014 - concluído); O Para-formal na fronteira Brasil-Uruguay: controvérsias e mediações no espaço público (CNPq, Edital Universal 2014 - concluído) e; Diferenças culturais e desenho urbano: experiências de transferenciabilidade de princípios entre Pelotas e Oxford (FAPERGS, Edital Internacionalização da Pós-graduação 2014 - concluído). Todos os projetos tem em comum questões relacionadas aos modos de vida na contemporaneidade, cartografias urbanas e sociais, caminhar, memória e ativação de espaços públicos. Ver mais em: https://wp.ufpel.edu.br/cmaisc/

  • Lorena Maia Resende, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas(RS), Brasil

    Doutoranda em Arquitetura no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura (PROARQ) na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Mestra em Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PROGRAU) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), na linha de pesquisa do Urbanismo Contemporâneo. Arquiteta e Urbanista graduada pela Universidade Federal de Pelotas (2016). Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase nas Cidades de Fronteira; Planejamento e Projeto. Atualmente é colaboradora no desenvolvimento de projetos de pesquisa, ensino e extensão junto ao Laboratório de Urbanismo (LabUrb) e ao grupo de pesquisa Sistema de Espaços Livres (SEL-RJ/UFRJ). 

  • Adriana Araújo Portella, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas(RS), Brasil

    Adriana Portella tem mais de 20 anos de experiência profissional em pesquisa, com um histórico de sucesso na coordenação de projetos internacionais, trabalho administrativo e ensino na universidade. Ela tem experiência em liderar projetos financiados por agências internacionais (ESRC, Reino Unido) e órgãos do governo federal brasileiro (CAPES, CNPQ, FAPERGS). Entre maio de 2016 e agosto de 2019, ela foi a Coordenadora no Brasil do projeto financiado pelo ESRC `Projetando lugares com os idosos: Rumo a comunidades amigas do envelhecimento' (www.placeage.org), num total de £ 808.289 libras esterlinas, sendo uma parceria entre o Brasil e o Reino Unido. Para esse projeto, ela liderou uma equipe de pesquisa de 43 pessoas no Brasil. Adriana também é pesquisadora, de maio de 2018 a janeiro de 2021, em outro projeto financiado pelo ESRC `Bom Envelhecimento em Ambientes Urbanos: Projetando cidades e comunidades com idosos' em parceria com o Reino Unido e a Índia (£404.827). Desde janeiro de 2019, é Coordenadora do projeto brasileiro financiado pelo CAPES-PRINT `Núcleo de Estudos sobre Cidades Saudáveis, Envelhecimento e Cidadania` da Universidade Federal de Pelotas, que envolve trabalhos de pesquisa com o Brasil, Reino Unido, Argentina e França. Os interesses de pesquisa de Adriana são interdisciplinares, abrangendo desenho urbano, planejamento urbano, arquitetura e psicologia ambiental, explorando conceitos teóricos de desigualdades sociais, saúde e bem-estar, envelhecimento no local, senso de lugar, resiliência e patrimônio histórico. Ela é empenhada em investigar como integrar grupos vulneráveis ​​e idosos no desenho de estratégias de planejamento urbano para promover cidades inclusivas e melhores para todos. Sua pesquisa é sustentada por uma estrutura participativa, envolvendo as comunidades como co-pesquisadores. Ela possui uma experiência significativa no desenvolvimento e aplicação de métodos inovadores, incluindo diários fotográficos e mapeamentos participativos. Ela também é especialista em pesquisa quantitativa baseada em análise estatística, em particular testes não paramétricos. Ela trabalhou ao lado de grupos vulneráveis, incluindo moradores de favelas e áreas de gentrificação no Rio de Janeiro. Em 2018, Adriana foi à ONU em Genebra como convidada para apresentar seu trabalho: `O legado olímpico do Rio 2016: uma cidade para quem?`. Adriana trabalha com mobilização de conhecimento e engajamento público em todas suas pesquisas, traduzindo as descobertas dos projetos em políticas públicas, trabalhando ao lado de organizações comunitárias locais, governo e outras partes interessadas para garantir o máximo impacto dos resultados obtidos. Ela possui doutorado em Desenho Urbano pela Oxford Brookes University (Reino Unido) e pós-doutorado em Planejamento Urbano pela The Bartlett School of Planning (Reino Unido). Depois de viver cinco anos no Reino Unido, ela voltou ao Brasil em 2008 para aplicar o que aprendeu no desenvolvimento de estudos e políticas de planejamento urbano em seu país de origem. Atualmente, ocupa uma posição permanente como Professora Associada 3 da Universidade Federal de Pelotas (UFPel, desde 28/08/2008) e foi Chefe do Departamento de Arquitetura e Planejamento da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo por quatro anos (04/03/2016-29/03/2020). Sua experiência em liderança também inclui a função de Coordenadora do Curso de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da UFPel (PROGRAU) por quatro anos (20/01/2009-22/03/2013). Ela é fluente em inglês e português (falante nativo), e também é capaz de entender a língua espanhola. Na sua trajetória publicou quatro livros internacionais: `Visual Pollution: Advertising, Signage and Environmental Quality` pela Editora Routledge; `Olhares da Favela/ Insights on favelas`pela Editora da UFPel; `Place-Making with Older Adults: Towards Age-Friendly Cities and Communities` pela Editora Mixam UK Ltd; `Ageing in place: narratives and memories in the UK and Brazil.

  • Ryan Woolrych, University of Heriot-Wattem Edinburgh, Edinburgh, UK

    I am a Professor in Ageing and Urban Studies and Director of the Urban Institute. I joined Heriot-Watt University in 2014 as an Associate Professor in Health and Well-being. Prior to this, I worked at the Gerontology Research Centre, Vancouver, Canada exploring issues of social justice, housing and ageing-in-place. 

    I am currently P-I on two ESRC-funded grant exploring Age Friendly Cities and Communities, undertaking collaborative case study research in cities in UK, Brazil and India (total funding £1.2 million as P-I). The research will develop resources and tools for the development of tools and resources to support older adults to age-in-place.

     

Publicado

2022-03-15

Edição

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Artigos