O SIGNIFICADO DO COMUNISMO NA TEOLOGIA POLÍTICA DE CARL SCHMITT E DE FRANCISCO CAMPOS

Autores

  • Alexandre de Castro Coura Faculdade de Direito de Vitória http://orcid.org/0000-0003-1940-3857
  • Adriana de Oliveira Gonzaga Bisi Faculdade de Direito de Vitória
  • Wilton Bisi Leonel Faculdade de Direito de Vitória (FDV).

Palavras-chave:

Teologia Política, Carl Schmitt, Francisco Campos, Comunismo

Resumo

O jurista mineiro Francisco Campos, Ministro da Justiça do regime estadonovista, foi o responsável por traduzir as aspirações políticas de Getúlio Vargas num arcabouço jurídico-político de exceção, sustentado em última instância pela Constituição Federal de 1937. Consolidava-se assim um novo modelo de Estado apoiado num projeto político centrado no nacionalismo-autoritário e no anticomunismo. A resposta política para proteger a Nação brasileira contra a ‘grave ameaça’ representada pelo ‘perigo vermelho’ foi a criação e o funcionamento de um violento aparato repressivo de segurança nacional, composto sobretudo pela Lei de Segurança Nacional, pelo Tribunal de Segurança Nacional e por uma Polícia Política. Esse arcabouço penal que reprimia o ‘crime político’ era calcado na lógica da exceção, e permitia não só suprimir direitos e garantias individuais mas, até mesmo, fixar pena de morte para ‘os cabeças’ de tentativas insurrecionais (art. 2º, LSN/38). Este artigo pretende contribuir para o estudo de parte da narrativa legitimadora da contundente repressão ao Comunismo no Estado Novo. Para tanto, utilizará premissas metodológicas advindas da Criminologia Crítica e da Análise Crítica do Discurso. Várias instâncias sociais concorreram para engendrar uma série de representações simbólicas negativas sobre o Comunismo; o modesto intuito desta pesquisa é investigar as imagens produzidas por duas dessas instâncias para sustentar que o Comunismo era o inimigo interno a ser duramente reprimido no Brasil: a Teoria Política e a Teologia Católica. Como a visão teológico-política de Carl Schmitt é recepcionada no Brasil por Francisco Campos para legitimar a contundente repressão ao Comunismo, justifica-se a estrutura do artigo em duas partes num diálogo sobre o tema entre os dois juristas e politólogos católicos em questão, além de algumas considerações críticas finais.

Biografia do Autor

  • Alexandre de Castro Coura, Faculdade de Direito de Vitória
    Professor do Programa de Doutorado e de Mestrado em Direitos e Garantias Fundamentais da Faculdade de Direito de Vitória (FDV). Promotor de Justiça
  • Adriana de Oliveira Gonzaga Bisi, Faculdade de Direito de Vitória
    Doutora em Direitos e Garantias Fundamentais pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV). Mestre em Teoria, Sociologia e Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professora de teoria geral do direito da graduação da FDV.
  • Wilton Bisi Leonel, Faculdade de Direito de Vitória (FDV).
    Mestre em Teoria, Sociologia e Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professor de Ciência Política e Teoria do Estado da graduação da FDV. Professor de Direito Penal da Universidade Federal Fluminense.

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Publicado

2018-09-13

Edição

Seção

Doutrina Nacional

Como Citar

O SIGNIFICADO DO COMUNISMO NA TEOLOGIA POLÍTICA DE CARL SCHMITT E DE FRANCISCO CAMPOS. (2018). Nomos: Revista Do Programa De Pós-Graduação Em Direito Da UFC, 38(1). https://periodicos.ufc.br/nomos/article/view/19484